quinta-feira, novembro 25, 2010

filhos: Porque e quando fiscalizá-los?

Rodrigo Lago

Nos últimos meses a mídia tem ventilado com maior intensidade uma série de notícias relacionadas à pedofilia, misoginia, assassinatos brutais, padres e pais violentando crianças, maridos matando mulheres e, principalmente, como a divulgada recentemente em Salvador – repercutida nacionalmente e de grande comoção pública –, a de meninas que fogem de casa para encontrar ‘pessoas’ conhecidas através da Internet e são estupradas e mortas de maneira cruel por bandidos.

Neste último caso, há quem responsabilize os pais pela falta de educação, contato e acompanhamento da vida dos filhos, mas existe também quem culpe apenas os marginais.

“De qualquer forma, é preciso que nós, pais, fiquemos mais atentos”, alerta a assistente social Carol Santana, mãe de dois filhos adolescentes. Na opinião do consultor imobiliário Bruno Borba, cabe aos pais e a família olhararem o que os filhos andam fazendo na web.

“Tenho uma irmã de 10 anos em casa que não sai da net. Ficamos o tempo todo de olho nos sites que ela navega. A culpa pela morte das meninas é dos bandidos, mas isso poderia ter sido evitado caso a família estivesse ligada”, disse, se referindo ao caso das adolescentes Janaina Conceição e Gabriela Nunes, 16 e 13 anos respectivamente, torturadas e decapitadas na última sexta-feira, em Salvador, por marginais da Rocinha da Divinéia.

As investigações policiais ainda não foram concluídas, mas o delegado Omar Andrade Leal, da 4ª DP acredita que as jovens conheceram os criminosos em sites de relacionamento. Os computadores das vitimas foram apreendidos pela Polícia para análises de possíveis provas.

Os benefícios da rede mundial de computadores são grandes, mas ela também tem um ilimitado potencial nocivo. E diante dos perigos apresentados pela Internet, a educadora Marizete Nunes fala para os pais serem cautelosos.

“Uma saída é instalar o computador numa área da casa em que há bastante movimento, como a sala de estar”, sugeriu, pontuando ainda que diretrizes claras são uma evidência da preocupação amorosa dos pais para com os filhos. No entanto, ela reconhece que nem sempre os pais conseguem ter domínio total sobre a rotina dos filhos. “Às vezes a mãe acredita que a filha está na escola, mas foi à praia com outras amigas, eles também simulam situações e é preciso ficar em alerta”.

A reportagem circulou por algumas localidades de Salvador para observar a movimentação de algumas lan houses. O número de crianças e adolescentes, muitas vezes fardados, é grande. Ficou constatado que as principais páginas abertas são justamente as das redes de relacionamentos. Na Cidade Baixa, por volta das 10 horas, meninas do Colégio Militar conversavam animadamente com homens mais velhos e, de vez em quando, um deles puxava e beijava uma das garotas, numa espécie de brincadeira. Numa lan do Bomfim, três garotas aparentando 13 anos dividiam o mesmo computador, riam. Na tela, fotos do Orkut de um rapaz de mais de 20.

Predadores da internet

Segundo a última pesquisa “Opinando em Grande”, realizada pela organização Ação pelas Crianças, em convênio com o instituto de pesquisa Imasen, junto a 413 crianças entre 11 e 17 anos, mais de 41% das crianças e adolescentes acessa a Internet de maneira diária.

A isso, se deve acrescentar que muitas crianças (89%) preferem ingressar na rede através de uma cabine pública, mas com privacidade (44%). O mais grave é que 76,2% acessam a Internet sem a supervisão de um adulto e apenas 21,2% têm algum tipo de controle familiar. Do total, 64,4% navegam de uma a duas horas por dia.

A maioria, 55%, navega pela rede com o objetivo de bater papo, 41,6% para jogar, 27,2% para buscar informações, 24,1% para revisar seu correio eletrônico e só 20,2% para estudar.

O perigoso é que 8% dos entrevistados responderam que revela seu endereço eletrônico para qualquer pessoa. E mais: 12,3% já foram a um encontro com uma pessoa conhecida através do bate-papo. Se alguma vez foram assediados por alguma pessoa que tenha conhecido pela Internet, 5,5% afirmam que sim. Foram vítimas de assédio através de mensagens enviadas para seus correios eletrônicos (66,7%), conversa pelo bate-papo (57,1%) e chamadas por telefone (9,5%).

Finalmente, 30,5% das crianças e adolescentes entrevistados assinala que têm acesso a material pornográfico, e, deste grupo, 92,9% fizeram através de uma cabine pública.

Ação – De acordo com investigadores de polícia, esses ‘predadores’ da Rede Mundial de Computadores fingem serem adolescentes nas salas de bate-papo destinadas a este público e abertas facilmente por meninos e meninas em milhares de lan hauses, como as espalhadas pelos diversos bairros da capital baiana.

De acordo com agentes da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente, eles envolvem crianças e adolescentes usando como recursos a atenção, a afeição, o carinho e até presentes, além de demonstrarem simpatia com os problemas das crianças e gastam se necessário, meses conquistando a confiança da vítima e, aos poucos, vão introduzindo conteúdos sexuais em suas conversações.

“Os pais, de maneira geral, estão muito afastados da educação dos filhos, delegando a outros um papel que é insubstituível, o que acaba abrindo brechas para tragédias como esta”, diz a educadora Marizete Nunes.

Sinais de aliciamento

Adolescente passa muito tempo navegando na Internet

Algum tipo de material pornográfico no seu computador

Recebe chamadas telefônicas de pessoas que você não conhece ou faz ligações para números desconhecidos (talvez até para cidades distantes)

Recebe correspondências ou pacotes de pessoas desconhecidas

Desliga o monitor do computador ou muda a tela rapidamente quando percebe que você entrou no ambiente

Começa a distanciar-se da família e dos amigos e faz uso da máquina fotográfica digital da família sem revelar com que objetivo.

Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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