Mendonça prepara defesa no STF contra ‘ilegalidades’ de denúncia de Moraes e adotará tom moderado
Por Roseann Kennedy, Estadão
19/09/2026 às 20:30
Atualizado em 19/09/2026 às 19:56
Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo
O ministro André Mendonça (STF)
Apesar de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, ter adiado o julgamento sobre a atuação do ministro André Mendonça na condução do caso Master, o magistrado está concentrado neste fim de semana na preparação de sua defesa e apresentará o documento no prazo regimental.
O magistrado foi acusado pelo ministro Alexandre de Moraes de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Moraes apresentou a acusação com base em um relatório apócrifo da Polícia Federal, sem valor probatório, conforme destacado no próprio documento, após Mendonça pedir para o colega ser investigado por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo apurou a Coluna do Estadão, a defesa de Mendonça focará em desconstruir as imputações feitas por Moraes. O ministro sustentará a “ilegalidade” do documento da PF apócrifo.
Mendonça vai observar, por exemplo, que foi alvo de medida inconstitucional, pois relatórios de inteligência direcionados a investigar ou expor pessoas específicas configuram “arapongagem” e ferem o princípio da impessoalidade.
O ministro pretende demonstrar que a peça apresentada pelo colega carece de qualquer validade jurídica e tem como objetivo desviar o foco da investigação necessária e urgente, que é a relação de Moraes com Vorcaro.
Aliados de Mendonça dizem que ele deve evitar o tom agressivo adotado por Moraes em suas petições, apostando em uma estratégia pautada pela serenidade e pela estrita observância constitucional, sem deixar de evidenciar sua avaliação de que vem sendo alvo de perseguição no tribunal.
A postura moderada que orientará a peça jurídica ficou evidente na manifestação pública de Mendonça nesta quinta-feira, 17, ao rebater os ataques que vem sofrendo de colegas da Corte.
Na resposta, André Mendonça evocou a obra do filósofo Arthur Schopenhauer. O ministro pontuou que o recurso a ataques e desqualificações pessoais é a estratégia típica de quem não dispõe de argumentos técnicos. Ele declarou, ainda, que já esperava sofrer retaliações por dar andamento às apurações.
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