A tendência, como já era de se esperar, é que a disputa pelas mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, até o dia 2 de fevereiro, data marcada para a efetivação do pleito, aqueça o Congresso Nacional. Enquanto isso, as bancadas baianas no cenário, leia-se PFL, liderada pelo senador Antonio Carlos Magalhães, e PMDB, pelo deputado federal Geddel Vieira Lima, costuram apoio nos bastidores na busca de espaço, seja como líderes partidários nas respectivas Casas Legisla-tivas ou mesmo para o grande embate presidencial. Entre os nomes especulados estão: o do senador César Borges (PFL), para liderar a bancada pefelista no Senado, caso o atual líder, José Agripino (RN) emplaque a presidência da Casa, como é esperado por eles; o do deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL), como favorito para a mesma função na Câmara - segundo fontes fortes, o atual líder Rodrigo Maia passaria o cargo direto para as suas mãos; e o do próprio Geddel, que, apesar de não confirmar sua candidatura, está entre os mais cotados para presidir o Legislativo federal.
Todos negam qualquer tipo de articulação nesse sentido. No entanto, nas entrelinhas, deixam transparecer o desejo, seja pessoal ou do próprio partido, da disputa. O senador César Borges, por exemplo, através de sua assessoria, embora tenha declarado que não está fazendo campanha e que a prioridade é eleger Agripino, afirmou que, caso a candidatura do colega não vá para a frente e haja interesse da bancada pelo seu nome, não irá se opor.
Confirmado o fato, sem dúvida a briga não será fácil, pois o que se comenta nos bastidores é que, ao contrário de ACM Neto, tido como favorito, o atual presidente do partido, Jorge Bornhausen (SC), não quer nem ouvir falar na possibilidade da ascensão de Borges. Já o deputado ACM Neto, como sempre muito cauteloso, se limitou a dizer que sobre esse assunto não fala. “Me reservo ao direito de não comentá-lo, é melhor não colocar os carros na frente dos bois. No momento certo, essa questão vai ser discutida e vamos buscar a melhor alternativa”, ponderou, ressaltando que a sua meta é a unidade do PFL.
O peemedebista Geddel Vieira Lima, apesar de resistir quanto à possibilidade de vir a ser o escolhido para assumir a presidência da Câmara, afirmou que a bancada, a maior, com 89 deputados, esteve reunida ontem e decidiu por lançar um candidato. O impasse girava em torno de ceder ou não ao PT o segundo cargo na linha de sucessão da República, em troca do apoio do governo e de petistas à reeleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado. O nome, segundo ele, só será definido na próxima terça-feira.
Contudo, ele continua com o mesmo discurso. “A minha posição é a mesma, repito que não tenho idéia fixa pela presidência. Primeiro, é preciso um nome que unifique a bancada. Não sou um aventureiro da política. Não vou fazer campanha avulsa para eventuais barganhas”, enfatizou. Além de Geddel, Eunício Oliveira (CE) também está sendo cogitado para a disputa. (Por Fernanda Chagas)
Divisão do PT preocupa Jaques Wagner
Só mesmo as dificuldades para a montagem do secretariado - que tem um prazo menor - poderiam fazer o governador eleito, Jaques Wagner, cancelar a reunião que teria na manhã de ontem com a bancada do PT para discutir uma definição sobre o candidato do partido à presidência da Assembléia Legislativa. Desde o início do processo, Wagner tem se pronunciado pela liberdade dos deputados - de seu partido, de sua base e do próprio colegiado - para que se chegue a um nome, mas isso vem se revelando uma operação complicada.
A praxe nas eleições para mesas diretoras do Poder Legislativo, em qualquer instância, é a construção de uma chapa consensual, em que a presidência seja destinada ao partido de maior bancada no âmbito da situação e os demais cargos sejam distribuídos, tanto quanto permita a aritmética, de forma proporcional.
Na avaliação de um fonte ligada à assessoria de Wagner, a base de apoio ao futuro governo tem 37 dos 63 deputados eleitos ou reeleitos em outubro.
Nesse grupo, o PT detém a maioria, com dez cadeiras, o que lhe dá o direito de pleitear a presidência da Assembléia.
Ocorre que, segundo outra fonte petista - um parlamentar - , as sucessivas reuniões da bancada mostram uma divisão exata de preferências entre os nomes dos deputados Waldenor Pereira e Zé das Virgens, ou seja, cinco para cada um. Para a primeira fonte citada, “o PT não se une, isso é uma burrice e enfraquece o partido”.
