domingo, novembro 28, 2010

Política Juíza amplia número de vereadores

Lílian Machado

Uma decisão judicial envolvendo possíveis mudanças no quadro da Câmara de Vereadores de Pojuca, Região Metropolitana de Salvador, surpreendeu o meio político ontem. A cidade pode ser a primeira do país a dar posse a quatro novos parlamentares, baseada na PEC-20, conhecida como a PEC dos Vereadores, que deve começar a valer somente em 2012.

A determinação por meio de liminar concedida pela juíza local, Maria de Lourdes Melo, contraria a questão estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o prazo para validade da proposta. Nos bastidores consta que essa seria uma manobra orquestrada pela prefeita da cidade, Gerusa Láudano (PSDB), com o objetivo de conquistar maior poder no Legislativo municipal, já que a eleição para presidência do parlamento está prevista para acontecer na próxima terça-feira. O fato esquentou a disputa na Câmara da cidade.

Rumores dão conta de que a prefeita Gerusa Láudano, que atualmente não tem a maioria na Câmara, teria interesse em ampliar sua base com o objetivo de eleger o seu candidato à presidência do parlamento, Jesoilson da Cruz (PP). Concorre com o aliado da alcaide, o vereador Edmar Farias (PSDB). Nos bastidores consta que a decisão favorável ao aumento de vereadores seria fruto de uma forte relação de amizade entre a prefeita e a juíza.

A decisão da juíza, considerada inconstitucional contradiz ainda acórdão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE), que já havia determinado anteriormente que a juíza corrigisse edital proclamando apenas eleitos nove vereadores e não 13 vereadores.

Conforme a presidente da Câmara de Vereadores de Pojuca, Cristiane Maria Santos Costa (PP), além de contrapor-se a uma questão decidida pelo Supremo, uma mudança no número de vereadores agora pode inviabilizar os gastos, sendo incompatível ao orçamento do Poder Legislativo local. “Todas as Casas Legislativas estão se preparando para aumentar o número de vereadores só a partir de 2013, quando eles serão efetivados.

Fazer isso agora, quando há decisão do STF e um acórdão do TRE específico para Pojuca, é um absurdo”, contestou Costa, enfatizando que seriam mais quatro vereadores a tomarem posse.

Segundo ela, a magistrada já havia tentado anteriormente dar posse aos novatos, mas voltou atrás após consulta do PCdoB ao TRE, que acabou determinando a posse de nove vereadores. Com isso a ampliação para 13 vagas só passaria a ser estabelecida a partir de 2012, confirmando o que já havia sido determinado pelo Supremo.

Recurso já havia sido solicitado

Ainda conforme a presidente da Câmara, a ação foi planejada com intuito de surpreendê-la. Sendo assim, o processo corre contra o município de Pojuca e não contra a Câmara de Vereadores, para que a presidente da Casa só tomasse conhecimento da mudança, após conclusão do processo. Costa condenou o fato de o parlamento não ter sido parte interessada na questão. “Um verdadeiro absurdo, uma aberração jurídica”, disparou.

Há informações de que o recurso foi solicitado pelos quatros vereadores Antônio Improta, Armando Gomes, Almir Celestino e Adriano Cardoso. Apesar de serem os diplomados pela juíza, eles não são os quatro suplentes apontados pelo TRE. Segundo ordem do Tribunal, os suplentes são Jutair Soares da Conceição, Jamilton Galdino da Silva, Genésio Gomes Dantas e Almir Celestino Vieira, único indicado nas duas listas.

O vereador Edmar Cordara Farias (PSDB), do mesmo partido da prefeita, criticou a ação enfatizando que seria “mais uma manobra jurídica para prejudicar os trabalhos da Câmara”.

A presidente da Câmara e o vereador Farias já entraram com recurso no Tribunal de Justiça com o objetivo de caçar a liminar da juíza. Com o argumento de que a decisão passa por cima do acórdão do TRE, eles prometem lutar contra a ação e já estudam novas providências.

Demonstrando contrariedade com a determinação judicial que modifica o cenário da Câmara de Pojuca, o deputado federal ACM Neto (DEM) afirmou ontem que vai entrar com uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a juíza Maria de Lourdes Melo. “Trata-se de uma decisão arbitrária e imparcial.

Ou a juíza não se formou num curso de direito ou, o que é pior, tomou essa decisão para atender a interesses partidários”, criticou Neto. Segundo ele, a decisão da magistrada interfere no processo eleitoral interno da Câmara, com eleição da Mesa Diretora programada para terça-feira. (LM)

Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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