sexta-feira, setembro 18, 2026

Lula reclama de atuação de Flávio Dino em sessão sobre Alexandre de Moraes no STF

 

Lula reclama de atuação de Flávio Dino em sessão sobre Alexandre de Moraes no STF

Por Catia Seabra/Folhapress

18/09/2026 às 08:10

Foto: Gustavo Moreno/Arquivo/STF

Imagem de Lula reclama de atuação de Flávio Dino em sessão sobre Alexandre de Moraes no STF

Flávio Dino

O presidente Lula (PT) se queixou a aliados da atuação do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), durante a turbulenta sessão da terça-feira (15).

Classificada por Lula como um show de horrores, a sessão convocada para debater a abertura de investigação contra o também ministro da corte Alexandre de Moraes no caso Master acabou suspensa após trocas de insultos e pedido de vista apresentado por Dino.

Segundo relatos, o presidente reclamou não só do pedido de vista, mas também do tom zombeteiro adotado pelo seu ex-ministro da Justiça durante a sessão. Na avaliação do presidente, a conduta de Dino não foi condizente com a gravidade do debate e de suas implicações para o país.

A um interlocutor, o presidente disse esperar que, por sua trajetória política, sempre à esquerda, Dino tivesse sensibilidade para entender o que estava em jogo naquele momento.

Um aliado de Lula afirma que o presidente fez chegar essa ponderação ao próprio magistrado, que chefiou o Ministério da Justiça antes de assumir sua cadeira no tribunal. Procurado por intermédio de sua assessoria, Dino negou ter recebido qualquer sinal de contrariedade por parte do presidente.

Outro aliado de Lula admitiu, porém, que o "estilo lacrador" adotado pelo ministro durante a sessão causou incômodo entre petistas. Seu comportamento foi descrito como extravagante por um colaborador do presidente.

Um dos motivos de reclamação reside no fato de Dino ter interrompido e contestado o presidente da corte, Edson Fachin, desde o início da sessão.

Contrariado com a suspensão, Lula pretende procurar o presidente do tribunal na busca de uma alternativa capaz de reverter um adiamento prolongado da decisão.

O chefe do Executivo, de acordo com esses relatos, alimentava a expectativa de abertura de investigação já na terça, na esperança de que a crise interna na cúpula do Judiciário não contaminasse a reta final do primeiro turno das eleições.

Na avaliação de colaboradores do presidente, o adiamento perpetua uma briga na corte e ofusca um debate sobre as propostas dos candidatos. Apoiadores de Lula argumentam que a crise tem beneficiado o representante do PL, o senador Flávio Bolsonaro, que empunha a crítica a Moraes como bandeira eleitoral.

Por isso, dizem os aliados, não faria sentido supor que Lula tenha exercido qualquer ingerência na suspensão do julgamento. Esse argumento não impede que adversários explorem o fato de a sessão ter sido suspensa após pedido de vista de Flávio Dino. A atuação direta do ex-ministro da Justiça no adiamento pode ser usada por opositores como indicativo de apoio do presidente a Moraes.

O presidente voltou ao tema nesta quinta-feira (17), afirmando que o envolvimento de ministros do tribunal com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, precisa ser analisado de forma conjunta pela corte.

"É difícil dar um palpite sobre uma decisão da Suprema Corte, mas eu acho que, se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se os telefonemas são verdade, se o [Luiz] Fux está envolvido, se o André Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] [Kassio Nunes Marques] está envolvido", disse o petista em entrevista à rádio mineira Itatiaia.

"Vamos saber quem está envolvido para apurar. O que você não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e os outros depois. Julga todo mundo de uma vez, analisa todo mundo. Todo mundo agora quer ter o material. É só tornar público. Quem é que tem medo de o povo saber das coisas?", completou.

Lula também voltou a dizer que Mendonça estava usando seu cargo de relator do caso Master "para fazer política" com denúncias seletivas e divulgando apenas o que lhe interessava.

"Aquele famoso telefone secreto, que parecia que estava em outro planeta, na mão do Mendonça, só ele sabia da notícia e ia vazando, agora está na mão do Gilmar [Mendes], do Flávio Dino, do [Cristiano] Zanin. Agora é começar a vazar o que precisa vazar de verdade para o povo saber a verdade", disse.

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