domingo, julho 18, 2010

Atores e cantores pedem voto para Emiliano em vídeo

O cantador Xangai, a cantora Cláudia Cunha e o sambista Edil Pacheco em vídeo apresentado hoje (17), sábado, declararam o voto em Emiliano José (1331) para deputado federal. Também prestaram depoimento sobre o candidato o Secretário da Educação da Bahia, Oswaldo Barreto, o Reitor da Universidade Federal do Recôncavo, Paulo Gabriel, o Reitor da Universidade Federal da Bahia, Naomar Almeida Filho, e o ex-governador Waldir Pires. O vídeo foi apresentado pouco antes do início do ato político de lançamento da candidatura de Emiliano, no Cais Dourado, zona do Comércio de Salvador.

O poeta e ator Dody conduziu os trabalhos. Em tom de programa de TV, Dody provocou a manifestação das caravanas do interior. Boquira, Ibipitanga, Canápolis, Alagoinhas, Madre de Deus, Valente, Queimadas, Paulo Afonso e Candeias. Os tambores rufaram.

Dody leu um texto listando 13 razões para o eleitor votar em Emiliano 1331. Emiliano é Ficha Limpa, foi a primeira razão. Emiliano apóia Dilma presidente, Wagner governador, Lídice e Pinheiro senadores da Bahia, foi a segunda razão.

E logo Dody continuou a citar as caravanas do interior: Tucano, São Gonçalo dos Campos, Lauro de Freitas, Conceição do jacuípe, Teodoro Sampaio, Serrinha, Araci, Candeal, Simões Filho, São Sebastião do Passé, Camaçari, Boninal, Novo Horizonte, Seabra, Souto Soares, Barro Alto, Andaraí e Lençóis e, evidentemente, Salvador. Ao todo foram 26 caravanas.

DUAS MIL PESSOAS PRESENTES

Aos poucos os candidatos a deputado estadual foram chegando e tomando lugares à mesa. Eduardo França, Loteba, Ailton, Júlio Rocha, Sérgio São Bernardo. Nos intervalos dos discursos. Mais caravanas eram anunciadas. Santo Amaro da Purificação, Ipiaú, Campo Formoso, Entre Rios, Iraquara, Santa Bárbara, Conceição do Coité. Aparece todo afobado o deputado estadual Zé Neto, de Feira de Santana. Ele explica que é a terceira cidade em que aparece no sábado em eventos políticos. Uma correria, mas não poderia deixar de comparecer no lançamento de Emiliano e vai citando as cidades em que os dois trabalham juntos.

O Cais Dourado tem 1.500 cadeiras. Muita gente em pé, muita gente entrou e saiu. No auge do ato político havia duas mil pessoas presentes. Muita agitação. Ora os tambores rufavam, ora o jingle da campanha, em ritmo de forró, dominava o espaço. Junte-se a isso tudo os gritos da multidão.

LÍDICE PEDE VOTOS

Foi nesse clima que a candidata ao Senado Lídice da Mata chegou. Quase não dava, porque às três horas da madrugada sua comitiva chegava do interior, sem teto para o avião pousar foram esbarrar em Vitória da Conquista e tinha que retomar a estrada para Irecê. O coordenador da campanha, Jonas Paulo, presidente do PT da Bahia, decidiu adiar a agenda de Irecê, garantindo a presença dos candidatos a senadores no ato político. Mas avisa que a fala é curta porque às 14h o governador Wagner estará esperando todos no aeroporto de Eunápolis.

A candidata Lídice da Mata começa a falar. Faz aquela saudação de praxe. Enaltece Waldir Pires. Faz como sempre um discurso brilhante. Lembra que ela, ainda estudante, durante a ditadura militar, já militava ao lado de Emiliano. Depois como deputada estadual e depois como prefeita de Salvador. “Emiliano era uma das poucas vozes que me davam apoio durante o cerco das elites”, seja como político, seja como jornalista com sua pena dourada.

A candidata Lídice da Mata conta um caso. Há poucos dias, durante a inauguração do Comitê Nacional da campanha de Dilma em Brasília, o deputado José Genoino puxou o governador Wagner pelo braço e disse: “Wagner, você vai ganhar a eleição na Bahia e lá tem um companheiro que você precisa eleger, pela integridade, lealdade, competência parlamentar, a Câmara vai precisar dele, Emiliano”. E Lídice da Mata continuou seu discurso, sobre a importância da Era Lula, da continuidade necessária para fazer o Brasil aprofundar as mudanças, com Dilma presidente. Pediu votos para Emiliano, deputado federal os candidatos ao Senado, Lídice (400) e Walter pinheiro (130).

OS CANDIDATOS FALAM

Os candidatos a deputado estadual começam a falar. Primeiro fala Eduardo França, ligado ao Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing . Depois fala Sérgio São Bernardo, enaltece Emiliano por sua luta contra o racismo, a desigualdade social, os direitos humanos.

