domingo, setembro 29, 2024

Festa no Riacho do São José: Gastos de R$ 250 Mil Poderiam Ser Usados para Medicamentos em Falta na Cidade, Além de Insegurança no Evento

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Esse texto expõe preocupações válidas sobre a insegurança crescente em Jeremoabo e outros municípios baianos, especialmente em eventos de grande porte. A crítica é pertinente quando se compara a situação da capital, Salvador, com suas dificuldades em conter a violência, mesmo com maior presença militar, à de uma cidade menor como Jeremoabo, onde o policiamento é escasso. Há, de fato, uma falta de estrutura adequada para garantir a segurança dos cidadãos em ocasiões como a festa no Povoado Riacho do São José.

No entanto, a insegurança em Jeremoabo não é apenas um reflexo da ausência de policiamento; ela aponta para problemas mais profundos, como a falta de investimentos em educação, projetos sociais e oportunidades para a juventude. A violência que assola o município nos finais de semana não pode ser combatida apenas com o reforço policial, pois trata-se de uma questão que envolve fatores sociais mais amplos.

Eventos políticos, como a festa citada, devem ser planejados com muita cautela, levando em consideração não só a segurança física dos participantes, mas também a responsabilidade dos líderes locais em não promover divisões ou tensões durante uma campanha eleitoral. Há uma linha tênue entre celebrar e manipular, e o uso de eventos para desviar a atenção de falhas na gestão pública pode agravar ainda mais o sentimento de insegurança e desconfiança da população.

A crítica deve, portanto, ser ampliada para incluir não só a insegurança em termos de violência física, mas também a insegurança política e social que se instala quando líderes priorizam interesses eleitorais em detrimento do bem-estar da população. Em vez de apenas apelarmos para que “tudo transcorra em paz”, é essencial exigir mais planejamento, responsabilidade e um compromisso real com a segurança e o desenvolvimento de Jeremoabo.

Nota da Redação Deste Blog -  A juíza Sebastiana Bomfim e Silva, da 157ª Zona Eleitoral de Feira de Santana, determinou neste sábado (28) a suspensão do evento “Circuito Cultural Feira EnCena”, promovido pelo governo do Estado, que contaria com a participação do cantor Igor Kannário. O evento, que ocorreria de 27 a 29 de setembro, foi classificado pela magistrada como um claro abuso de poder político em favor do candidato Zé Neto (PT), que disputa a Prefeitura do município.

De acordo com a decisão, o uso de artistas populares, como Igor Kannário, em eventos patrocinados pelo Estado às vésperas da eleição configura uma prática proibida pela legislação eleitoral, conhecida como “showmício”. O Ministério Público Eleitoral já havia se posicionado a favor da suspensão do evento, destacando que a realização de uma iniciativa de grande porte como essa, em um momento tão próximo ao pleito, desequilibraria a disputa eleitoral e violaria a isonomia do processo.

A juíza foi enfática ao afirmar que o abuso de poder político, neste caso, ficou evidente pela associação entre a estrutura pública do governo do Estado e a promoção de atividades culturais que favoreciam diretamente a campanha de Zé Neto. Ela destacou que a Justiça Eleitoral deve agir com firmeza para coibir tais práticas, mesmo que ocorram durante o período de pré-campanha, uma vez que influenciam diretamente o comportamento eleitoral dos cidadãos. “No presente caso, a atuação de Igor Kannário, artista popular e amplamente vinculado à campanha de Zé Neto, e a promoção de um evento de grandes proporções, patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia, às vésperas das eleições, apresentam claros indícios de abuso de poder político”, disse a juíza na decisão.

Além de proibir a realização do evento e do show de Igor Kannário, a magistrada determinou uma multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento da ordem e também impôs a proibição da participação de qualquer outro artista vinculado à campanha de Zé Neto em eventos futuros até o término do segundo turno das eleições. “Assim, defiro a liminar, determinando que o Estado da Bahia se abstenha de realizar o evento “Circuito Cultural Feira EnCena”, previsto para os dias 27 a 29 de setembro de 2024, e qualquer outro evento patrocinado pelo governo estadual até o segundo turno das eleições”, determinou a magistrada.

Outro lado

O Governo da Bahia criticou a tentativa da coligação do candidato Zé Ronaldo (União Brasil) de impedir a realização do evento cultural e acusou o ex-prefeito de adotar práticas que lembram a censura.

A Procuradora Geral do Estado, Bárbara Camardelli, informou que vai lutar para reverter o que considera prática autoritária e que tem expectativa de que o show de Kannário ocorra conforme o planejado. (https://politicalivre.com.br/)



Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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