sábado, maio 28, 2011

Capixaba: “Se tirar quem tem processo, não sobra ninguém”

Acusado de ser um dos líderes da máfia das ambulâncias, deputado diz não ver constrangimento em ocupar Comissão de Orçamento, cutuca colegas e duvida da existência do esquema

Edson Sardinha

O deputado Nilton Capixaba (PTB-RO) é oficialmente um novato na Comissão Mista de Orçamento. Em seu terceiro mandato na Câmara, é a primeira vez que ele é indicado por seu partido para ocupar uma cadeira no colegiado. Mas as emendas apresentadas pelo petebista ao orçamento lhe renderam a acusação de ser um dos líderes da chamada máfia das ambulâncias e a condição de réu em um processo sobre o assunto em tramitação na Justiça Federal de Mato Grosso.

De volta à Câmara após quatro anos, Capixaba afirma que, ainda hoje, não acredita que o esquema tenha existido e nega ter recebido propina ou dinheiro público em troca de apresentação de emenda ao orçamento. O deputado diz não ver nenhum constrangimento em ser indicado à Comissão de Orçamento apesar das denúncias. “O jogo é muito bruto. Se tirar das comissões quem tem processo, não vai sobrar ninguém. Metade da Câmara é processada”, exagera o petebista.

Ele é acusado pelos empresários Luiz Antonio Vedoin e Darci Vedoin, donos da Planam e cabeças do esquema, de receber um total de R$ 631 mil em 47 pagamentos. De acordo com a CPI, Capixaba foi o segundo maior beneficiado com as propinas. O valor corresponde, segundo a denúncia, a 10% das emendas que resultaram na compra de mais de 60 ambulâncias. Os empresários declararam à Justiça Federal que conheceram o petebista ainda em 1999, seu primeiro ano na Câmara.

Capixaba admite que conhecia os Vedoin e que chegou a receber uma “pequena doação” da empresa para sua campanha eleitoral. “Mas era dinheiro da empresa, não era dinheiro público”, afirma. Segundo ele, um assessor de seu gabinete “emprestou” a conta bancária para receber os R$ 631 mil depositados pela Planam para cobrir despesas da empresa em Rondônia. “Eu demiti o funcionário. Mas, coitado, ele não tinha nada a ver com a história. E eu nem sabia que ele tinha emprestado a conta”, conta o deputado.

Escândalo fabricado

Com pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética arquivado antes de ser enviado ao plenário por causa do fim daquela legislatura, Capixaba se considera um injustiçado. Para ele, a “máfia das ambulâncias” foi “inventada” em 2006 para abafar o escândalo do mensalão, de 2005. E por que justamente ele foi apontado como um dos líderes do esquema? “Eu era pré-candidato ao Senado e o segundo-secretário da Mesa. Ocupava o cargo mais alto entre os demais colegas. Além disso, eu era e sou muito amigo do Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão”, responde.

O deputado diz que, se alguém merece ser responsabilizado por eventuais irregularidades na compra de ambulâncias, a penalidade deveria recair sobre o Ministério da Saúde e os prefeitos dos municípios envolvidos, e não sobre os parlamentares. “O ministério aprovou os projetos com o aval do Planalto. As prefeituras fizeram as licitações. Se houve superfaturamento e direcionamento de licitação, a responsabilidade é deles”, acusa.

Os donos da Planam contaram à Polícia Federal e à Justiça que quase uma centena de parlamentares recebia propina em troca de emendas destinadas à compra de ambulâncias em municípios onde a empresa atuava. Os veículos eram vendidos às prefeituras por preços superfaturados e por meio de licitações dirigidas. De acordo com a denúncia, o dinheiro obtido de maneira fraudulenta abastecia o pagamento aos parlamentares.

Dinheiro da empresa

Para Capixaba, os deputados denunciados não tinham nada a ver com a história. “Se a empresa deu, era dinheiro dela, que tinha dono. Não era dinheiro público”, diz o rondoniense. “Gostaria que tudo fosse apurado para esclarecer as coisas. Seria bom para mim e até para a imprensa, que nos condenou”, acrescenta.

Mesmo não tendo conseguido se reeleger em 2006, ano das denúncias, Capixaba conta que não ficou um dia fora da vida pública desde então. Foi representante do governo de Rondônia em Brasília e sub-chefe da Casa Civil no estado. “Eu fui para o governo porque queria garantir a execução de emendas que tinha apresentado para a construção do aeroporto e o hospital regional de Cacoal”, conta.

Naquele ano, Capixaba ficou na suplência após ter recebido 14 mil votos. “Eu desisti na reta final, porque eu estava muito no foco da mídia. Mas quatro anos depois tive a maior votação que já recebi, mais de 52 mil votos. Foi a absolvição pelo povo que me conhece”, afirma.

Indicado pelo líder do PTB para a Comissão Mista de Orçamento, Jovair Arantes (GO), Nilton Capixaba diz que não há nada como o tempo para mudar a sorte dos políticos brasileiros. “O Collor foi inocentado pela Justiça. Mas aí já tinham cassado o mandato dele. O Renan também sofreu com denúncias e deu a volta por cima”, lembra.

Sanguessugas de volta à Comissão de Orçamento

Fonte: Congressoemefoco

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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