quarta-feira, setembro 25, 2024

Até as eleições, vai chover dinheiro em Aracaju

 em 25 set, 2024 7:53

Adiberto de Souza

Exageros à parte, o derrame de dinheiro registrado em Aracaju nesta campanha eleitoral é coisa nunca visto. Esposo da prefeiturável Candisse de Lula (PT), o senador Rogério Carvalho (PT) denunciou que lideranças comunitárias estão sendo compradas por até R$ 100 mil. A notícia sobre a criminosa compra de consciência já cruzou as divisas de Sergipe. O jornal O Globo destacou a ação movida pelo MDB contra a candidata a prefeita Yandra de André (União), acusada de abuso do poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e violação das normas eleitorais. Autor da acusação contra a fidalga, o senador emedebista Alessandro Vieira afirma que a interferência do poder econômico no processo eleitoral de Aracaju compromete a liberdade de voto e a igualdade de condições entre os candidatos. É vero! Como dinheiro não fala, será difícil a Polícia e o Ministério Público chegarem aos corruptos e corrompidos. Acreditando nisso, os criminosos devem injetar uma verdadeira fortuna nos bairros periféricos visando mudar o voto ou “convencer” os eleitores indecisos, numa afronta à democracia. Esse derrame de dinheiro pode alterar o resultado das eleições, com graves consequências para o futuro de Aracaju, pois quem está custeando essa farra vai querer ser restituído pela Prefeitura, com juros e correção monetária. Marminino!

Voto consciente

Em meio a uma campanha eleitoral marcada pela agressividade e notícias falsas, surgem iniciativas que promovem o voto consciente. Defensora dos direitos humanos, a ONG Gestos lançou a campanha “Sinal aberto para o voto sustentável”. O objetivo é estimular o eleitor a procurar candidaturas que priorizem a ciência, a luta antirracista, o desenvolvimento sustentável das cidades e a participação popular. Também visa alertar a sociedade sobre os riscos da desinformação e de candidaturas extremistas. Só Jesus na causa!

Clima de guerra

A Secretaria da Segurança Pública reforçou o policiamento em Lagarto visando conter o clima de violência reinante naquele município. Nos últimos dias, simpatizantes dos candidatos a prefeito Sérgio Reis (PSD) e Rafaela Ribeiro (Republicanos) se envolveram em várias confusões. A Polícia registrou propositais colisões de veículos e ameaças de morte. Há dias, a SSP também teve que reforçar o policiamento em Frei Paulo por conta do clima de guerra reinante naquela cidade do agreste sergipano. Creindeuspai!

Sergipe de fora

Sergipe não figura entre 12 estados que terão forças federais reforçando a segurança pública durante as eleições. A liberação de militares federais ocorre quando um município informa à Justiça Eleitoral que não tem capacidade de garantir a normalidade do pleito com o efetivo policial local. Pediram essa ajuda os estados de Tocantins, Piauí, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Ceará, Maranhão, Acre, Mato Grosso, Pará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Então, tá!

Grana na mão

O governo de Sergipe começa hoje a pagar os salários dos servidores referente a este mês de setembro. Amanhã, recebem os aposentados e pensionistas. Já na quinta-feira, o pagamento é direcionado aos servidores da Secretaria Estadual da Saúde e suas fundações, além dos integrantes da Secretaria da Educação e da Cultura. Por fim, na próxima sexta-feira, será a vez dos servidores das demais secretarias, empresas, autarquias e fundações terem as remunerações creditadas. Todos os servidores que fazem aniversário agora setembro também receberão a primeira parcela do décimo terceiro. Legal!

Ajuda divina

Na campanha eleitoral vale tudo para conquistar uns votinhos. Ontem, o candidato a vice-prefeito de Aracaju, Fabiano Oliveira (PP), recorreu à imagem de Nossa Senhora Aparecida na esperança de a santa ajudá-lo nessa maratona eleitoral. Ao lado da deputada federal Katarina Feitoza (PSD), o ilustre se reuniu com as integrantes do Grupo de Idosos do conjunto residencial Bugio. Ao final do corpo-a-corpo religioso, Fabiano afirmou que o momento de fé junto com as idosas renovou o seu espírito e o deixou com todo gás. Aff Maria!

A situação educacional de jovens com idade entre 15 e 29 anos é um misto de avanços, problemas e desafios. Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada alerta que o processo de escolarização da maioria dos jovens ainda é marcado por oportunidades limitadas e que, no Brasil, prevalecem expressivas desigualdades educacionais entre ricos e pobres, brancos e não brancos, e moradores de áreas urbanas e rurais e das diferentes regiões. Arre égua!

Queimando lenha

Com o botijão de gás sendo vendido em Sergipe por até R$ 120, tem crescido o número de famílias usando o precário e poluente fogão a lenha. Muita gente também arrisca a vida utilizando álcool para cozinhar o pouco de comida que consegue. Não bastasse as dificuldades para adquirir algum alimento, os deserdados pela sorte ainda têm que se virar nos trinta para cozinha-lo. Enquanto isso, os políticos se empanturram em caros restaurantes, tudo custeado pelos contribuintes. Assim também já é demais também!

Ranking mortal

A deputada estadual Linda Brasil (Psol) repercutiu na Assembleia uma reportagem do site Mangue Jornalismo mostrando que Sergipe lidera o ranking de mortes provocadas por policiais quando se compara o total de óbitos violentos de crianças e adolescentes. Segundo a matéria, “são 36,9 mortes para cada 100 mil habitantes de Sergipe. A média no Brasil é 18,2”. Segundo Linda, não se pode aceitar que policiais autointitulados salvadores da pátria ou justiceiros achem que têm licença para matar, “graças à inércia do governo de Sergipe”. Home vôte!

Políticos desonestos

A cada dia, cresce o número de políticos envolvidos com todo tipo de crimes, em especial o do colarinho branco. Percebe-se que, em grande parte, os nossos políticos têm uma grande inclinação pela página policial, embora se achem dignos representantes dos cidadãos. Na verdade, são criminosos que não merecem os votos das pessoas honestas. Deveriam, isto sim, estar mofando numa penitenciária. Por fim, não custa lembrar que quem vota em ficha suja não passa de um sujismundo. Misericórdia!

Novo imortal

O professor José Rivadalvio Lima foi eleito com 30 votos para a Cadeira 12 da Academia Sergipana de Educação. Segundo o presidente da ASE, professor Jorge Carvalho, a eleição do educador é um reconhecimento da sociedade acadêmica pelo seu trabalho no magistério, especialmente no Colégio Murillo Braga, em Itabaiana, e na Universidade Tiradentes, onde prestou relevantes serviços ao sistema educacional sergipano. Supimpa!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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