sexta-feira, junho 25, 2021

Entrevista de Luis Ricardo Miranda ao O Globo bloqueia ações do governo contra o seu depoimento à CPI

Publicado em 25 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Depoimento do servidor tornou-se público com antecipação de 24 horas

Pedro do Coutto

O governo, principalmente através do ministro Onyx Lorenzoni, tentou durante o dia de ontem, quinta-feira, bloquear de todas as formas possíveis o depoimento que Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde e irmão do deputado federal Luis Miranda, apresentará no dia de hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia.

Não adianta qualquer novo esforço, pois a entrevista projetada por Natália Portinari, Julia Lindner e Thiago Bronzatto, no O Globo, baseada numa sequência de perguntas e respostas, já demonstra o que o funcionário irá dizer à CPI.

ANTECIPAÇÃO – Seu depoimento tornou-se público com antecipação de 24 horas, tempo suficiente para produzir efeitos políticos  bastantes contundentes à administração de Jair Bolsonaro, recaindo com forte carga de críticas à atitude ou ao silêncio do ministro Eduardo Pazuello.

Luis Ricardo Miranda revela que levou pessoalmente ao presidente da República a denúncia referente aos preços da vacina produzida pela Índia, a Covaxin, muitos superiores a todos os demais preços apresentados, antes da iniciativa sombria do governo brasileiro.

Os preços, conforme a imprensa publicou, eram muito superiores ao valor de cada unidade. Mesmo assim, o Ministério da Saúde procedeu ao empenho financeiro. Na versão de Lorenzoni e do ministro Marcelo Queiroga não foi feito pagamento algum, embora o processo incluísse um pedido de antecipação, ou seja, pagamento antes da encomenda chegar.

QUESTIONAMENTO – “Não houve pagamento”, diz Queiroga e “nem haverá”, acrescentou. O que representa isso? A resposta só pode ser obtida por intermédio de nova indagação: por quais motivos a verba respectiva foi empenhada na contabilidade do governo brasileiro?  Não há saída possível, inclusive porque transita na Esplanada de Brasília a versão de que pagamentos estavam pelo menos consignados à empresa indiana.

O fato causou uma explosão no governo Bolsonaro, conforme eu disse no artigo de ontem nesta Tribuna da Internet. Se não houve corrupção, houve tentativa. E se a tentativa não se realizou, e nem se realizará, o país deve à reação de Luis Ricardo Miranda e da imprensa brasileira ao fato que causa perplexidade e que não se limita a aceitar argumentos de que as compras não foram feitas, mas que engloba a possibilidade de terem sido feitas se não fossem as publicações dos fatos.

O sistema defensivo do Planalto foi ultrapassado largamente por aqueles que tentaram obter lucros enormes à custa de centenas de milhares de pessoas que precisam da vacinação apenas para terem o mais elementar dos direitos, o direito à vida, o direito à condição humana.

TEIA DE INTERESSES – O servidor Luis RicardoMiranda foi levado ao presidente Jair Bolsonaro por seu irmão, o deputado Luis Miranda, que chamou atenção devido às falhas em documentos voltados para a aquisição das vacinas procedentes da Índia. O assunto desenvolve-se numa teia dos interesses ilegítimos  e de comprometimento de vários personagens tanto por ação quanto por omissão.

Luis Ricardo Miranda tornou-se uma testemunha chave na história da vacina que viria da Índia, vencendo obstáculos da distância e da preferência. Provavelmente o negócio não será mais concretizado, mas essa sombra pode abrigar outras tentativas que ainda não vieram à tona da imprensa, da política e da administração pública.

O dia de ontem nos meios de comunicação definitivamente foi péssimo para o governo que navega sem rumo nas águas revoltas da tempestade de erros.

Em destaque

Ministros do STF ameaçam debater 'podres' de colegas se apenas Moraes for julgado na sessão de 15/9

Ministros do STF ameaçam debater 'podres' de colegas se apenas Moraes for julgado na sessão de 15/9 Por Mônica Bergamo, Folhapress 1...

Mais visitadas