domingo, julho 25, 2010

Mídia e campanha eleitoral

MÍDIA E CAMPANHA ELEITORALEliminado o Brasil da Copa da África do Sul, os holofotes da mídia se voltaram para o noticiário criminal com o sumiço de Elza Samudio, envolvendo Bruno de Souza, goleiro do Flamengo, time de maior torcida no Brasil, e para o assassinato da advogada Mércia Nakashima, pesando como suspeito o seu ex-namorado Mizael Bispo de Souza, advogado em São Paulo.Em ambos os casos a Polícia parece mais “cego em meio tiroteio”. No caso Mizael ele teve sua prisão temporária decretada e revogada, permanecendo Bruno sob prisão preventiva. Até agora, em ambos os casos, nada conclusivo e os Delegados encarregados em busca de notoriedade atiram para todo lado. O caso Elza Samudio revela maior complexidade pela não localização do corpo e pelos desencontros dos depoimentos de um menor parente do goleiro. Em relação ao caso Nardoni, nos casos Brunos e Mizael a mídia demonstra uma conduta mais ética, sem a pretensão de ser inquisidora, juiz e verdugo. Apenas vem noticiando os fatos sem tentar desmoralizar a versão de cada acusado ou convencer a opinião pública da responsabilidade criminal de cada um. Se os acusados serão ou não condenados, isso ficará para o Judiciário, prevalecendo o princípio da presunção de inocência até o trânsito em julgado da sentença penal. Brasil desclassificado, os casos Elza Samudio e Mércia Nakashima deixaram o noticiário político em segundo plano até em relação à campanha dos presidenciáveis. O Vox Populi divulgou pesquisa recente com uma vantagem de 8% de Dilma sobre serra e o Datafolha divulgou outra com empate técnico, com Serra levando uma vantagem de 1% sobre Dilma. É tempo de pensar em política e nas próximas eleições quando serão eleitos o Presidente e o vice, o Governador de cada Estado e do Distrito Federal e seu respectivo vice, parte do Senado e os Deputados Federais e Estaduais. Nos últimos tempos os políticos não estão mais chamando a atenção. Há um descrédito generalizado, o que não é justo, diga-se, por não ser possível confundir o político republicano com políticos oportunistas. É preciso separar o joio do trigo. Duro é conseguir reunir pessoas para ouvir os políticos. Aqui em Paulo Afonso a coisa anda morna. O lançamento da candidatura de Luís de Deus a Deputado Federal com a presença do candidato a Governador Paulo Souto e dos candidatos ao Senado se fez em ambiente fechado, no Clube Olímpico, mesmo palco do lançamento da candidatura de Raimundo Caíres no domingo (25.07). Raimundo, pelo que tenho conhecimento, fará o lançamento de sua candidatura em dobradinha com seu candidato a Federal, sem a presença do candidato a Governador pelo PMDB. Creio que os cartuchos de mobilização ficarão para um grande comício. No Brasil, o sistema para eleição do Deputado Federal ou Estadual é o proporcional. Pelo sistema, o candidato pode receber voto em qualquer Município do Estado e depois disso é feita uma complexa operação aritmética para encontrar a proporcionalidade, ou seja, obtido o quociente eleitoral, em razão da votação de cada partido ou coligação, se saberá o número de Aqui encontramos uma particularidade. Se o candidato é de Paulo Afonso, ele terá que fazer dobradinha com candidato a outro cargo proporcional de outra região para troca de votos, seja candidato a Federal ou Estadual, uma vez que o colégio eleitoral de Paulo Afonso é insuficiente para eleger um Federal ou um Estadual, a depender do quociente eleitoral. A exceção em Paulo Afonso é para as candidaturas dos Negromontes, Mário e Mário Júnior que sairão em dobradinha.O que temos visto é o candidato local dizer para o candidato de outra região com que fará dobradinha que Paulo Afonso honrará o compromisso de votar em massa. Ora, nenhum candidato é dono do pedaço para fazer compromisso em nome do Município de Paulo Afonso ou outro qualquer. Ele deve fazer o compromisso pessoal de arregaçar as mangas para obter votação expressiva como compensação com a votação que receberá na região do candidato de sua dobradinha. Quem decide o voto é o eleitor e não o candidato. Outra aberração eleitoral é a falta de coerência nas coligações brancas. Candidato a deputado pelo PT que tem candidato a Governador faz dobradinha com candidato do DEM, PMDB, PP e outras legendas, o mesmo acontecendo na ordem inversa, quando a lógica política poderia suportar dobradinha apenas entre dois candidatos da mesma legenda ou coligação. Como o nosso sistema é proporcional, há uma pulverização dos votos. Abertas as urnas (sentido figurado), aparece nome de candidato de tudo quanto é de lugar e a explicação é simples. Como o candidato pode ser votado em qualquer Município, no Município onde não for sua base de apoio, ele arregimenta lideranças e em troca de pecúnia e vai à procura de votos como a galinha que de grão em grão enche o papo, prejudicando cada candidatura local. Em alguns casos a cata aos votos decorre de relação de parentesco ou amizade, são as exceções. Em alguns países o sistema é por distrito eleitoral e ai reside um defeito grave, do distrito se tornar em feudo. Outra hipótese é o sistema misto. No sistema misto um número de cadeiras é preenchido por distrito e outro número é pelo sistema proporcional. O sistema misto me parece o mais democrático. JÂNIO SOARES. Janinho como é conhecido, além de ser um bom papo, gente boa, de ter trânsito livre entre os diversos segmentos da sociedade, revela cada vez mais sua capacidade de criar. O espaço reservado para o São João em Paulo Afonso é um bom exemplo. Tenho certeza que um dia ele sairá da periferia para se colocar no centro. Procurou-se diminuir a importância do empreendimento com a acusação de que o telão instalado pela Prefeitura seria de sua propriedade. Denuncismo sem legitimidade. Como o Brasil é o País do Futebol, é obrigação do gestor público municipal locar e instalar telão em praça. A praça é do povo como o céu é do condor. EMILIANO JOSÉ. Emiliano fez o lançamento de sua candidatura a Deputado Federal em Salvador recebendo o apoio do ex-governador e ex-ministro Waldir Pires e do segmento artístico da Capital baiana. Todo peso pesado da situação estadual se fez presente. Emiliano pelo seu compromisso e militância é realmente um político republicano. Outra candidatura republicana é de Lídice da Mata, candidata ao Senado na coligação PPS e PT que tem como candidato a governador Jaques Wagner.
Paulo Afonso, 24 de julho de 2010.
Montalvão.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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