sábado, outubro 31, 2020

Queridinhas dos famosos, lentes de contato dentais levantam debate sobre efeitos adversos

 Sábado, 31 de Outubro de 2020 - 00:00

por Júnior Moreira Bordalo / Jade Coelho

Queridinhas dos famosos, lentes de contato dentais levantam debate sobre efeitos adversos
Foto: Montagem/ Bahia Notícias

Técnica que faz sucesso entre os famosos, as lentes de contato dentais ficaram entre os temas mais comentados nas redes sociais nesta semana. Questionamentos sobre os efeitos adversos do procedimento ganharam os portais de notícias ao redor do Brasil, depois que o cantor Kevinho publicou um vídeo dos seus dentes sem as lentes (leia mais aqui).

Desgaste causado nos dentes de Kevinho | Foto: Reprodução / Instagram

 

Na técnica são colocadas lâminas de porcelana extremamente finas nos dentes. As lentes possibilitam que sejam adotadas características desejadas pelo paciente, explica o dentista Victor Simões, de 29 anos. Além disso, o procedimento ainda permite clarear, diminuir a distância entre os dentes, correção da dentição, aumento do tamanho, ajuste de curvatura e melhora da aparência do esmalte. “É uma espécie de ‘capa’ revestidora para o dente”, simplifica o profissional.

 

E esta procura não é de agora. De acordo com dados registrados pela Sociedade Brasileira de Odontologia Estética (SBOE) o interesse de modificação na região da boca vem ocasionou um crescimento de 300% na busca por esses procedimentos em 2014 só na região Sudeste do Brasil. Para se ter uma ideia da adesão, procura por lente de contato dental ultrapassou a de implantes de silicone em 2017, de acordo Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

 

No entanto, para se chegar ao resultado final o processo é longo e pesa no bolso. O investimento chega a ser de dois mil reais por dente. “Por ser um tratamento primordialmente estético não é comum a colocação de lentes de contato em todos os dentes da boca, geralmente limitamos o planejamento à zona estética de cada paciente, mas em média o preço varia de R$ 1.200,00 a R$ 2.000,00 por dente”, explica.

 

Apesar da aplicação majoritarimente por casos estéticos, há contra indicações mais específicas, como em pessoas com parafunções intensas - como o bruxismo (atividade de apertar ou ranger os dentes) -, dentes muito mal posicionados e pequenos, dentes escurecidos, pessoas muito jovens ou com problemas periodontais e de cáries intensos.

 

POPULARIZAÇÃO X BUSCA DE PADRÕES DE BELEZA

Mesmo não sendo barata, a técnica vem se popularizando. Aqui na Bahia o procedimento foi feito por cantores como Tierry, Mari Antunes, Vina Calmon, do Cheiro de Amor, e Denny Denan. Em conversa com o BN, o ex-Timbalada disse que começou a aplicação há três anos por motivos estéticos. Ele confessou ter tido medo de entrar “na modinha”, mas diz que ficou mais tranquilo quando viu o resultado “Não só gostei, como amei”, reforçou. Disse ainda que passou pelo desgaste dental.

 

Depois da adoção de uso de lentes dentais pelos famosos, a procura pelo procedimento vem crescendo nos consultórios odontológicos. Este fato levanta a problemática sobre a “moda” e a padronização estética.

 

Crítico de “cópias de sorrisos”, o dentista defende a individualidade e adaptações caso a caso. “O sorriso da Xuxa funciona na Xuxa, não em Victor. O profissional tem que entregar o melhor para o paciente, mas o melhor para ele não é necessariamente o mesmo melhor que para o amigo dele”, pondera o dentista. Ele ainda ressalta a importância da etapa de planejamento e definição do melhor tratamento para cada cliente.

 

“Acho que as pessoas têm que se sentir bem e estarem felizes consigo mesmas. Se existe algo que te incomode e que seja possível mudar, que seja feito. Apenas me preocupa a busca por um padrão inalcançável de beleza que é definido como correto e estético. Cada indivíduo tem suas peculiaridades e características próprias. Para mim o ideal é buscar alterar o mínimo possível para obter a satisfação e garantir saúde para cada paciente", defende.

 

CAMINHO SEM VOLTA?

O dentista assume que no caso de uma pessoa optar por deixar de usar as lentes, não existe possibilidade de recuperação natural. “Depois de desgastados os dentes precisam ser restaurados de alguma forma, o esmalte dentário não se regenera. No caso da desistência de se manter as lentes em boca, podem ser feitas restaurações de resina para readequar o formato dos dentes, mas o ideal é a manutenção do tratamento previsto”, reforça.

 

Uma vez aplicadas, as lentes necessitam de cuidados e manutenção periódicas, além da atenção à higienização e visitas regulares ao dentista. "Mas pessoas que não fizerem o uso de lentes de contato também precisam desses cuidados", lembra.

 

PARA ALÉM DA ESTÉTICA

As lentes de contato têm como principal indicação a estética, mas em alguns casos o procedimento se torna necessário. É o caso da baiana Maihana Cazuquel. A relações públicas passou por um processo cirúrgico de bariátrica há 15 anos e teve como efeito colateral a perda de cálcio. A saída encontrada por ela foi a utilização de lentes de contato.

"Não tinha esse propósito porque achava muito caro. Devido a bariátrica, meus dentes ficaram porosos, acabei perdendo três dentes por conta da cirurgia e tive que fazer implante. Quando fui fazer reabilitação, minha médica indicou o procedimento para fazer a correção", detalha. Ela se submeteu ao procedimento há dois anos por indicação de sua dentista e afirmou ter tido desgaste mínimo. "Sou apaixonada pelo meu sorriso", finaliza. 

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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