quinta-feira, julho 23, 2026

Desprezado por possíveis aliados, Flávio Bolsonaro não consegue unir a direita

Publicado em 23 de julho de 2026 por Tribuna da Internet

Homem de meia-idade com microfone de lapela gesticula durante discurso em fundo verde. Ele veste camiseta preta com mapa do Brasil e texto 'Brasil Sem Medo'.

Flávio Bolsonaro terá menos tempo na TV do que Lula

Hélio Schwartsman
Folha

Finda a Copa começam as eleições. A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta problemas. Um forte indício disso é o tempo de TV. A menos que o PL consiga trazer o Republicanos para uma aliança, o Bolsonaro pequeno terá menos espaço no rádio e na TV do que Lula.

Flávio ficará com 4 minutos e 20 segundos por bloco de propaganda contra 5 minutos e 32 segundos do petista. Se Lula não foi capaz de forjar uma aliança que vá além da esquerda, Flávio não conseguiu nem unir a direita, que é majoritária no Congresso.

CAVALO CERTO – A dificuldade do PL para atrair outras legendas se deve a uma grande mudança na paisagem política. Até o início dos anos 2010, fazia grande diferença para um partido apostar no cavalo certo, isto é, no candidato presidencial que se sagraria vencedor.

Integrar a coalizão governista desde o início dava muito mais acesso a ministérios, cargos e verbas. O agigantamento das emendas parlamentares somado ao financiamento público de campanhas mudou o cálculo dos partidos, principalmente o daqueles sem marca ideológica muito saliente.

Para estes, o grande objetivo é fazer cadeiras na Câmara, que é o critério principal para ter acesso aos fundos partidários. E a melhor receita para isso é manter-se neutro para dar aos candidatos a deputado a maior liberdade possível para montar suas parcerias localmente.

QUARTOS SEPARADOS – No Nordeste, por exemplo, pode valer a pena, mesmo para uma candidatura conservadora, estar ao lado de Lula e não de Bolsonaro.

Não chega a ser um divórcio entre Executivo e Legislativo, mas eles passaram a dormir em quartos separados. É uma situação que aumenta os custos da governabilidade. Presidentes até conseguem apoio para seus projetos prioritários, mas precisam negociá-lo caso a caso e com sobretaxa.

Não penso que seja um arranjo muito sustentável, especialmente porque o Parlamento vai abocanhando cada vez mais verbas e comprimindo a parte do Orçamento disponível para investimentos. A exemplo do nó fiscal, é um problema que teremos de abordar mais ou menos logo.

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