quinta-feira, setembro 17, 2026

Lula e Flávio Bolsonaro trocam ataques sobre STF

 

Lula e Flávio Bolsonaro trocam ataques sobre STF

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Fotos: Evaristo Sa e Miguel Schincariol / AFP

Um dia após a constrangedora sessão no Supremo Tribunal Federal na qual ministros engalfinharam-se em discussões, no mínimo, acaloradas, a crise do STF desembarcou de vez na campanha presidencial. Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram ataques em torno das relações de cada um com o Supremo e o escândalo do Banco Master. Em agenda de campanha em Juazeiro do Norte (CE), Flávio associou Lula a Alexandre de Moraes. “Quem está votando em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, afirmou. Quase no mesmo horário, Lula afirmou que Flávio está “nervosinho” porque, segundo ele, ainda apareceriam detalhes de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O presidente citou os recursos destinados ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e acusou o adversário de ter recebido R$ 130 milhões do ex-banqueiro para financiar a produção. (UOL)

Os dois candidatos adotaram estratégias distintas para lidar com a crise no Supremo. O presidente Lula cobrou que o presidente do STF, Edson Fachin, evite que a crise provocada pelo caso Master contamine o processo eleitoral. Pressionado pelo avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, Lula também defendeu uma investigação rigorosa das suspeitas envolvendo ministros da Corte. Já Flávio Bolsonaro decidiu poupar Fachin e Gilmar Mendes dos ataques enquanto intensifica as críticas a Alexandre de Moraes. A estratégia busca preservar interlocutores na Corte em meio à crise. Auxiliares do senador começaram a pedir novas audiências com ministros do Supremo para a próxima semana, ainda sem datas definidas. (Globo)

A campanha de Flávio Bolsonaro também decidiu ampliar os ataques ao ministro Flávio Dino e colocá-lo no mesmo alvo das críticas dirigidas a Alexandre de Moraes. Aliados do senador avaliam que a atuação de Dino no julgamento reforçou sua associação com Moraes. A campanha pretende explorar também o fato de o ministro ter integrado o governo Lula e sustentar o discurso de que os dois ministros atuam em sintonia com o presidente. (Folha)

A campanha de Lula,
no entanto, optou por se afastar de Moraes. O coordenador da campanha do presidente em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que Moraes tem a “obrigação” de esclarecer sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Carvalho disse que o governo não tem relação com Vorcaro ou com o Banco Master e defendeu que Moraes dê as explicações necessárias diante da crise no Supremo. (Metrópoles)

Enquanto isso…Nos Estados Unidos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo pediram ao governo de Donald Trump novas sanções contra os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Os dois se reuniram nesta quarta-feira com integrantes da administração americana no Departamento de Estado, em Washington. (CNN Brasil)

Ao mesmo tempo, o deputado republicano Chris Smith, de Nova Jersey, pediu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos que amplie o monitoramento sobre a liberdade de expressão no Brasil às vésperas da eleição presidencial. Em carta enviada à CIDH, Smith citou as revelações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como argumento para reforçar suas críticas à atuação do Judiciário brasileiro. (Folha)

Já no STF,
o dia seguinte foi de aparente tranquilidade. Os ministros voltaram a se reunir nesta quarta-feira para mais uma sessão ordinária da Corte. A pauta reuniu temas como licença-maternidade, reajustes de planos de saúde para idosos, ITBI e os limites do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. (Estadão)

Pedro Doria: “O Planalto acha que o Supremo feriu a reeleição de Lula, enquanto a esquerda da internet comemora. O Brasil parou para ver se a Corte deixaria investigar um dos seus — e saiu achando que não. E cobrar punição não é moralismo: é a única coisa que faz uma democracia durar.” A análise completa no Ponto de Partida. (Meio)

  

Flávio Bolsonaro usou durante a campanha em São Paulo um apartamento que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado e principal operador financeiro de Daniel Vorcaro. O imóvel, na Vila Nova Conceição, foi vendido por Zettel em fevereiro deste ano por R$ 2 milhões a menos do que havia pago dez meses antes ao advogado Wiler Tomaz, amigo de Flávio. Flávio ficou no apartamento durante alguns dias da primeira quinzena de agosto. No local, reuniu integrantes da campanha para discutir estratégias e gravou vídeos para o horário eleitoral. (Piauí)

