O Ministério Público Estadual acionou a Justiça paulista para que fosse proibida uma manifestação de defensores da legalização da maconha.
Ora, é questionável que a canabis seja nociva; e indiscutível que não é mais nociva do que algumas drogas consentidas.
Então, numa democracia os cidadãos têm, sim, o direito de tentarem colocar um assunto desses em discussão.
Os promotores alegaram que a manifestação incitaria ao crime.
Mas, nunca deixará de ser crime se os que têm opinião contrária não a puderem expressar.
Não se trata de pregar o genocídio, a tortura, a pedofilia.
Ou de negar a existência do Holocausto.
Nem mesmo se está chamando uma ditadura bestial de ditabranda.
Em nome do espírito de justiça (do qual, segundo Platão, somos todos dotados), bem como da democracia pela qual eu e muitos companheiros derramamos nosso sangue, ouso dizer aos srs. promotores que eles foram profundamente infelizes e estão totalmente errados.
Pedir a legalização de algo jamais poderá ser igualado, de forma tão mecânica, a estar induzindo ao uso de algo. Trata-se de uma visão preconceituosa, policialesca e imobilista que não faz jus às tradições do MPE.
A comédia de erros prosseguiu com um desembargador proibindo a manifestação, apesar do pleito ter vindo com argumentação tão tosca.
Aí os organizadores, justificadamente, convocaram outro ato público -- este em nome da liberdade de expressão, que foi mesmo duramente atingida.
Foi um episódio grotesco, chocante, vergonhoso e inaceitável.
Que merece meu mais veemente repúdio.
Fonte: Náufrago da Utopia
Fonte: Náufrago da Utopia
