terça-feira, junho 29, 2021

Sombra da corrupção no governo é a nova ameaça à reeleição de Bolsonaro em 2022


CorrupçãoSarah Teófilo e Ingrid Soares
Correio Braziliense

Com foco nas eleições de 2022, o presidente Jair Bolsonaro pretende reinvestir no pilar anticorrupção para atrair o eleitorado. No entanto, as investigações contra o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e, principalmente, as denúncias envolvendo as negociações para a compra da vacina Covaxin, contra o novo coronavírus, podem respingar nos planos dele de recondução ao Planalto.

Na última sexta-feira, um fato novo levado à CPI da Covid provocou o maior desgaste do governo até agora: o chefe do Executivo teria sido avisado das suspeitas de irregularidades no contrato do imunizante indiano, dito que parecia ser “rolo” do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), mas não teria tomado nenhuma atitude.

MESMA ESTRATÉGIA – Ao ser atacado com tamanha gravidade, Bolsonaro fez o que costuma fazer quando se vê envolto em informações negativas ao governo: atacou a imprensa e o adversário mais forte para as eleições de 2022, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — apelidado por ele de “ladrão de nove dedos” — e novamente bradou que desde o começo de sua gestão não houve casos de corrupção.

Na sexta-feira, horas antes do depoimento dos irmãos Miranda na CPI, Bolsonaro negou superfaturamento da Covaxin e disse ser “incorruptível”. “O contrato, pelo que me consta, não há nada de errado nele. Não há superfaturamento. É mentira. Eu vou ouvir Queiroga (Marcelo Queiroga, ministro da Saúde) para saber da opinião dele”, frisou, em entrevista coletiva.

“Não foi gasto um centavo com a Covaxin, não chegou uma ampola aqui. Vocês querem me julgar por corrupção? Vão se dar mal. Eu sou incorruptível.”

NADA FOI PAGO – O presidente e parlamentares governistas têm se amparado no discurso de que “nada foi pago”, apesar de o contrato ter sido assinado e havido uma tentativa da empresa de receber US$ 45 milhões antecipados — investida travada pelo servidor Luis Ricardo Miranda.

Numa tentativa de contragolpe, o governo tem adotado, também, a estratégia de desacreditar oponentes. Bolsonaro disse que pediráww à Polícia Federal a abertura de investigação contra Luis Miranda.

“Olha a vida pregressa desse deputado. É lógico que a PF vai abrir inquérito”, enfatizou. Afirmou, ainda, que o parlamentar ostenta um “prontuário” policial extenso, numa alusão aos processos judiciais que pesam sobre o político do DEM.

Meio Ambiente – O governo também enfrenta suspeitas de corrupção na gestão do agora ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Ele pediu demissão na quarta-feira depois de intenso desgaste provocado pelas operações Handroanthus e Akuanduba, que apura suspeita de envolvimento dele num esquema envolvendo a exportação ilegal de madeira.

Na avaliação do cientista político Rodrigo Prando, apesar de os indícios serem graves, é necessário aguardar o desdobramento das investigações. Ele acredita, no entanto, que os casos têm potencial de arranhar o discurso de Bolsonaro.

“A saída do Salles é um sinal fortíssimo de que tem coisa para resolver ainda e acaba atrapalhando um discurso que sempre quis se colocar diferente de todos os demais. Essa narrativa de que ‘somos diferentes’ e não houve corrupção também foi dos petistas, até que o mensalão apareceu e depois o petrolão, várias questões relacionadas ao PT. Nesse sentido, a retórica é a mesma”, enfatizou.

CORRUPÇÃO – Conforme Prando, caso seja comprovada corrupção em relação à gestão de Salles, a tática de Bolsonaro será a de dizer que ele não faz mais parte do governo e que deixará que a investigação esclareça o caso.

Em relação à vacina indiana, a situação parece mais complicada. “Se comprovada corrupção (no caso) da Covaxin, pode não apenas desestruturar o discurso para 2022 como atrapalhar a meta de reeleição, porque Bolsonaro vai perder um eixo significativo do seu discurso”, destacou.

“O governo começou com dois pilares: ideias de combate à corrupção, na figura de Moro (Sergio Moro, ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Operação Lava-Jato), e de liberalismo, na figura de Paulo Guedes (ministro da Economia). Moro foi defenestrado do governo. Guedes não consegue levar a cabo um projeto liberal.”

CRIATIVIDADE ENORME – Para o especialista, “Bolsonaro precisará de uma criatividade enorme para criar um discurso que possa mostrar, em 2022, que ele conseguiu fazer um bom governo, que é honesto e liberal”. “Neste momento, ele não conseguiria apresentar esses três tópicos”, observou.

Na opinião de Prando, a nova controvérsia é fruto de imperícia do governo. “É um problema que o presidente acaba criando quando não tem especialistas, assessores que sejam capazes de entender a complexidade da administração pública e as dificuldades de separação entre interesses públicos e privados”.

Em destaque

PF indicia suplente de Davi Alcolumbre após investigação sobre fraudes milionárias no Dnit

Publicado em 22 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Breno foi flagrado deixando agência de banco Patrik ...

Mais visitadas