sábado, setembro 28, 2024

Festas Eleitorais: O Povo Não Pode Trocar o Futuro por um Show Passageiro - Em Feira foi proiido e no Riacha do São José?


Justiça suspende Circuito Cultural Feira de Santana EnCena após ação de partido coligado a José Ronaldo; Medida atinge show de Igor Kannário e outras 40 atrações

Evento, que contava com shows de Igor Kannário e outros artistas, foi interrompido após ação judicial do Partido Liberal, legenda aliada ao candidato José Ronaldo (União). Decisão visa garantir equilíbrio no período eleitoral.
Evento, que contava com shows de Igor Kannário e outros artistas, foi interrompido após ação judicial do Partido Liberal, legenda aliada ao candidato José Ronaldo (União). Decisão visa garantir equilíbrio no período eleitoral.

Neste sábado (28/09/2024), a Justiça Eleitoral da 157ª Zona Eleitoral de Feira de Santana determinou a suspensão imediata do evento “Circuito Cultural Feira EnCena”, programado para ocorrer entre os dias 27 e 29 de setembro. A decisão foi proferida pela juíza Sebastiana Costa Bomfim e Silva, após a Ação Cautelar Preparatória para Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), ajuizada pela Comissão Provisória do Partido Liberal (PL), legenda coligada à chapa majoritária de direita que tem José Ronaldo como candidato a prefeito.

O partido alegou que o evento tinha caráter eleitoreiro, supostamente favorecendo a candidatura de José Cerqueira (Zé Neto, PT), concorrente ao mandato de prefeito de Feira de Santana, e seu vice, Alexsandro de Queiroz (Sandro Nazireu). Ocorre que o “Circuito Cultural Feira EnCena” integra o calendário de atividades culturais promovido pelo Governo do Estado da Bahia, com o propósito de incentivar a cultura e o entretenimento na cidade, através da apresentação de cerca de 40 artistas.

O ponto central das alegações do PL era a participação do cantor Igor Kannário, que possui forte apelo popular na região e é associado publicamente à campanha de Zé Neto. Segundo a legislação eleitoral brasileira (Lei 9.504/97, art. 39, §7º), a realização de showmícios — eventos eleitorais com a presença de artistas para promover candidatos — é expressamente proibida, uma vez que pode influenciar indevidamente o eleitorado. O Partido Liberal argumentou que a realização de um grande evento cultural, patrocinado pelo governo estadual, nas vésperas do pleito, com a presença de figuras públicas associadas ao candidato, configuraria abuso de poder político.

O Ministério Público Eleitoral emitiu parecer favorável à suspensão do evento, alegando que a utilização de recursos públicos e a promoção de eventos de grande porte às vésperas das eleições comprometiam a equidade do processo eleitoral. O parecer destacou que o envolvimento de figuras populares como Igor Kannário ampliaria a exposição da candidatura de Zé Neto, desequilibrando a disputa e interferindo na livre escolha dos eleitores.

A decisão da juíza Sebastiana Costa Bomfim e Silva destacou que o abuso de poder político ocorre quando prerrogativas públicas são utilizadas de maneira indevida para favorecer uma candidatura, especialmente quando o poder de influência da máquina pública é empregado de forma a desequilibrar a competição. A magistrada enfatizou que, embora o evento fosse apresentado como uma iniciativa cultural, a proximidade com o período eleitoral e o envolvimento de figuras ligadas à campanha indicavam o desvirtuamento de sua finalidade original.

“A legislação eleitoral busca garantir a igualdade entre os candidatos, de modo que eventos culturais patrocinados pelo governo, com a participação de artistas populares associados a determinadas campanhas, devem ser cuidadosamente analisados para evitar que comprometam a liberdade do voto”, afirmou a juíza em sua decisão.

Além de suspender o evento “Circuito Cultural Feira EnCena”, a juíza determinou que o Estado da Bahia se abstenha de realizar qualquer outro evento patrocinado pelo governo estadual até o segundo turno das eleições municipais. A pena por descumprimento da decisão foi fixada em R$ 100 mil por evento, além da proibição expressa da participação de Igor Kannário ou de qualquer outro artista em atos de campanha eleitoral.

O Estado da Bahia foi intimado a comprovar o cancelamento do evento e a decisão foi encaminhada às autoridades responsáveis pela fiscalização, com ordem de reforço policial para garantir o cumprimento da medida.

Contexto do caso e impacto eleitoral

O “Circuito Cultural Feira EnCena” fazia parte de um calendário de atividades culturais promovido pelo Governo do Estado da Bahia, com o objetivo de fomentar a cultura e o entretenimento na cidade. No entanto, a coincidência de datas com o período eleitoral e a participação de personalidades conhecidas no cenário político levantaram suspeitas de que o evento seria utilizado como uma ferramenta para angariar apoio à campanha de Zé Neto, candidato pela coligação “Pra Fazer o Futuro Acontecer”.

