sexta-feira, julho 23, 2010

Sites oferecem grandes descontos para compras na rede

Saldões na internet e clubes de compra oferecem produtos e serviços com preços até 90% abaixo dos cobrados no mercado

23/07/2010 | 00:03 | Vitor Geron
Fonte: Gazeta do Povo

Comprar produtos e serviços pela internet há muito tempo deixou de ser uma novidade para os brasileiros. Mas acompanhando as tendências de mercados como os Estados Unidos e a Europa, empresas têm oferecido descontos que variam entre 50% e 90% para negociações feitas pela rede. Seja através dos saldões de desconto ou pelos clubes de compra, o modelo já está presente em São Paulo e começa a chegar também a Curitiba.

A Braspag é uma empresa que existe há 5 anos e trabalha no gerenciamento dos sites para a venda de produtos de grandes redes do Brasil. No final do ano passado, a empresa criou o Saldão na Internet para vender os produtos dos seus clientes em um grande portal de descontos. “O produto tem que ser o mais barato da rede e, se alguém achar o mesmo produto ainda mais barato na internet, pode fazer uma denúncia pelo próprio site”, explica o gerente de projetos da Braspag, Renann Fortes.

Segurança na internet

O consultor da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, Gastão Mattos, acredita que a modalidade de compras de serviços e produtos pela rede com descontos acima de 50% é bastante promissora. “Nos Estados unidos os clubes de compra e saldões da internet já são uma realidade há algum tempo, mas no Brasil o que existe ainda é muito recente”. Por se tratar de uma novidade por aqui, ainda não existem dados concretos que confirmem os riscos e as reclamações mais frequentes dos usuários destes serviços.

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Acompanhando as tendências de mercados como os Estados Unidos e a Europa, empresas têm oferecido descontos que variam entre 50% e 90% para negociações feitas pela rede

Ele defende que apesar de vender os produtos com preço mais baixo, as lojas não têm gastos com captação de clientes, divulgação das ofertas e ainda ganham com o volume de negócios que é efetuado. "Produtos que não foram vendidos ou estão parados no estoque podem resultar em lucros nas vendas pela internet sem prejudicar os negócios das unidades físicas das lojas", diz Fortes. A partir deste modelo, os sites oferecem descontos que dificilmente seriam vistos nas lojas.

Fortes explica que o site funciona em datas específicas. O último saldão ficou no ar por 19 dias no período da Copa do Mundo e do Dia dos Namorados, enquanto o próximo, do Dia dos Pais, começa dia 2 de agosto. As vendas pelo saldão já movimentaram cerca de R$ 50 milhões desde o último Natal e o site já registrou o acesso de mais de 2 milhões de visitantes únicos.

Clubes de Compra
Outra modalidade que vem ganhando força no mercado brasileiro e curitibano é a dos clubes de compra. Eles também oferecem grandes descontos, mas trabalham basicamente com serviços. Restaurantes, bares, cinemas e escolas de música são tipos de estabelecimentos presentes em clubes como o ClickOn e o PeixeUrbano.

O ClickOn existe em São Paulo desde maio e chegou a Curitiba um mês depois. Assim como o PeixeUrbano, ele funciona no sistema de ofertas diárias que necessitam de um número mínimo de compradores para ser ativada. “Se o mínimo não é alcançado dentro do prazo de um ou dois dias (dependendo da oferta), os usuários que fizeram a compra não terão o valor debitado do cartão de crédito”, explica o CEO do ClickOn, Marcelo Macedo. Ele explica que as ofertas são de, no mínimo 50% e servem para movimentar estabelecimentos comerciais em dias ou períodos de pouco movimento. “É preciso ter um mínimo de compradores para que o desconto não signifique prejuízo para o comerciante”, complementa Macedo.

O internauta que compra o serviço recebe por email um cupom para efetivar a oferta no estabelecimento onde foi feita a promoção. O ClickOn possui 250 mil usuários cadastrados em todo o Brasil e já emitiu mais de 20 mil cupons promocionais.

BrandsClub
Também no formato de clube de compra, mas voltado para produtos de grandes marcas, o BrandsClub exige que você seja indicado por um amigo para ter acesso aos produtos com descontos. Para o CMO do Brandsclub, Olivier Grinda, o formato funciona porque as sobras de estoque de grandes marcas que, para não prejudicar a imagem da empresa, não poderiam ser vendidas nas lojas com grandes descontos, vão para a internet. “O cliente não tem a venda das novas coleções prejudicadas porque os produtos são vendidos por no máximo dois dias e para uma clientela restrita”, explica Grinda.

Redes sociais
Por se tratar de negociações exclusivamente online, as redes sociais são grandes aliadas na divulgação dos produtos e serviços. No Saldão na Internet, quem indica as ofertas para amigos nas redes sociais, ganha pontos que podem resultar em prêmios. Já no ClickOn e PeixeUrbano, as recomendações podem garantir que a oferta atinja o mínimo de compradores necessários para ser ativada. Grinda classifica como “fundamental” a existência das redes sociais para a divulgação dos descontos. “O Twitter da BrandsClub já tem mais de 50 mil seguidores e vai aumentar, porque tenho certeza que este mercado vai crescer muito no Brasil”, diz.

E-commerce
O otimismo dos diretores é justificado com os dados da pesquisa que avaliou a satisfação dos usuários do e-commerce (compra pela rede) realizada pela e-bit em parceria com o Movimento Internet Segura (MIS). Em maio, um estudo ouviu mais de 113 mil pessoas que realizaram compras pela internet e constatou que 86,03% se mostraram satisfeitas com o processo. Segundo o direto da e-bit, Pedro Guasti, o índice é 10% superior ao registrado em 2001, quando foi feita a primeira pesquisa.

No levantamento, são analisados 10 itens: facilidade de compra, seleção de produtos, informação sobre mercadorias, preços, navegação, entrega no prazo, qualidade dos produtos, qualidade do atendimento, política de privacidade e manuseio e envio dos pedidos. “O item campeão de reclamação é a entrega fora do prazo. Em alguns casos os usuários têm razão, mas é preciso ler exatamente o que é prometido nos sites para não esperar, por exemplo, por um presente de Natal que só vai chegar no ano seguinte”, explica Guasti.






Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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