quinta-feira, dezembro 21, 2006

Que pode uma prefeitura?

Por: Rej Rei

Recentemente, por ocasião do lançamento do seu mais novo livro O nascimento do trágico. De Schiller a Nietzsche, no Rio de Janeiro, o filósofo Roberto Machado falou que a academia brasileira adquiriu rigor, mas não vigor. Semana próxima passada ele chegou a Fortaleza pelo projeto Pensamento Contemporâneo, da Funcet, onde ministrou o curso Pensamento filosófico e linguagem literária em Deleuze. Mais uma vez a ciência, a arte e a filosofia são postas em discussão. São criações, segundo Deleuze, enfatiza Roberto. Programação aberta ao público - que se deliciou com aquela "iguaria para a alma". Mas uma pergunta surgiu entre os participantes: Seria papel da prefeitura realizar este tipo de programação? Não seria da/na universidade? Não haveria outras prioridades para uma gestão municipal de cultura? E fico a pensar o quanto Roberto tem razão. A ciência precisa, urgentemente, ter contatos imediatos, de todos os graus, com os "agregadores sensíveis", os artistas; precisa, ainda, compreender que o pensamento, a capacidade, desejo e necessidade de pensar, de criar, construir idéias – as complexas e sofisticadas, inclusive!-, pertence a todos, de forma nômade, em todos os lugares. O iluminismo, que segregou o pensamento a uma casta privilegiada, e a herança platônica, que rechaçou os artistas como seres inúteis, carecem serem abandonados. Caso contrário, ficaremos sempre com uma cara de surpresa ao saber que Patativa do Assaré lia Camões e Baudelaire...

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