sábado, fevereiro 29, 2020

Mourão diz que os mares estão agitados por causa dos vídeos e das redes sociais


Mourão em palestra em Sata Catarina — Foto: NSC TV/Reprodução
Mourão fez uma importante palestra em Florianópolis
Karollayne RosaG1 SC
Sem mencionar diretamente os dois vídeos compartilhados na terça-feira (25) pelo presidente Jair Bolsonaro, o vice Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira (28) que “mares não estão tranquilos, porque vídeos são divulgados, redes sociais se encandeiam”.
Mourão afirmou ainda que é necessário clareza, determinação e paciência para superar o “eterno turbilhão” e que “ninguém está atentando contra a democracia”.
DESAFIOS A SUPERAR – “Santa Catarina é o primeiro estado que visito no ano de 2020 para falar daquilo que é a realidade que estamos vivendo e quais são as propostas do nosso governo em fazer avançar ao longo deste ano. Nossa apresentação se destina a falar desses desafios que temos de superar e, mais uma vez, eu destaco que os mares não estão tranquilos”, afirmou o vice-presidente no início de uma palestra na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).
“Os mares não estão tranquilos, porque vídeos são divulgados, redes sociais se encandeiam, as pessoas, muitas vezes, não raciocinam sobre aquilo que estavam escrevendo, que estão discutindo, emoções são colocadas à flor da pele, e parece que nós vivemos num eterno turbilhão.”
Na terça, Bolsonaro compartilhou um vídeo em sua conta pessoal no WhatsApp convocando para manifestações organizadas por grupos de direita que o apoiam. O objetivo dos atos é protestar contra o Congresso e contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente não citou os dois poderes em suas mensagens.
FORTES PROTESTOS – A publicação gerou fortes protestos de ministros do STF, de políticos e de entidades da sociedade civil. Na quarta-feira (26), Bolsonaro disse por meio de redes sociais que tem no WhatsApp “algumas poucas dezenas de amigos onde, de forma reservada, trocamos mensagens de cunho pessoal”. E não contestou a hipótese de os vídeos se referirem a fatos atuais.
Já nesta quinta-feira (27), o presidente mudou a versão. Durante live distribuída pelo Palácio do Planalto, afirmou que o vídeo postado por ele, e revelado pela jornalista Vera Magalhães, do jornal “O Estado de S.Paulo”, é de 2015.
‘ETERNO TURBILHÃO’ – O evento do qual Mourão participou faz parte das comemorações do aniversário de 70 anos da Federação catarinense. No começo de seu discurso, o vice-presidente falou aos empresários sobre a necessidade de superar o “eterno turbilhão” vivido pelo país.
“Este eterno turbilhão tem de ser superado por uma tríade que desde o ano passado venho tentando demonstrar: É a tríade da clareza, da determinação e da paciência. É só com isso que vamos conseguir chegar aos objetivos que temos pela frente”, disse Mourão.
Para ele, a democracia é respeitada enquanto o governo busca atingir os objetivos, que são “restaurar e reerguer a pátria, libertá-la da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica”.
DEMOCRACIA LIBERAL – “Com a nossa visão de fazer do Brasil a mais vibrante e próspera, e ainda deixar muito claro, democracia liberal do Hemisfério Sul. Aqui ninguém está atentando contra a democracia, isso tem que ficar muito claro”, disse.
O presidente da Fiesc, Mario Aguiar, aproveitou para pedir apoio para solucionar problemas rodovias federais de Santa Catarina e também maior repasse de recursos federais. Ele disse que Santa Catarina contribuiu em R$ 66,3 bilhões com impostos e recebeu da União R$ 6,7 bilhões. “Estado de Santa Catarina está alinhado ao governo federal”, afirmou Mario no início de sua fala.
Segundo a Fiesc, 14,5 quilômetros de obras de ampliação e duplicação foram entregues nos últimos 10 anos das rodovias BR 163, 280 e 470. O presidente da Federação ainda mencionou atrasos de projetos ferroviários que podem auxiliar para escoar a produção catarinense.
OUTROS ASSUNTOS – Mourão falou sobre guerras mundiais, democracia e mencionou o leilão do 5G como essencial para o desenvolvimento da internet e economia do conhecimento no Brasil. “O capital anda para onde tem lucro. O capital não tem pátria”, disse.
Mourão ainda falou da expectativa para que o Congresso entregue a reforma tributária este ano, citou as concessões como um dos pilares da produtividade para a retomada do crescimento e falou sobre o que considera dificuldades no setor agrícola do país.
“Não podemos perder a guerra do ambiente porque nós possuímos a legislação mais avançada do mundo. Em nenhum outro local do mundo, o proprietário rural é obrigado a preservar parte da sua propriedade, só no Brasil. [Nos] Estados Unidos e [na] Europa os produtores são livres para plantar onde quiserem, aqui não”, afirmou Mourão.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se vê, parece que Mourão anda lendo a TI, único órgão de comunicação que tem repisado o fato de que o Brasil tem a mais moderna legislação ambiental do mundo. Mourão merece respeito; nós, também. (C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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