quarta-feira, novembro 02, 2022

Lula e Supremo tocam o país para 2023 e desprezam o sonho golpista de Bolsonaro

Publicado em 2 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Quem é quem no discurso de Bolsonaro após derrota nas urnas | Eleições 2022 | G1

Ao discursar, Bolsonaro mostrou que é o líder da baderna

Vinicius Torres Freire
Folha

Jair Bolsonaro tomou providências a fim de evitar mais um flagrante de seus tantos crimes, como bloquear o processo legal de transição para o próximo governo e ser conivente com o paradão de estradas. Afinal, há algum risco de que seja processado, talvez julgado e condenado.

Mas não reconheceu o resultado da eleição coisa alguma. Ainda pior, disse o contrário em seu pronunciamento bananeiro desta terça-feira: “Os atuais movimentos populares [o paradão] são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral”. Fez um discurso de líder da extrema direita e da baderna subversiva, para o que muito comentarismo político passou pano.

NA VIDA NORMAL – O comando da transição para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o PT sabem o que Bolsonaro está fazendo. Mas fingem ignorar a incitação à baderna a fim de reforçar a ideia de que o país vai voltar à vida normal.

Gleisi Hoffman, presidente do PT, comentou as tratativas com Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil de Bolsonaro, como se vida normal houvesse; o “governo” de transição começou a ser nomeado. Mas, logo depois da bananada de Bolsonaro, Nogueira disse apenas que “vai cumprir a lei”. Palavra alguma sobre colaboração — nem por diplomacia.

Mas a vida segue ou ressurge no país das trevas. Lula vai participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2022 (COP-27), no Egito, que ocorre entre 6 e 18 de novembro. Ou seja, vai começar sua diplomacia bem antes da posse. E o senador eleito Wellington Dias (PT-PI) discute com o relator do Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI), como encaixar as promessas de Lula nas contas federais de 2023.

SEM FAZER ALARDE – Nos tribunais superiores, a atitude foi similar. Desde as batidas da Polícia Rodoviária Federal de domingo, Alexandre de Moraes, do TSE e do Supremo, se comporta como “o que vem de baixo não me atinge”. Reprimiu a malandragem sem fazer alarde.

Nesta terça-feira, o Supremo soltou nota em que registra a “importância do pronunciamento do Presidente da República em garantir o direito de ir e vir em relação aos bloqueios e, ao determinar o início da transição, reconhecer o resultado final das eleições”. Ministros do Supremo ainda vazaram que Bolsonaro teria dito a eles que “acabou” (sobre as eleições).

Bolsonaro não garantiu nada, não tomou providência contra o paradão. Não reconheceu nada, está apenas tentando evitar o crime flagrante.

FATO CONSUMADO – O Supremo finge ignorar a baderna bolsonarista a fim de reforçar a ideia de que o isolamento político de Bolsonaro é fato consumado.

Como um parasita, Bolsonaro suga o sangue das instituições “que estão funcionando” enquanto fuça na sujeira um modo de manter o tumulto, difundir a mentira e atacar o “sistema” (no discurso bananeiro, voltou a dizer que governou “enfrentando o sistema”).

É o Bolsonaro de sempre: se o golpismo “colar, colou”. De outro modo, finge se adaptar às regras, à espreita de oportunidades como um predador carniceiro, e mantém seu projeto de tumulto permanente.

NÃO MUDOU NADA – É assim que se fez na política (lembram do apoio ao caminhonaço de 2018?). Não importa se vai prejudicar indústria, agropecuária, supermercados, abastecimento em geral, menos ainda agora, que vai deixar o poder.

Os governos maiores do mundo reconheceram Lula e mesmo começam conversas sobre clima. Os donos do dinheiro grosso, credores do governo e “o mercado” em geral estão entre neutros e otimistas com as possibilidades do novo governo (ao menos por ora, o que e visível nos indicadores financeiros). Etc.

O país quer seguir a vida. Bolsonaro é de morte.


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