segunda-feira, julho 20, 2026

Paulo Gabriel Nacif assume a presidência da Fundação Hansen Bahia e reforça compromisso com a preservação da arte e da memória cultural do Recôncavo.

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Crédito da foto: Carlos Augusto / Jornal Grande Bahia


Paulo Gabriel Nacif assume a presidência da Fundação Hansen Bahia e reforça compromisso com a preservação da arte e da memória cultural do Recôncavo.

Professor, pesquisador e ex-reitor da UFRB foi eleito para conduzir a instituição até 2029, em um momento de renovação da missão de preservar o legado do artista alemão Hansen Bahia e ampliar a integração entre cultura, educação e desenvolvimento regional.


Por Fábio Costa Pinto*


CACHOEIRA (BA) 18 de julho de 2026 – A Fundação Hansen Bahia inicia um novo capítulo de sua história. Em Assembleia Geral Extraordinária realizada no último dia 18 de julho, na cidade histórica de Cachoeira, o professor Paulo Gabriel Soledade Nacif foi eleito presidente da instituição para o triênio 2026–2029, assumindo a responsabilidade de conduzir uma das mais importantes entidades de preservação artística e cultural da Bahia.

A reunião do Conselho Curador ocorreu em formato híbrido, reunindo conselheiros presencialmente na Galeria/Museu Hansen Bahia e por meio virtual. Presidida pelo conselheiro Cleydson Sá Barreto do Rosário, conhecido como Keu de Carneirinho, a assembleia confirmou a escolha de Paulo Gabriel por ampla maioria dos votos, resultado que reflete o reconhecimento de sua trajetória acadêmica, administrativa e de seu compromisso histórico com o desenvolvimento do Recôncavo Baiano.

A eleição representa mais do que uma mudança administrativa. Ela simboliza o encontro entre duas vocações que marcaram a história da região: a produção do conhecimento e a preservação da cultura.

Professor titular da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), onde também exerceu o cargo de reitor, Paulo Gabriel construiu uma carreira voltada à educação pública, à ciência e ao desenvolvimento regional. Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestre e doutor em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), atua atualmente no Conselho Estadual de Educação da Bahia, dedicando-se especialmente às políticas educacionais e à valorização da diversidade. Paulo Gabriel Soledade Nacif nasceu em Coaraci, no sul da Bahia.  

Sua trajetória acadêmica, marcada pela pesquisa em manejo de solos, recursos naturais e sustentabilidade, sempre esteve associada à defesa da universidade como instrumento de transformação social. Agora, essa experiência passa a dialogar diretamente com uma instituição cuja essência também é a educação.

O legado de Hansen Bahia

Instalada em Cachoeira desde o início da década de 1980, a Fundação Hansen Bahia preserva a memória de um dos maiores gravuristas do século XX. Hansen Bahia, artista alemão, encontrou no Recôncavo Baiano um território fértil para desenvolver parte significativa de sua produção artística, eternizando em xilogravuras personagens, paisagens, festas populares e manifestações culturais da região.

Mais do que um museu, a Fundação consolidou-se como um espaço de encontro entre arte, educação e cidadania. Criada como entidade privada, sem fins lucrativos, e reconhecida como de utilidade pública pelo Município de Cachoeira em 1981, tornou-se referência na preservação do patrimônio cultural baiano e na formação de novas gerações de artistas e pesquisadores.

Seu estatuto estabelece objetivos que permanecem atuais: incentivar as belas-artes, especialmente a xilogravura; descobrir talentos; preservar as tradições culturais; estimular a criação artística; promover cursos e ações educativas; desenvolver projetos em parceria com instituições públicas e privadas; e fortalecer o turismo cultural como instrumento de desenvolvimento social para Cachoeira, São Félix e todo o Recôncavo.

Uma instituição voltada para a transformação social

Desde sua criação, a Fundação Hansen Bahia compreende a cultura como ferramenta de inclusão, educação e desenvolvimento humano. Essa visão foi sintetizada por uma de suas fundadoras, a professora Noelice Costa Pinto — aluna, amiga, primeira diretora e testamenteira de Hansen Bahia — cuja reflexão continua orientando os rumos da instituição:

"Aperfeiçoar o homem através da arte e da cultura sempre será um dos propósitos da Fundação Hansen Bahia; a parte educacional e social sempre será imprescindível."

Essa filosofia permanece como um dos pilares da Fundação e ganha novo significado diante da eleição de um educador para sua presidência.

Desafios para o futuro

Ao assumir a presidência, Paulo Gabriel herda o desafio de preservar um patrimônio artístico reconhecido nacional e internacionalmente, ao mesmo tempo, ampliar o alcance da Fundação junto à sociedade. Entre as perspectivas estão o fortalecimento das parcerias com universidades, escolas, centros culturais e organismos públicos, além da valorização do museu como espaço permanente de produção de conhecimento, formação cidadã e promoção da identidade cultural do Recôncavo.

Em uma região onde história, arte e tradição caminham lado a lado, a nova gestão surge com a expectativa de renovar o diálogo entre patrimônio cultural e educação, reafirmando a Fundação Hansen Bahia como um dos principais símbolos da memória artística da Bahia e do Brasil. O conselho curador da FHB é composto por 22 membros, e seu diretor executivo é o museólogo Jomar Lima. 

Fábio Costa Pinto é Jornalista, membro do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa - ABI e do conselho nato da Fundação Hansen Bahia.

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