terça-feira, março 29, 2011

Kassab é medíocre demais para conhecer a história do PSD, como eu disse, o maior partido brasileiro, de 1945 a 1964. Nada a ver com JK. Fundado por Vargas para atrair a aristocracia rural paulista. Fundou também o PTB, visando São Paulo. Mas para seduzir os assalariados.

Helio Fernandes

Vice-prefeito de São Paulo, sem voto, sem urna, sem povo, Kassab se valeu do carreirismo de Serra. Candidato à Prefeitura com o terceiro orçamento da República, Serra garantiu na campanha: “Ficarei 48 meses no cargo”. Já se falava que a segunda candidatura municipal era trampolim para a conquista do governo do Estado.

Aconteceu, Serra ganhou e saiu, Kassab assumiu 33 meses, novamente sem voto, sem povo, sem urna. Pela modificação da Constituição por FHC e a inclusão da reeeleição na política brasileira, Serra e Kassab se acertaram muito bem.

Outro membro do PSDB, Geraldo Alckmin, já havia se beneficiado vastamente. Ficou três mandatos SEGUIDOS, se aproveitando da doença de Mario Covas, o eleito de verdade. E Alckmin é novamente governador, em 2014 decidirá: mais um mandato em São Paulo? Ou uma nova derrota para presidente? Como é moço, pode se reeeleger governador, deixar nova derrota presidencial para 2018.

Derrubado em 1945, com a eleição marcada e realizada para 33 dias depois (as datas, 29 de outubro e 2 de dezembro), não tendo havido qualquer restrição ou INELEGIBILIDADE, Vargas dominou tudo. Como a Constituição da época permitia, Vargas (e Prestes) se candidatou a deputado por 7 estados e a senador por um. Eleito para os dois cargos (Prestes no Distrito Federal se elegeu ao mesmo tempo deputado e senador), Vargas precisava optar. Lógico, os dois preferiram o Senado, mais importante e com mandato maior.

Getulio, aproveitando os 15 anos do Poder, criou dois partidos, o PSD e o PTB, lá em cima já falei nos objetivos, que se localizam principalmente em São Paulo. O principal Estado da Federação e logicamente o mais rico. Juscelino era simples prefeito de Belo Horizonte, se elegeu deputado, não tinha o menor interesse, precisava do mandato.

O primeiro e único presidente desse importantíssimo PSD, foi o genro de Vargas, Amaral Peixoto. O PSD ganhou a eleição de 1945 com a UDN em segundo lugar. O PTB ficou em terceiro, não havia outro, mas distante dos dois. Cresceria mais tarde.

A UDN, atacada duramente depois, teve enorme importância no que parecia o fim da ditadura. Tão prestigiada, que como o Partido Socialista (de João Mangabeira, Hermes Lima, Domingos Velas e outros) não teve tempo de se formar, organizaram dentro da UDN, o que se chamou de “Esquerda democrática”. Hermes Lima foi o deputado mais votado, com 13 mil votos, naquela época um assombro.

A Constituinte eleita em 1945 e começando a trabalhar em 1946, foi dominada pelo PSD. Formaram a “Comissão dos 37”, que fazia tudo. O presidente dessa Comissão, Nereu Ramos, ex-governador e interventor de Santa Catarina. O vice era Prado Kelly, jurista, depois ministro do Supremo. Mas Nereu era onipotente, autoritário e todo poderoso. Quando alguém discordava dele, dava um murro na mesa e explodia; “Maioria é maioria, e estamos conversados”.

A Constituinte de 1946 foi importante, promulgou em 7 meses e 19 dias a melhor Constituição deste país com tantas delas. De 1946 a 1950, período fascinante da política brasileira. Não apenas fascinante, mas de muito maior qualidade e representatividade do que o que viria depois e é a vida pública dominada pela mais frenética e odiosa corrupção.

Nesse período, só se tratou, lógico, da sucessão do Marechal Dutra, um dos piores Presidentes da República. Os outros foram 4 marechais (Floriano, Deodoro, Hermes da Fonseca, o citado Dutra) e apenas um civil, o inigualável, inimitável e indefensável Fernando Henrique Cardoso.

Nessa eleição de 1950, o PSD revelou e demonstrou toda a genialidade. Como a própria cúpula do PSD proclamava, o partido “jamais divergia e só tomavam decisões por unanimidade”. Não APOIARAM a candidatura Vargas, fundador do partido, presidido pelo genro. Lançaram o nome de Cristiano Machado, Vargas se candidatou pelo PTB.

O PSD votou em massa em Vargas, três consequências. 1 – Vargas voltou ao poder, facilmente. 2 – O PSD dominou o governo. 3 – Criou-se então o verbo “cristianizar” (do nome do candidato derrotado), recompensado pelo cargo de Embaixador do Brasil no Vaticano.

Juscelino ainda sem repercussão nacional, surpreendentemente se elegeu governador de Minas. Portanto, não podia ser citado por Kassab, a família de Juscelino com todo o direito de protestar. Mas Kassab não teve intenção, foi apenas falta de cultura, de conhecimento, de discernimento. E esse PSD não vai prosperar, não o elegerá coisa alguma. A não ser que pretenda ser deputado.

***

PS – Essa é a realidade. No golpe de 1964, o PSD, ainda presidido por Amaral Peixoto (já almirante, ministro, governador, interventor, embaixador) teve enorme importância e influência na “eleição” de Castelo Branco.

PS2 – Negrão de Lima, um dos “cardeais” desse PSD (também com riquíssima biografia), levou Castelo Branco à casa de Joaquim Ramos (irmão de Nereu e 8 vezes deputado federal), para conversar com Amaral e Alckmin. No dia seguinte, levaria o próprio JK para conhecer Castelo.

PS3 – Sem perder tempo, Castelo garantiu a JK: “Presidente, quero manter a democracia e a eleição de 1965. Só posso garantir isso se for aprovado pelo Congresso. Como chefe do Governo Provisório, não conseguirei”.

PS4 – O que Juscelino poderia fazer? Não tinha a menor força, recomendou, seus correligionários se surpreenderam, mas votaram. Menos de três meses depois Juscelino estava cassado, por ATO de Castelo.

PS5 – Kassab está ganhando na notícia, é o máximo que pode conseguir. Procura se aproveitar da divisão dentro do PSDB, tentando jogar Serra contra Aécio. O cacife de Kassab é muito pequeno.

Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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