terça-feira, novembro 30, 2010

Gostem ou não gostem, a vitória foi do Lula. Sem as Forças Armadas, principalmente o equipamento pesado da Marinha, nada teria sido feito. Tristeza, lamento, decepção, ninguém foi preso. Cabralzinho tentou “capitalizar”, não conseguiu.

Helio Fernandes

Foram 10 dias que abalaram o Rio. Desde o meio da semana passada, o ainda presidente Lula decidiu implantar a operação final contra os traficantes do Alemão. São os mais poderosos, os mais abrangentes, que controlavam os morros e as ruas, tinha início a batalha, perdão, a guerra.

Desde o domingo 21, (terminando anteontem, domingo 28) estava plantada a operação federal, comandada e preparada durante três dias pelo próprio Lula. Não se sabia de nada, este repórter só veio a saber dos detalhes no domingo, quase madrugada de ontem. Por isso só conto agora.

Depois de conversar pessoalmente com os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, Lula resolveu dar início à verdadeira operação armada. O presidente nem tomou conhecimento de Nelson Jobim, ele é Ministro da Defesa, mas cada Arma tem o seu Comandante, eles é que decidem. E decidiram diretamente com o presidente.

Basta verificar o fato que foi desprezado antes e que estava bem claro, ninguém concluiu, nem mesmo este repórter, trabalhando intensamente. Os 4 generais que apareceram fardados e não para atividades burocráticas, só falaram durante 5 minutos e desapareceram.

Não apareceram mais, o exibicionismo ficava por conta de Nelson Jobim. Disseram: “Estamos autorizados pessoalmente pelo presidente da República. Ele recomendou que não usemos armas, a não ser numa emergência”.

Esses militares do mais alto escalão, que surgiram para tornar públicas as ordens do presidente, (que constitucionalmente é o “Comandante-em-chefe das Forças Armadas”) desmascararam e desmoralizaram a participação de cabralzinho, que fazia força enorme para se colocar na cúpula de tudo.

Tudo acertado com os três comandantes militares, estabelecidos os mínimos detalhes da operação e da hierarquia, na segunda-feira, dia 22, Lula telefonou para cabralzinho, C-O-M-U-N-I-C-A-N-D-O o que ficara decidido, estabelecido, coordenado com os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica.

Cabralzinho levou um susto, a “inteligência” não o informara de coisa alguma. Quando recebeu o telefonema do presidente, cabralzinho não percebeu que era, tentou primeiro resistir e depois apelar: “Presidente, e a minha posição nisso tudo, como é que fica?”. E Lula, inflexível: “Já decidi tudo com os comandantes militares. Você faz o que achar conveniente, mas a Operação já está montada e será executada”.

Lula, junto com assessores, fazia questão de repetir as mesmas exclamações dos moradores: “Não aguento mais o domínio desses traficantes, será o GRANDE PRESENTE para a população do Rio, que vem sofrendo e sendo castigada por dezenas de anos”.

O presidente cumpriu inteiramente o que planejara, e as Forças Armadas executaram. As declarações mentirosas de cabralzinho (“pedi ao presidente Lula, AJUDA para ACABAR com os traficantes”), provocaram gargalhadas no Planalto.

A perplexidade do presidente se manifestou quando informado de que ninguém foi preso. Assombrado, ainda perguntou o que todo o Rio e o Brasil perguntavam: “Mas não garantiram na véspera, e no dia mesmo da invasão, (domingo, anteontem) que todo o Complexo do Alemão estava cercado, ninguém ENTRAVA ou SAÍA?

O presidente estava disposto a pedir explicações, foi desaconselhado. Achavam, muito justamente, que não era o momento de estimular ressentimentos, acelerar divergências, manifestar descontentamentos pretensamente hierárquicos.

Agora é hora de corresponder à SATISFAÇÃO, à ALEGRIA, ao CONTENTAMENTO do povo. Por exemplo: para onde irão os chefões que fugiram tranquilamente do Alemão? Além da droga, eles controlavam, comandavam e autorizavam os arrastões nas ruas de todo o Rio capital.

Se os arrastões continuarem, a prova de que estão ainda em ação. Se pararem, se não incendiarem mais ônibus e carros, é outra observação. Esse pessoal do Alemão, criou um grupo “especialista” em roubos de carros. Param os motoristas, geralmente de carros mais luxuosos. Perguntam: “Teu carro tem GPS?”. Se a resposta foi afirmativa, dão um tiro na testa do motorista, vão embora, sem levar o carro, facilmente localizável. Se o motorista diz que não tem GPS, mandam ele embora, roubam o carro sem maior atropelo. Roubo com conhecimento da alta tecnologia.

Perguntinha das muitas que envolvem cabralzinho com os traficantes, o crime organizado (?), o Poder paralelo: o TELEFÉRICO que está sendo construído na favela (um avanço para os moradores, se puderem se servir dele) tinha AUTORIZAÇÃO dos SENHORES dos MORROS?

Muitos meses de trabalho, observação, decisões, serão necessários. Como já disse lá em cima, é preciso explicar a fuga de TODOS OS CHEFÕES. E a seguir saber do comportamento deles a partir de ontem, e do tempo que virá.

As tropas das Forças Armadas podem ir embora, desde que o equipamento pesado seja mantido. É que tem que começar imediatamente o estabelecimento SOCIAL e TRABALHISTA de uma política de remuneração dos homens da Polícia Militar.

Conforme mostrei ontem, não podem continuar “recebendo” salários miseráveis, verdadeiramente escravos. Se o deputado Picciani, (derrotado, grande amigo de cabralzinho) é indiciado por EXPLORAÇÃO DE TRABALHO ESCRAVO, o Poder Público não pode cometer o mesmo CRIME.

***

PS – Muita coisa precisa ser explicada ao povão, saber se foi ESQUECIMENTO premeditado ou puro equívoco.

PS2 – Exemplo: sempre se soube e se divulgou, que no Complexo do Alemão, moram 400 mil pessoas. Ontem, oficialmente foi divulgado: “No Complexo do Alemão existem 13 mil residências, que serão vasculhadas nos próximos dias”.

PS3 – Alguma coisa não confere: 400 mil pessoas em 13 mil residências, aritmética e socialmente, dá 31 habitantes por cada casa de favelado. Mesmo para esse tipo de “moradia e moradores”, é impossível.

PS4 – Informação gravíssima, que deve ser apurada, investigada, punida: “Empreiteiras teriam construídos sofisticados túneis subterrâneos, por onde os bandidos fugiram”. Essas empreiteiras são as que TRABALHAM na construção do teleférico? Pode ser mais uma explicação para o acordo bandidos-governo-do-Estado-do-Rio.

PS5 – Detalhes bizarros e bizonhos que devem ser ressaltados. A televisão mostrou uma casa (APENAS UMA CASA) de luxo, e insistiam; “TEM ATÉ PISCINA”. Ha!Ha!Ha! A piscina é o mais barato numa casa. É só estabelecer o tamanho da piscina.

PS6 – Cavam um buraco, revestem, enchem de água e pronto. A penúltima casa do Leblon, com apartamentos já vendidos por 7 milhões e meio, com piscinas que não custam 1 por cento desse valor. No luxo da Barra, casas de 10 milhões, o preço da piscina, na mesma proporção.

PS7 – A piscina mostrada na televisão, é apenas um tanque. Mais tarde botaram dois garotos brincando ali, ficou visível a falta de conhecimento geral. E os T-R-A-F-I-C-A-N-T-E-S, ONDE ESTÃO?

Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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