Empresa para a qual Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1 milhão em notas não existe no endereço informado
Senador emitiu notas, depois canceladas, para empresa registrada em prédio em São Caetano do Sul (SP)
Por Juliano Galisi/Estadão
24/07/2026 às 17:00
Foto: Reprodução/YouTube
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
A empresa de consultoria Copenhagen, para a qual o escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu R$ 1 milhão em notas fiscais canceladas, não funciona no endereço informado à Receita Federal, um centro comercial em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
O jornal O Estado de São Paulo esteve no local na manhã desta sexta-feira, 24, e constatou que, embora registrada no espaço, a Copenhagen só existe no papel. A consultoria está sediada na sala 47 do edifício, mas quem funciona de fato no lugar é outra firma, a Contábil Corrêa, que pertence ao mesmo dono da Copenhagen, o empresário Rogério Lourenço Novo.
O sócio-administrador da Copenhagen não estava no local. O funcionário que atendeu a reportagem informou que ele “estava de férias”.
A Copenhagen é investigada pela Polícia Federal por suspeita de ocultação de patrimônio no caso Master. A empresa foi procurada por e-mail para se manifestar, mas não respondeu. A pré-campanha de Flávio Bolsonaro também foi contatada, mas não retornou.
As notas emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro à Copenhagen, que totalizam R$ 1 milhão, foram canceladas. A empresa do pré-candidato também emitiu notas para a Contábil Corrêa. Documentos obtidos pelo portal Metrópoles — e confirmados pela reportagem do O Estado de São Paulo — apontam para uma fatura de R$ 500 mil em favor do senador por serviços de “assessoria jurídica”.
Em um vídeo que gravou sobre o assunto, o senador afirmou que prestou “serviços advocatícios” à Contábil Corrêa de forma legal, lícita e privada, mas não detalhou a natureza das tarefas prestadas. Além disso, não esclareceu como conheceu Rogério Novo nem por quais razões cancelou as notas no valor de R$ 1 milhão.
À Receita Federal, a Contábil Corrêa informou funcionar no conjunto 47 do centro comercial, na “sala A”, enquanto a Copenhagen disse operar no mesmo conjunto, mas na “sala B”. Porém, no local, não havia divisórias identificadas dessa forma.
O nome da Contábil Corrêa aparece no painel na recepção em que estão relacionadas as empresas que funcionam no prédio. O nome da Copenhagen não figura no espaço. Além disso, a porta da sala 47 exibe apenas o nome e o logo da Contábil Corrêa.
Ao bater à porta do escritório, a reportagem perguntou por Rogério Novo. Um funcionário da empresa informou que o dono da firma “estava de férias”. Questionado se a Copenhagen funcionava ali, o funcionário respondeu se tratar da sede da Contábil Corrêa.
A Copenhagen é investigada pela PF por suspeitas de ocultação de patrimônio no caso Master. Segundo o portal Metrópoles, a empresa recebeu R$ 58 milhões da instituição financeira de Daniel Vorcaro, sendo que, do montante, R$ 11,2 milhões foram transferidos poucos dias após a sua abertura, em novembro de 2024.
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