segunda-feira, maio 30, 2011

Para defender Palocci, ninguém melhor do José Dirceu, que também ficou rico fazendo consultorias e não está sendo acusado de nada.

Carlos Newton

Não há dúvida de que a bem-sucedida diversidade profissional experimentada por Antonio Palocci é muito semelhante à situação de José Dirceu, embora o chefe da Casa Civil tenha esquecido de mencionar isso, ao tentar se defender, quando alegou que outros políticos e economistas também agiram da mesma forma, citando Pedro Malan, Pérsio Arida, André Lara Resende, Maylson da Nobrega e outros.

Realmente, todos lembram que, quando perdeu o mandato, cassado pela Câmara devido a seu envolvimento no Mensalão denunciado por Roberto Jefferson, José Dirceu afirmou na Câmara que não tinha recursos em investimentos ou poupança, e teria de trabalhar como advogado, para conseguir pagar as contas e sustentar a família.

Mas nem precisou fazê-lo, os tribunais se livraram dele, porque logo percebeu que consultoria dá muito mais dinheiro e menos trabalho, tanto assim que pouco tempo depois Dirceu já se tornara um homem muito rico, envolvido com grandes corporações nacionais e estrangeiras, e que sorte ele teve, é impressionante.

Mas hoje poucos se lembram de que, na legislatura anterior, ainda no governo FHC, quando surgiu o escândalo dos chamados “Anões do Orçamento”, o então deputado federal José Dirceu fez um importante discurso da tribuna da Câmara dos Deputados. Estava em debate o processo de cassação do deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE), e Dirceu então defendeu a estranha tese de que não eram necessárias provas para se cassar um mandato parlamentar, pois apenas as evidências já seriam suficientes.

Como ensina o ditado popular, “pau que dá em Chico dá em Francisco”. E o candente pronunciamento do então deputado José Dirceu, ovacionado pela bancada do PT, agora pode servir perfeitamente para ser usado na análise da situação de Palocci, pois nem são necessárias provas de tráfico de influência e coisas que tais, vez que as evidências realmente abundam, me perdoem a utilização deste verbo homoafetivo em texto de tamanha aridez.

E nota-se que também abunda no currículo de Palocci a dedicação total ao interesse público, desde seu ingresso na política, lá em Ribeirão Preto. Na função de prefeito, mostrou-se incansável no afã de deixar a cidade limpa, em todos os sentidos, ao apoiar incondicionalmente a empresa Leão & Leão, que cuidava de limpar até mesmo os cofres municipais, sem maiores cuidados com o duplo sentido das palavras.

Depois, o amor aos amigos de Ribeirão Preto prosseguiu, quando ministro da Fazenda, e Palocci fazia questão de prestigiar as festivas reuniões por eles oferecidas na mansão do Lago, onde ia espairecer da estafante dedicação ao patrimônio público, que despertou interesse até ao simplório caseiro Francenildo que cuidava do luxuoso imóvel. E foi também o interesse público que fez o poderos ministro da Fazenda quebrar o sigilo da conta bancária do caseiro na Caixa Econômica Federal e levar pessoalmente os dados aos donos da Organização Globo, que gentilmente o atenderam, denunciando o caseiro como corrupto nas páginas da revista “Época”, todos se recordam.

Agora, é esse espírito público incomum que novamente leva Palocci a enfrentar a tudo e a todos, com bravura indômita, para se manter à frente da Casa Civil e salvar o país dos maus políticos e administradores, deixando com isso de faturar milhões e milhões na Projeto Consultoria, vejam só que dedicação esse ministro demonstra ao país.

Aliás, foi uma injustiça o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aquele que fraudou a Constituição para atender aos interesses dos banqueiros, não ter agraciado Palocci com a Medalha da Vitória, honraria inspirada nos heróis que deram a vida pelo Brasil na Segunda Guerra Mundial.

O ainda chefe da Casa Civil merecia a honraria muito mais do que José Genoino. Afinal, Palocci está mostrando que é mesmo um guerreiro, um batalhador, um combatente. Ninguém luta pelo poder com mais empenho do que ele. É um exemplo para o PT, para o governo e para o País. Um cidadão verdadeiramente acima de qualquer suspeita, como no genial filme do diretor italiano Elio Petri.

Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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