Governador interino do RJ chora em evento com Lula e ouve grito de 'fica'
Desembargador se emocionou ao falar sobre investimentos em educação e saúde exigidos por Lula
Por Yuri Eiras/Italo Nogueira/Folhapress
17/07/2026 às 19:15
Foto: Reprodução/YouTube
Presidente abraçou o magistrado e disse que ele salvou o Rio de Janeiro da imoralidade
O desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, chorou nesta sexta-feira (17) durante evento na Fiocruz ao lado do presidente Lula (PT). Ele foi saudado aos gritos de "fica" do público.
Ele se emocionou após falar sobre a adesão do Estado ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) e as contrapartidas exigidas pelo presidente de investimentos sociais com a economia no pagamento da dívida.
"Ao assinar o Propag, o presidente da República exigiu, no bom sentido, que a economia feita pelo estado fosse projetada para as atuações sociais, principalmente no âmbito da educação. Na educação se resvala para a ideia da saúde também. Então, nessa minha fala, que, volto a dizer, eu não tenho a cancha política, mas eu tenho a sensibilidade mencionada aqui do julgador e, às vezes, eu me emociono. Eu gostaria de agradecer ao presidente", disse Couto, finalizando com a voz embargada.
A plateia, formada por funcionários da Fiocruz e alunos da escola da fundação, aplaudiu e gritou: "Fica, fica".
Lula abraçou o magistrado e, em seu discurso, voltou a elogiar sua atuação à frente do estado, mas disse para que ele "nunca fale que não é político".
"O que você não é, é um político partidário. Você não está em nenhum partido político, você está na Justiça. [...] Eu acredito muito em Deus. E eu acho que não é de graça ter acontecido na sua vida a oportunidade de você salvar da imoralidade o estado do Rio de Janeiro", afirmou o presidente.
"Ninguém nunca votou em você. Você nunca pediu um voto para ninguém. Mas eu venho muito ao Rio de Janeiro. Eu conheço muito político aqui. Nunca teve um político eleito que criou a expectativa que esse povo tem em Vossa Excelência no Rio de Janeiro."
Lula visitou as instalações da Carreta de Saúde da Mulher, instalada na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Mais tarde, em visita ao Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), Lula disse que o governador interino "está fazendo um favor para ver se a gente consegue se livrar das milícias que tanto causam prejuízo ao Rio de Janeiro".
"O nosso governador sempre fala que ele não é político, que não sabe falar com político. Mas mais duas visitas minhas aqui ele vai falar igualzinho", disse o presidente.
Esta é mais uma de uma série de agendas que o presidente tem feito no estado para colher frutos da atuação do desembargador como governador interino, cuja condução do Palácio Guanabara tem sido avaliada de forma positiva pelo eleitorado, segundo pesquisas internas. O magistrado tem promovido auditorias em contratos e exonerações de possíveis funcionários fantasmas.
A iniciativa da equipe petista visa reverter a vantagem que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) obteve no estado nas últimas duas eleições. A redução da diferença, que foi de 14 pontos percentuais em 2022 e 36 em 2018, já é considerada uma conquista pela campanha.
O movimento de Lula visa aproveitar o enfraquecimento do palanque de Flávio no Rio de Janeiro. Cláudio Castro abriu mão da pré-candidatura ao Senado após ser alvo de operações da Polícia Federal sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Ricardo Magro, em maio.
O presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo, viu frustrado o plano de assumir o Palácio Guanabara e usar a exposição do cargo para ampliar seu conhecimento junto ao eleitorado.
O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a permanência de Couto no cargo até a decisão dos ministros sobre como será definido o governador-tampão, que comandará o estado até dezembro —se eleição direta ou indireta. A retomada do julgamento depende do ministro Flávio Dino, que pediu vista para analisar melhor o caso.
O desembargador, que também é presidente do Tribunal de Justiça, assumiu o governo em março após a renúncia de Castro, na véspera do julgamento em que o ex-governador foi declarado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Último na linha sucessória, ele tomou posse no cargo porque o estado estava sem vice-governador desde a renúncia de Thiago Pampolha no ano passado para assumir uma vaga no TCE (Tribunal de Contas do Estado). O então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), estava afastado do cargo em razão da investigação por vazamento de informações de operação contra ex-deputado ligado ao Comando Vermelho.
Ruas já teve dois pedidos para assumir o governo negados no STF.
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