Com um descaro que desafia a oposição nanica e confusa, a caravana eleitoral do Lula e da sua candidata, a ministra Dilma Rousseff percorre o Nordeste distraindo-se com a visita às obras de transposição do Rio São Francos, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Minha Casa Minha Vida e mais miudezas estaduais e municipais para o agrado a governadores e prefeitos, tem entre seus objetivos, uma agenda ambiciosa e esperta.
A presença do deputado Ciro Gomes, do PSB do Ceará, e até então candidato jurado a presidência da República, é depois de Lula e da candidata Dilma, o mocinho da caravana. O presidente abriu o jogo sem meias palavras: Ciro Gomes deve adiar por mais quatro, oito, doze ou dezesseis anos, depois dos mandatos de Dilma e do seu bis em dose dupla, a sua candidatura a presidente. No momento, se são escassas as chances de se eleger para a presidência, a sua candidatura implode a polarização, chave tática para a eleição de Dilma como peso-pesado dos 80% do seu índice de popularidade nas pesquisas. Candidato à vice compondo a chapa de Dilma, arrastaria votos especialmente no Norte e Nordeste, além de outros tantos no resto do país.
Desta vez, pelo menos, teve a esperteza e a humildade de seguir à risca o conselho do ex-presidente José Sarney, seu aliado e amigo de infância, na arguta especulação da entre à Folha de S. Paulo de que com cinco candidaturas – a de Ciro, Marina Silva e Heloisa Helena – além da Dilma, ninguém seria eleito no primeiro turno, com a maioria absoluta exigida pela Constituição.
Ciro Gomes está com cacife para exigir o que quiser para renunciar a uma presidência absolutamente e, em troca de uma vice-presidência que não antecipa um bom relacionamento com o temperamento da ministra Dilma e o seu estopim encharcado de gasolina.
Mas, esta é uma conversa para mais tarde. Se Ciro trocar o difícil pelo provável, até a eleição e a posse será tratado a pão-de-ló.
E as obras do São Francisco, do PAC, do Minha Casa Minha Vida? Ora, a primeira visita é de cerimônia. Não cabem tantas prioridades no saco da gastança. E os Jogos Olímpicos de 2016, na grande vitória do Brasil, sorte grande na roleta de Copenhague? E a Copa do Mundo de Futebol ?
E as enchentes que continuam a castigar os estados sulinos como uma praga sem fim, com milhares de famílias que perderam tudo e não sabem por onde recomeçar?
Ora, dá-se um jeito antes das eleições de 3 de outubro de 2010, daqui a um ano e dois meses e meio.
Fonte: Villas Bôas Corrêa
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