  

A semanas do primeiro turno, o governo prepara duas ações com potencial impacto eleitoral. Uma delas, em elaboração no Ministério da Fazenda, é um novo programa para reduzir o endividamento das famílias. A ideia é fazer uma espécie de “leilão” para que o governo viabilize a recompra, com deságio, de dívidas antigas dos consumidores. Segundo o Banco Central, a inadimplência dos consumidores em julho atingiu 5,8%, o maior patamar desde março de 2011. (Globo)

Em outra frente, o governo prepara uma Medida Provisória para proibir jogos on-line e impor novas restrições às apostas esportivas. O desenho final da proposta ainda está em discussão, mas integrantes do governo tratam o texto como uma medida que poderá, na prática, quase extinguir as bets no país. A intenção é divulgar a MP nos próximos dias. No caso das apostas esportivas, ainda estão sendo avaliadas diferentes alternativas, entre elas restrições à publicidade. (UOL)

  

Quem também quer se envolver nas eleições brasileiras é o governo dos Estados Unidos. Em um documento com 21 pontos para iniciar discussões sobre o tarifaço imposto ao Brasil, a Casa Branca exigiu que “dissidentes políticos” no Brasil não fossem detidos, presos ou impedidos “arbitrariamente” de participar do pleito de outubro. Para integrantes do governo brasileiro, a exigência é uma intromissão nos assuntos internos do país. (Estadão)

E Donald Trump acusou o Brasil de não combater de forma suficiente o PCC e o Comando Vermelho e cobrou medidas “urgentes” contra as duas facções, recentemente incluídas pelos EUA na lista de organizações terroristas. A cobrança consta de relatório enviado ao Congresso americano e divulgado nesta quarta-feira pelo Departamento de Estado. (g1)

No Brasil, o relatório foi recebido pelo governo com espanto. Integrantes do Executivo classificaram como “política” a avaliação. (Globo)

  

O espancamento de um aluno da UFRJ pelos próprios colegas por usar supostos símbolos nazistas é o mais recente e violento episódio da intolerância por parte de grupos progressistas. No Meio Político desta semana, exclusivo para assinantes premium, Wilson Gomes explica a “base teórica” que esses grupos usam para justificar agressões. Faça uma assinatura premium e tenha acesso imediato ao Meio Político.

  

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Viver

O Brasil registrou 26 assassinatos de defensores ambientais em 2025, mais que o dobro dos 12 casos contabilizados no ano anterior. Com o aumento, o país passou da quarta para a segunda posição no ranking mundial elaborado pela ONG Global Witness, atrás apenas da Colômbia. A maioria dos crimes no Brasil esteve relacionada a disputas por terra. Dos casos registrados, sete envolveram territórios indígenas e 14, agricultores familiares. Rondônia e Pará concentraram, juntos, metade das mortes. Em todo o mundo, a Global Witness contabilizou 124 assassinatos de ambientalistas no ano passado. A América Latina respondeu por 105 casos, quase nove em cada dez. A Colômbia liderou a lista, com 39 homicídios. (Folha)

  

O Brasil enfrenta um risco crescente de falta de professores nos próximos anos, com o envelhecimento dos docentes e a redução da entrada de jovens na carreira. Dados divulgados pelo Instituto Semesp mostram que, entre 2015 e 2023, o número de professores do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1%, enquanto o de profissionais com 60 anos ou mais aumentou 104,5%. No período, o total de docentes do ensino médio cresceu 6,6%, mas a renovação da categoria não acompanhou esse movimento. (g1)

  

O Google fechou seu maior acordo de remoção de carbono até agora no mundo em um projeto no Rio Grande do Sul. A iniciativa abrangerá mais de 200 mil hectares e pretende combinar a redução das emissões de metano dos arrozais com a retirada de CO2 da atmosfera. O projeto utilizará o chamado intemperismo acelerado de rochas, técnica que busca intensificar o processo natural pelo qual determinadas rochas absorvem dióxido de carbono. A previsão é gerar 1 milhão de toneladas de créditos pela redução de metano até 2030 e outro 1 milhão de toneladas em créditos de remoção de carbono até 2040. (Terra)

  

Panelinha no Meio. O inverno está quase acabando, mas o frio está fazendo hora extra. Boa hora para uma sopa, como esta, de cenoura com curry e leite de coco. Para dar uma textura a mais, experimente acrescentar pipoca ou torradinhas.