Neste momento chega a deputada estadual Luiza Maia e primeira-dama de Camaçari com uma charanga animada e barulhenta. O público cerca Luiza Maia. Com dificuldade sobe ao palco. O apresentador Dody aproveita o intervalo e anuncia presenças de destaque. Cita o ex-deputado estadual Adelmo Oliveira, cita o professor George Okohama, o professor Ordep Serra, Dorinha da CUT, Nelson Santos, coordenador da campanha do candidato a deputado estadual Rosemberg, da Petrobras.

Outro candidato a deputado estadual toma a palavra. É Ailton, de Santo Antônio de Jesus. Um animador de auditório. Chega dizendo: Bom Dilma, não estou ouvindo, de novo, Bom Dilma. Enaltece Waldir Pires. Defende uma nova política de fortalecimento do Recôncavo Baiano, aplaude a chegada da Universidade Federal do Recôncavo Baiano. Diz o número 13631 e pede o voto. O apresentador Dody recita um poema. Aproveita a deixa e registra a presença da vereadora Leninha, de Valente, dirigente da CUT, também cita Celso Babi, líder político de Candeias e região metropolitana, e José Ivaldo, ex-prefeito de Paulo Afonso.

O candidato a deputado estadual Júlio Rocha toma a palavra. Diz que não está fazendo campanha ali, porque a estrela do dia é Emiliano. É testemunha da luta de Emiliano pelo meio ambiente, ele que foi superintendente do IBAMA da Bahia. Fala das qualidade morais e éticas de Emiliano e se sente feliz por fazer “dobradinha” com ele, uma aliança eco-socialista. O apresentador registra a presença do pastor Djalma Torres, da Igreja Batista Nazaré. E do cineasta Guido Araújo, uma lenda do cinema baiano.

A deputada estadual Luiza Maia, líder política de Camaçari, fala. Quer dar um depoimento. Como professora, lembra que durante uma vida usava os textos de Emiliano na sala de aula. Pela clareza, pela profundidade, pelas lembranças dos anos de chumbo, aula viva de história do Brasil, moral e ética na política. Luiza Maia relata que trabalha com Emiliano em Camaçari, Simões Filho e Madre de Deus. Em Simões Filho com a liderança de Dra Denise. Fala da força das mulheres que são 52% do eleitorado nacional. Uma força para eleger Dilma a primeira presidenta do Brasil e Lídice da Mata a primeira senadora pela Bahia. Com naturalidade pede o voto para Luiza Maia 13.467. Logo depois fala o candidato a deputado estadual Loteba, 13146, se declara soldado, mas, diferente dos soldados dos tempos da ditadura. Sua base principal é em Candeias, onde a presença da Petrobras é forte.

CARTA DE VÂNIA GALVÃO

A principal candidata a deputada estadual em Salvador não pode comparecer. A vereadora da capital Vânia Galvão foi a Eunápolis cumprir tarefa da chapa majoritária. Mas a presença dos militantes é pesada, dezenas e dezenas de bandeiras, e muito panfleto de campanha. O apreentador Dody lê uma mensagem da candidata Vânia Galvão. Ela tem uma bandeira central, que é a educação. Seu mandato de vereadora é voltado para os direitos sociais, das minorias, do segmento LGBT.

Em seguida o apresentador Dody lê o perfil político de Emiliano. O candidato participou ativamente das campanhas de Lula presidente, Wagner governador. Em seu primeiro mandato de deputado estadual defendeu o Governo Waldir Pires. Como vereador de Salvador e deputado estadual do PT defendeu os trabalhadores, portadores de deficiência, combateu o racismo e a intolerância religiosa, brigou pela educação, pela interiorização das universidades e pelo ensino profissionalizante.

WALDIR PIRES ENALTECE EMILIANO

O ex-governador Waldir Pires vai falar. O plenário vem abaixo. As bandeiras tremulam. Os tambores rufam. Gritos. Waldir Pires prega a democracia. A necessidade de continuar o projeto de mudança dos governos Lula. Explica a necessidade de uma bancada forte na Câmara dos Deputados, para dar suporte à presidenta Dilma. E fala da intrepidez, coragem e lucidez política de Emiliano. Waldir volta aos anos 80, quando andava com Lula pelo Vale do São Francisco na Caravana da Cidadania. Lembra que disse a Lula: você vai ser presidente da República, vai falar de igual para igual com os presidentes do EUA, da Rússia, dos países asiáticos.

Waldir relembra também uma conversa com Lula. Ele disse a Lula para não fazer como Juscelino Kubistchek, que se omitiu de fazer o sucessor, embora saísse do governo com alta popularidade. E veio a instabilidade política e depois o golpe militar. Waldir queria dizer que Lula está certo ao apoiar Dilma Roussef, para evitar o risco de retrocesso. Volta a pregar a democracia, não a do papel da Constituição puramente formal, mas, a democracia real do bem-estar social. Democracia é uma mentira se não há comida para todos, renda para todos, casa para todos, é uma mentira se há exclusão social e econômica.