A Justiça Eleitoral, diante das provas e argumentos apresentados, entendeu que o evento não era apenas uma celebração cultural, mas uma tentativa de influenciar o eleitorado local por meio de um uso indevido de recursos públicos.

“A realização de eventos de grande visibilidade, às vésperas de um pleito eleitoral, quando diretamente associados a uma candidatura, cria um cenário em que o equilíbrio da disputa eleitoral é comprometido, ferindo o princípio da igualdade de condições entre os concorrentes”, diz trecho da decisão.

Além disso, o fato de o evento ser patrocinado pelo Governo do Estado, governado por aliados de Zé Neto, foi um agravante na decisão. A proximidade entre o poder público e a candidatura sugeriu o uso da máquina estatal para fins eleitorais, o que é vedado pela legislação. A Justiça Eleitoral, portanto, considerou essencial a suspensão do evento para garantir a lisura e a transparência do processo eleitoral.

Repercussões políticas

A suspensão do evento gerou repercussão imediata na cena política local, especialmente entre os apoiadores da coligação de Zé Neto e seus opositores. Enquanto os adversários comemoraram a decisão como uma medida necessária para evitar o uso indevido de recursos públicos, a campanha de Zé Neto afirmou que o evento não tinha qualquer relação direta com a campanha eleitoral e que sua suspensão prejudica o acesso da população a atividades culturais.

A equipe jurídica da coligação “Pra Fazer o Futuro Acontecer” informou que irá recorrer da decisão, argumentando que o evento cultural estava previsto desde o início do ano e que a participação de artistas locais e nacionais fazia parte da programação previamente estabelecida, sem qualquer intenção de influenciar o pleito.

Enquanto isso, o Ministério Público Eleitoral reforçou a importância da decisão como uma forma de preservar o equilíbrio da disputa e a igualdade de condições entre todos os candidatos. A suspensão de eventos culturais com potencial eleitoreiro é vista como um passo necessário para impedir que candidatos que têm acesso aos recursos da máquina pública obtenham vantagem indevida durante o período eleitoral. (https://jornalgrandebahia.com.br/)

Nota da redação deste BlogA decisão da Justiça Eleitoral de suspender o evento "Circuito Cultural Feira EnCena" em Feira de Santana, programado para ocorrer durante o período eleitoral, é um exemplo claro de como a justiça busca garantir a igualdade entre os candidatos, prevenindo o uso indevido de eventos patrocinados com recursos públicos para influenciar o eleitorado. A determinação da juíza Sebastiana Costa Bomfim e Silva, ao proibir o evento e restringir o uso de artistas em atos de campanha, serve como um recado contundente para aqueles que tentam manipular a escolha popular através de meios não democráticos.

Essa decisão ecoa diretamente em Jeremoabo, onde a contratação de bandas para um evento paralelo ao comício do candidato Tista de Deda levanta suspeitas de que o atual prefeito está utilizando recursos públicos para favorecer seu candidato, repetindo práticas que desrespeitam a equidade do processo eleitoral. A contratação de uma banda por R$ 180.000,00 no Riacho do São José, somada a outras despesas que ultrapassam R$ 250.000,00, cria um cenário onde o uso do poder econômico para atrair eleitores e tentar esvaziar o apoio popular à oposição se torna evidente.

Assim como em Feira de Santana, onde o objetivo era evitar a manipulação do voto através de eventos culturais, em Jeremoabo, o uso de festas e shows patrocinados com dinheiro público durante o período eleitoral também pode ser interpretado como uma tentativa de desviar a atenção do eleitorado e influenciar sua decisão de maneira antiética. A justiça eleitoral atua justamente para evitar que a máquina pública seja usada como ferramenta de campanha, prejudicando a competição justa entre os candidatos.

Essas ações podem e devem ser questionadas na Justiça Eleitoral, como foi feito em Feira de Santana, onde o princípio de igualdade entre os candidatos foi restabelecido. A população de Jeremoabo também deve estar atenta a essas manobras, pois o uso irresponsável de recursos públicos em festas enquanto serviços essenciais carecem de investimentos é um claro exemplo de desrespeito à vontade popular e à transparência no processo eleitoral.

A mensagem aqui é clara: o eleitor deve rejeitar qualquer tentativa de manipulação que busque comprar seu voto através de festas e entretenimento. A verdadeira mudança não vem de shows, mas de uma gestão que respeita os princípios democráticos, investe no que realmente importa para a população e promove o progresso de maneira justa e honesta. A Justiça Eleitoral está de olho, e cabe também ao povo fiscalizar e rejeitar esses abusos.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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