  

Cultura

Em Antártida, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, Andrea Beltrão e Leandra Leal precisam resolver um mistério em uma base brasileira no continente gelado: quem violentou a recém-chegada cientista Inês (Marina Ruy Barbosa)? E o Brasil não contribui só com suspense para a programação. Há ainda um terror gótico-interiorano, um romance baseado em livro de Thalita Rebouças e uma comédia sobre uma produtora capaz de tudo para realizar seu filme. Confira todas as estreias e veja os trailers no site do Meio.

  

A Academia Brasileira de Cinema escolheu Feito Pipa, do diretor Allan Deberton, para representar o Brasil na disputa por uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2027. O longa conta a história de Gugu, um menino apaixonado por futebol que precisa enfrentar a possibilidade de deixar a avó, no sertão do Ceará, para morar com o pai, interpretado por Lázaro Ramos. A produção já venceu prêmios no Festival de Berlim e foi a grande vencedora também em Gramado. Feito Pipa concorreu com outros cinco finalistas no Brasil e estreia nos cinemas em 5 de novembro. A cerimônia do Oscar acontece em 14 de março de 2027. (Omelete)

  

O Grammy Latino divulgou nesta quarta-feira os indicados de sua edição de 2026, marcada para o dia 12 de novembro em Las Vegas. Cinco brasileiros aparecem nas categorias gerais: Anitta concorre a disco do ano com Equilibrivm, Loulu Gilberto disputa gravação do ano e artista revelação com O Amor Nos Encontrou, Zanna concorre a canção do ano com Nilo, e Zeca Veloso e Dora Sanches também estão na disputa por artista revelação. Outros brasileiros aparecem em categorias internacionais dividindo espaço com artistas estrangeiros, caso de Luísa Sonza, indicada a melhor interpretação reggaeton por participação em música de Sofía Reyes, e de Djavan, concorrendo a melhor álbum de cantor-compositor. Já Yamandu Costa aparece duas vezes, em melhor álbum instrumental e em melhor álbum de música folclórica. A premiação considera obras lançadas entre junho de 2025 e maio de 2026. (Folha)

  

Cotidiano Digital

Segundo o pesquisador independente Jonas Wiedermann-Moeller, os agentes de inteligência artificial da OpenAI conseguiram sequestrar contas de usuários do Hugging Face e sondaram o site em busca de vulnerabilidades já no dia 13 de maio, ou seja, quase dois meses antes da violação de segurança que ganhou repercussão em julho. A OpenAI já havia divulgado parte desse episódio em um relatório público, mas a extensão da sondagem parecia ir além do que havia sido descrito, segundo agora os especialistas que analisaram as evidências. A companhia afirmou ter notificado a Hugging Face sobre a atividade e reforçou o compromisso com a transparência, embora reconheça que alguns sinais iniciais de seus agentes deveriam ter provocado resposta mais rápida na época. Para Wiedermann-Moeller, a falha em detectar o comportamento em maio pode ter contribuído para o ataque de julho ser mais grave. (Reuters)

  

A Meta anunciou novas ferramentas para o Threads para criadores de podcasts, que podem passar a exibir cartões clicáveis com links de episódios diretamente nas publicações. A rede social também vai mostrar um banner de podcast no perfil de quem participa do programa, permitir a publicação de transcrições para os ouvintes acompanharem o conteúdo e possibilitar a marcação de convidados especiais, que aparecem em cartões próprios. Os criadores ainda poderão receber lembretes automáticos sempre que lançarem um novo episódio, além de acessar métricas detalhadas sobre como seguidores e não seguidores interagem com as publicações. (TechCrunch)

  

O STF está em pé de guerra, mas o Meio não. Aqui, a corrida eleitoral cabe numa conversa como a do Clube Meio Eleições: toda semana, um convidado diferente debate o cenário político ao vivo, com espaço para os membros perguntarem e discordarem. Nesta quinta (17), quem senta à mesa é o jornalista e analista político Alexandre Borges, que já reconstruiu a formação do bolsonarismo nas conversas gravadas do Clube e é presença recorrente no Central Meio. O encontro é exclusivo para quem já tem o passe ou assina o Premium + Cursos. Quer garantir uma vaga? Atualize a sua assinatura.


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