domingo, dezembro 30, 2018

Com governo de centro-esquerda, economia uruguaia cresce há 15 anos


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Punta Del Este é hoje o principal polo do turismo uruguaio
Sylvia ColomboFolha
​​Foi-se o tempo em que, se a Argentina ou o Brasil espirravam, o Uruguai ficava gripado. Neste 2018 completam-se 15 anos de crescimento ininterrupto do pequeno país, que corresponde, no imaginário internacional, a um pequeno paraíso à beira do rio da Prata, e que, na economia, encontrou uma trilha de crescimento que não se afeta mais com as tempestades que possam ocorrer em seus gigantes vizinhos.
Neste 2018, o Uruguai terá crescido 3,4%, quando em 2017 o índice foi de 3,1% e a previsão do FMI para 2019, ano eleitoral, é de 3,1%. A inflação não passa de 7,5%, e a taxa de desemprego, de 6,8%.
PÓS-2002 – O grito de independência ocorreu pós-2002, quando a grande crise político-econômica argentina de 2001 chegou do outro lado do rio da Prata, fazendo com que argentinos retirassem suas poupanças dos bancos uruguaios e, com isso, praticamente quebrassem o sistema bancário local. O país conheceu a pobreza e a recessão, mas também colocou seus burocratas e economistas para trabalhar.
Os partidos tradicionais —o Nacional e o Colorado— caíram em desgraça, dando lugar à experiência inédita da Frente Ampla, que reunia grupos de centro-esquerda, os socialistas e o braço político da guerrilha urbana Tupamaros. Não foi um cenário róseo o que encontrou o então presidente Tabaré Vázquez, eleito por essa coalizão, quando iniciou seu governo em 2005.
A situação ainda era tão incerta que um de seus slogans de campanha era nada menos que a seguinte frase: “O Uruguai é um país possível”. Isso logo se mostrou verdade. E hoje parece até mais possível, em linhas gerais, do que o Brasil, que sofreu a mais dura recessão de sua história nos últimos anos, e que a Argentina, agora em recessão, tomando uma dívida milionária do FMI e entrando num incerto 2019.
AJUSTES – O segredo do Uruguai não foi fazer grandes reformas, mas sim ajustes em suas prioridades. Os principais, no redirecionamento das exportações agropecuárias —agora para Ásia e Europa, com certificado de qualidade (principalmente quando a carne argentina se viu atingida pela febre aftosa), investimento em energia renovável (uma grande vitória de Mujica) e na diversificação de produção, com investimentos nas áreas de serviços —vendendo-os aos argentinos— e de tecnologia.
Mas a menina dos olhos da economia uruguaia dos últimos anos passou a ser o turismo, hoje responsável por 8% a 10% do PIB nacional, segundo dados do governo.
Isso fez com que Punta del Este se transformasse em destino um tanto salgado para brasileiros e argentinos. Por outro lado, atraiu um público europeu até então ávido por novos balneários. Ficaram na moda os hoje badalados Rocha, Cabo Polônio, La Pedrera, José Ignacio e La Barra, onde se cobra e se vive em dólar.
ESQUERDISTAS – Os governos da Frente Ampla — Vázquez (de 2005 a 2010 e agora de 2015 a 2019) e Mujica (de 2010 a 2015) — nunca traíram a origem esquerdista, investindo pesado em planos sociais e na educação, porém o Uruguai jamais foi incluído entre os países ditos bolivarianos, por manter uma política econômica moderada e por oferecer benefícios fiscais para investimentos estrangeiros, além de mostrar-se como um governo de estabilidade política e financeira.
Zonas francas de isenção fiscal foram criadas, assim como estímulos para a inovação na agropecuária. Os gastos em pesquisa científica e aplicada à produção de alimentos cresceram em mais de 70%.
Enquanto isso, o Uruguai foi também descolando-se da dependência da performance econômica do Brasil e da Argentina. De 2001 a 2018, as exportações para esses dois países caíram de 37% para 19%.
FORTALECIDO – O resultado é que, hoje, o Uruguai está muito mais fortalecido para enfrentar as tormentas que possam surgir. Se em 2001, quando veio o maremoto causado pela crise argentina, as reservas cambiais do país giravam em torno de US$ 1 bilhão, hoje elas são de US$ 18 bilhões.
Há ainda outros índices de fazer inveja —65% de sua população está na classe média, e o país tem o terceiro melhor IDH (Índice de Desenvilvimento Humano) da América Latina. Também está entre os líderes em outros rankings, como satisfação com a democracia, segundo a pesquisa Latinobarómetro.
Um dos nomes mais citados como responsável pela boa onda uruguaia é a do ministro da Economia e ex-vice-presidente Danilo Astori, 78, à frente da política econômica desde 2005. Em entrevista recente, ele ressaltou que “o Uruguai se fortificou na época em que outras economias da região sofreram atropelos e hoje, diante das circunstâncias difíceis que vive a economia mundial, nossos números são muito bons”.
DIFICULDADES – Ainda assim, às vésperas de um ano eleitoral, as dificuldades surgem para a aliança governista. Os produtores agrícolas mais tradicionais, por exemplo, não tocados pelos benefícios do investimento na agroindústria de ponta, vêm realizando protestos e carreatas com tratores, interrompendo vias no interior do país.
Os sindicatos, ainda muito fortes em todo o Uruguai, vêm pedindo uma melhor distribuição dos lucros com a exportação. Enquanto isso, do ponto de vista político, a Frente Ampla enfrenta casos de corrupção, como o que tirou do cargo o vice de Tabaré Vázquez, Raúl Sendic, filho do líder histórico tupamaro (de mesmo nome).
DESGASTE – A recusa em adotar uma política mais dura com relação à Venezuela, posição firme da maioria do Congresso, formada pelo bloco da Frente Ampla liderado por Mujica e que ainda reza a Bíblia tupamara, também causa ao Uruguai desgaste do ponto de vista internacional.
Outro problema que a Frente Ampla necessita enfrentar é o da renovação de seus quadros, se pretende manter-se no poder. Tanto Vázquez como Mujica ou o próprio Astori já passaram da faixa dos 70 anos. O nome mais visível entre a geração mais jovem, o de Raúl Sendic, 56 anos, está manchado pela corrupção.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se vê, não interessa se o governo é de direita ou esquerda. O que importa é o governo agir como recomendava Sidarta Gautama, o Buda – “fazendo a coisa certa”. É isso que se espera de Bolsonaro, que precisa parar com esses radicalismos infantis, para manter o foco no interesse nacional e fazer sempre a coisa certa. Como dizia o grande Francisco Barroso, o Brasil espera que cada um cumpra seu dever. Apenas isso. (C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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