Essa indefinição teria feito com que o governador eleito “não visse saída” e, “mesmo não querendo interferir”, tivesse, afinal, de conversar com seus correligionários para evitar uma conseqüência desastrosa: dar margem a movimentações amplas que levassem a um bate-chapa com possibilidade da eleição de um adversário do governo. “Na Bahia não pode haver risco de um Severino”, disse a fonte, referindo-se à divergência na bancada do PT quando da eleição para a presidência da Câmara Federal em 2004.(Por Luis Augusto Gomes)
Wagner intensifica contatos com autoridades federais
O governador eleito Jaques Wagner se reúne, hoje, às 14h30, com o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito Nascimento - que está na cidade para participar da V Expo Brasil Desenvolvimento Local, que acontece até sexta-feira, no Centro de Convenções -, com a diretoria da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), além de consultores do Bird (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento). O petista também confirmou presença no Seminário sobre Reforma Política e Cidadania, evento que faz parte da comemoração dos 10 anos da Fundação Perseu Abramo, a se realizar em São Paulo nos dias 15 e 16 de dezembro. O seminário vai reunir juristas, sociólogos, parlamentares, governadores, representantes de partidos e dos movimentos sociais. Jaques Wagner vai participar dos debates somente no dia 16 e, no dia seguinte, ele grava em São Paulo participação no programa Canal Livre, da TV Band.
A reforma política entrou na pauta do país e tem sido objeto da atenção do governo, dos parlamentos, de intelectuais e organizações representativas da sociedade civil. Nos dois dias do seminário serão tratados temas como o fortalecimento das instituições democráticas, o aprimoramento das formas de representação social e participação popular, a transparência na política, o combate à corrupção, o financiamento de campanhas, e a organização eleitoral e partidária.
Estão confirmadas as presenças do presidente do PT, Marco Aurélio Garcia; presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB); ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro; cientista político, Jairo Nicolau; secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar; Lawrence Pih, empresário; jurista Dalmo Dallari; os deputados Luiza Erundina (PSB/SP) e Pedro Wilson (PT/GO); coordenador do Movimento Pró Reforma Política com Participação Popular, Luciano Pereira dos Santos; presidente da UNE, Gustavo Petta; presidente nacional da CUT, Artur Henrique da Silva Santos; e os sociólogos Maria Victória Benevides e Luiz Alberto Gomez de Souza. (Por Raiane Verissimo)
Oposição emplaca Aroldo Cedraz para vaga no TCU
A oposição conseguiu derrotar o candidato da base aliada Paulo Delgado (PT-MG) para a vaga de ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cabe a Câmara dos Deputados indicar. Em votação secreta, o plenário da Câmara escolheu por 172 votos Aroldo Cedraz (PFL-BA) para a vaga. Além de Delgado, o posto era disputado também por Gonzaga Mota (PSDB-CE) e Ademir Camilo (PDT-MG). Delgado recebeu 148 votos, Gonzaga teve outros 50 e Camilo, 20. Foram registrados ainda 6 votos em branco e 3 nulos, totalizando 399.
Cedraz é considerado um representante do “baixo clero” da Câmara. Para a oposição, a indicação de Cedraz —que será agora votada pelo Senado— representa uma derrota para o governo e indica dificuldades para a base aliada no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É que a disputa pela vaga do TCU também pode ter implicações na eleição para a presidência da Câmara.
Em 2005, mesmo tendo a maior bancada da Câmara, o PT perdeu a presidência da Casa para Severino Cavalcanti (PP-PE), um representante do baixo clero. Na ocasião, o PT disputava o posto com dois nomes: Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) e Virgílio Guimarães (MG)
“O governo precisa aprender que não há vento favorável para quem não sabe onde vai, não tem rumo, não tem articulação. Essa é a fotografia do novo governo Lula, que já começou velho. Se não tomar juízo, a votação de hoje é uma prévia da eleição da Câmara”, disse o lider da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA).
Para a eleição da presidência da Câmara, o PT decidiu lançar o nome de Arlindo Chinaglia (SP), que deve disputar o posto com o indicado do PMDB. O presidente atual da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), conta com a simpatia do presidente Lula e de parte da oposição. Para evitar a derrota, a base aliada chegou a realizar uma eleição com 213 deputados para escolher o nome de Delgado.
Fonte: Tribuna da Bahia
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