segunda-feira, agosto 25, 2008

Valor de seguro de automóveis deve cair com a lei seca

Entidade fixou prazo de três meses para mercado reavaliar preços


Osvaldo Lyra
A redução no número de acidentes em todo o país, gerada pela aplicação da lei seca, levou a Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) a repensar os valores cobrados nos seguros de automóveis no Brasil. Essa semana, o presidente da Fenseg, Jayme Brasil Garfinkel, fixou em três meses o prazo necessário para que o mercado reavalie os preços cobrados atualmente. Só em Salvador, a redução do número de sinistros (acidentes e colisões) foi de 57%, desde o início da nova lei, no dia 20 de junho.
De acordo com dados fornecidos pela Federação, essa reavaliação poderá ser possível, já que as indenizações pagas por colisões (com perda total ou parcial) representaram 54% dos desembolsos totais no ano passado, o que perfaz um total de R$2,5 bilhões. Roubo e furto figuraram como a segunda causa de indenizações de carros de passeio nacionais, respondendo por 42% do total dos desembolsos de 2007. As primeiras projeções indicam uma queda entre 10% e 12% no valor do seguro.
“O que se sabe até agora é que o número de vítimas de acidentes caiu, mas o mercado de seguros ainda vai precisar de mais tempo para identificar a tendência da sinistralidade. Pode ser que, isoladamente, alguma seguradora baixe agora o preço, o que não acredito, já que o mercado terá uma visão melhor dos impactos da Lei Seca dentro de três meses”, disse Jayme Brasil. A Fenseg acredita que se caírem as vítimas de acidentes de trânsito e baixarem os sinistros por colisões, tudo vai diminuir e impactar positivamente no preço do seguro.
Cautela - O presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais aproveita o momento para pedir cautela ao mercado. Ele lembra que as seguradoras experimentaram uma queda repentina na sinistralidade nos primeiros meses de adoção do Código Nacional de Trânsito, atualizado em 1998. Para Garfinkel, o rigor na fiscalização da lei seca será o grande divisor de águas. “A nova legislação terá impacto em âmbito nacional, mas a fiscalização será o divisor de águas. Se as pessoas acreditarem que haverá fiscalização, a tendência é de forte queda do número de acidentes. Já nas regiões em que não houver fiscalização adequada, a sinistralidade por colisões não deverá cair, nem ao menos os preços cobrados”.
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Mercado baiano vê previsões com cautela
O presidente do Sindicato dos Corretores e Empresas de Seguros da Bahia (Sincor-BA), Reginaldo dos Santos, vê com bons olhos a projeção feita pela Federação Nacional de Seguros Gerais, mas pede cautela do mercado. Ele se diz favorável à queda nos preços praticados no estado. Mas, para que aconteça uma redução efetiva (de no mínimo 20%), ele defende a manutenção do rigor nas fiscalizações da lei seca e uma melhoria efetiva da segurança pública, que gere a diminuição do índice de roubos e furtos. “Esperamos que já nos próximos 90 dias as seguradoras possam oferecer melhores preços, tanto nas renovações dos seguros, como nos contratos novos. Isso, ao menos influenciado pela nova norma de condução dos veículos”.
O dirigente do Sincor-BA fez questão de explicar ainda que o valor dos seguros de automóveis são calculados de acordo com o perfil do cliente. “O seguro é uma taxa de risco e é computado através do perfil do condutor. Tem que saber qual a finalidade do carro, se será usado para trabalhar ou para passeio, quais bairros serão trafegados com maior freqüência, horário e dias de utilização do veículo. Portanto, se você usa seu veículo para trabalhar, em horário comercial, é calculado um determinado valor. Já se usa mais à noite e aos fins de semana, recebe uma classificação de risco maior, o que acaba elevando o preço final”.
Interior - Diferente de Salvador, em que houve redução no número de sinistros devido à aplicação da Lei Seca, no interior esse número não foi modificado. Marcelo Borges, consultor de vendas da Qualit Seguros (segunda maior corretora de seguros de Feira de Santana), diz que a nova legislação teve mais impacto na capital e até mesmo em Feira. “No entanto, no interior do estado, onde não há fiscalização, ela não interferiu”.
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Seguradoras esperam crescimento em 2008
O mercado de seguros, previdência aberta e de capitalização deverá crescer cerca de 7% em 2008. A estimativa é da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg). De acordo com o presidente da entidade, João Elisio Ferraz de Campos, as projeções consideram apenas o comportamento da economia e a conjuntura atual. A expectativa é que o segmento de seguros apresente um crescimento de 10% e o de capitalização de 3%. Já o de previdência complementar deverá registrar queda de 7%.
As provisões e o patrimônio das seguradoras, ou seja, as suas reservas que estão aplicadas na economia do país, ainda crescerão 20%, chegando a R$140 bilhões no final do ano. E o setor devolverá à sociedade, sob a forma de indenizações e benefícios pagos, cerca R$35,7 bilhões, ou seja, 15% a mais do que o montante pago em 2004. “São números eloqüentes, que mostram a importância do mercado segurador para o país, que devolve à sociedade com grande rapidez todos os estímulos que lhe são dirigidos”, afirmou.
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Ações no trânsito geram redução de acidentes
Na capital baiana, a redução de sinistros foi de 57% desde o início da lei seca. Segundo dados da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), em 2007, houve 4.272 acidentes de trânsito nos meses de junho e julho. Já em 2008, o número caiu para 1.817 acidentes. De acordo com o superintendente do órgão, coronel Adelson Guimarães, essa redução não pode ser creditada apenas à lei seca, mas também, nas ações de ordenamento do trânsito, implantação das lombadas eletrônicas e ações de educação na cidade.
O coronel Adelson diz que os números mostram que a lei foi bem recebida pela população e, sobretudo, pelos órgãos executores do trânsito. “Esta nova legislação só amplia a responsabilidade da SET, no sentido de assegurar à cidade um trânsito mais seguro, o que de fato vem se verificando”, ressalta, ao fazer referência ainda à eficácia na fiscalização dos motoristas que dirigem sob efeito do álcool.
Estimativas - Diante dos números apresentados, Salvador se coloca à frente da estimativa nacional. O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou na última semana que a nova lei deverá reduzir de 30% a 40% o número de acidentes e mortes causadas pelo consumo de álcool no país.
Fonte: Correio da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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