Então fala de Emiliano. Lembra que o viu jovem, quase menino, na luta contra a ditadura, saindo da prisão, mantendo a integridade. Lembra que o viu como deputado estadual, em defesa de valores e dos interesses da Bahia. Sempre. Emiliano é meu candidato a deputado federal. Vamos lutar para que não haja retrocesso, como os oito anos de Fernando Henrique. Emiliano estará lá na Câmara dos Deputados e vamos continuar essa luta, com Dilma presidente, Wagner governador, Lídice da Mata e Pinheiro como senadores da Bahia.

CHEGA WALTER PINHEIRO

O candidato ao senador Walter Pinheiro chega ao Cais Dourado. Sobe ao palco e abraça Waldir Pires, Emiliano e candidatos a deputado estadual. Pinheiro faz a saudação e um chamamento para a luta pelo projeto nacional de mudança iniciado com a vitória de Lula. Para ele, a transferência que Lula faz a Dilma não é a simples transferência de voto, mas, a transferência de um grande projeto de transformação do Brasil.

Enaltece as qualidades de Dilma como coordenadora do maior programa de investimentos que o país já teve. Credita a Dilma a autoridade de ter mudado a gestão do governo federal, levando 86% da população a aprovar o governo Lula em todas as pesquisas.
Pinheiro discursa alto como os sindicalistas. Grita. Afirma que Lula fez em quase oito anos o que as elites não fizeram em 100 anos. Afirma que o governador Wagner fez em quase quatro anos o que as elites baianas não fizeram em 40 anos.

Pinheiro enaltece Wagner por estar mudando a forma de relacionamento da população com o governo, sem mandonismo, sem coronelismo. Não mais investimentos do estado somente para Salvador e região metropolitana, mas, para todo o estado. Diz que as bancadas estadual e federal devem aumentar em quantidade, mas também e principalmente em qualidade. Então fala de Emiliano. “Vamos eleger Emiliano porque nele podemos confiar, será nossa voz, a voz da Bahia em Brasília”.

Ainda tem mais um orador. É Jonas Paulo, presidente do PT da Bahia. Prevê que Wagner vai ganhar no primeiro turno. Anuncia pesquisas internas que dão na Bahia 53% para Dilma, 25% para Serra e 5% para Marina. Anuncia que as pesquisas internas dão 48% para Wagner, 24% para Souto e 15% para Geddel. Também informa que os candidatos a senadores do PT estão na frente. Mas, prevê que a campanha está em crescimento possibilitando a vitória no primeiro turno. Em linguagem popular ele conclui que “não dá para bater a bola na trave”.

O apresentador Dody recita mais um poema. A campanha faz uma homenagem póstuma ao poeta Damário Da Cruz e o ator Wilson Mello, recentemente falecidos. Eram amigos de Emiliano.

EMILIANO VAI FALAR

Os tambores voltam a rufar, as bandeiras se alvoroçam. Finalmente, Emiliano vai falar.

O plenário já não é o mesmo. Algumas caravanas do interior tiveram que pegar o caminho de volta. O grupão embandeirado de Vânia Galvão toma a frente do palco. Agitam as bandeiras. Fotógrafos. Câmeras. Emiliano, Emiliano, o jingle em ritmo de forró repete o refrão.

Emiliano agradece a presença de todos. Faz uma homenagem especial a Waldir Pires. Defende a atividade política como de fundamental importância para o desenvolvimento do país. Considera um exemplo positivo e vivo a presença de tantas lideranças vindas das mais diversas e distantes regiões da Bahia. Emiliano faz o elogio da política. Cita Zanetti, Cleuza, Oldack, Rui Patterson, Carlos Sarno como símbolo dos que lutaram contra a ditadura e continuam na luta por um Brasil mais justo. Manifesta alegria.

Emiliano fala do que considera uma revolução democrática e pacífica em curso. Não entra no mérito dos programas sociais e de distribuição de renda. Mas fala dos 30 milhões de brasileiros que saíram da miséria profunda. Lembra que outro dia mesmo Lula estava emocionado na primeira turma de formando de Medicina beneficiados peloProUni. Nunca pensamos que conseguiríamos ver índios, negros e pobres se formando, transformando-se em doutores, médicos. Enaltece Dilma. Defende o governo de Wagner.

Fala em aprofundar a revolução democrática e até mesmo num terceiro e num quarto mandatos, não de pessoas, mas de projeto da mudança. Fala em formação de bancadas no Senado, pede votos para Lídice e Pinheiro. Fala em formação de uma bancada forte na Bahia, para dar sustentação ao segundo governo Wagner. Emiliano se coloca como candidato, quer representar a Bahia na Câmara dos Deputados. Pede empenhos de todos. A festa acaba. As lideranças avançam sobre o palco. Os tambores rufam. O jingle de campanha volta a dominar o ambiente. Acaba o ato político, começa a campanha.
# posted by Oldack Miranda/Bahia de Fato

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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