sexta-feira, setembro 18, 2026

Aumentar o Bolsa Família em R$ 91 é desrespeitar a inteligência do brasileiro, diz Caiado

 

Aumentar o Bolsa Família em R$ 91 é desrespeitar a inteligência do brasileiro, diz Caiado

Por Victor Ohana/Estadão Conteúdo

18/09/2026 às 12:50

Foto: Reprodução/Arquivo

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Ronaldo Caiado

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, voltou a criticar a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de anunciar o aumento do valor do benefício do Bolsa Família e a distribuição gratuita de canetas de emagrecimento para pessoas com obesidade. As declarações ocorreram nesta sexta-feira, 18, em entrevista ao canal da Gazeta do Povo no YouTube.

"À véspera da eleição, você vê uma atitude populista como essa aí. Agora eu vou aumentar R$ 91 no Bolsa Família. Quer dizer, isso é brincar com a inteligência do brasileiro, isso é desrespeitar a inteligência do brasileiro, e achar que o cidadão, a 16 dias, pode mudar, e comprar o voto por mais R$ 90", disse.

Caiado também voltou a dizer que fará um ajuste fiscal para controlar os gastos públicos por meio de uma emenda constitucional com um limitador de gastos do governo federal, de até 50% do crescimento do Produto Interno Bruno (PIB). O candidato também defendeu a revisão de isenções fiscais e de recursos para programas sociais.

O ex-governador de Goiás acrescentou: "Vou cortar 100% das emendas impositivas e vou cortar 25% do repasse do duodécimo aos Poderes e órgãos independentes da República".

Ao Jornal da Record, da TV Record, na quarta-feira, 16, Caiado já havia criticado os anúncios de novos gastos do governo. "Essas medidas agora, de reta final, aí. Estou vendo o Lula prometer canetinha de emagrecimento, aumentar o Bolsa Família. Tudo certo, mas não com essa aparência de populismo", declarou na ocasião.

Politica Livre


Nota da Redação Deste Blog - 


O PESO DO SISTEMA E A CONTA QUE SEMPRE CAI NO TRABALHADOR: Entre o Fundo Eleitoral Bilionário e o Debate do Ajuste Fiscal


Por José Montalvão


No cenário político brasileiro, há uma constante incômoda que atravessa governos e ideologias: quem paga o preço das crises e do custo do Estado é sempre o trabalhador e a população de menor renda. Enquanto o cidadão comum enfrenta a inflação no supermercado, a fila do posto de saúde e o suor diário para honrar seus impostos, as estruturas do poder seguem blindadas por privilégios que raramente entram na mira das grandes indignações nacionais ou de protestos corporativos da dita classe média.

O contraste é gritante e constrangedor. De um lado, assistimos à aprovação silenciosa e sem alarde de fundos eleitorais bilionários, verbas de gabinete infladas, penduricalhos salariais no alto escalão dos Poderes e o escoamento de bilhões de reais por meio de emendas parlamentares opacas. Do outro, quando o debate público se volta para o ajuste das contas públicas, as soluções apresentadas recaem invariavelmente sobre a contenção de serviços essenciais e o questionamento sobre benefícios sociais.

A Troca de Farpas Eleitoral e o "Ajuste Fiscal" na Pauta

A recente polêmica envolvendo o anúncio do governo federal quanto ao reajuste do Bolsa Família e à distribuição no SUS de canetas para tratamento de obesidade escancara essa disputa de narrativas na reta final do processo eleitoral.

As críticas do candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, classificando as medidas como "populistas" e "tentativa de compra de voto às vésperas do pleito", trazem à tona duas visões opostas sobre a gestão das contas públicas e o papel do Estado:

  1. A Crítica ao Populismo de Reta Final: O questionamento de que medidas de expansão de gastos sociais anunciadas a poucos dias da eleição funcionam como aceno eleitoreiro, mascarando a falta de reformas estruturais ao longo do mandato;

  2. A Proposta de Austeridade e Cortes nos Poderes: Em contrapartida, a defesa de uma Emenda Constitucional que limite o crescimento do gasto público a 50% do PIB, combinada com propostas incisivas como a extinção de 100% das emendas impositivas e o corte de 25% no duodécimo repassado aos Poderes e órgãos independentes da República (Legislativo, Judiciário e Ministério Público).

Onde Está a Indignação Contra as Mordomias?

A grande provocação que o trabalhador brasileiro faz diante desse debate é simples: por que a indignação com os gastos públicos só ganha força quando se trata de programas de transferência de renda ou investimentos na ponta social?

  • Emendas e Fundo Eleitoral: Onde estão os protestos ruidosos e as campanhas nas redes sociais contra os bilhões destinados ao financiamento de campanhas políticas e ao orçamento secreto ou emendas impositivas manipuladas nos bastidores do Congresso?

  • O Custo dos Privilégios: Por que o rigor fiscal não começa espontaneamente pelo enxugamento das supersalários e mordomias do topo da máquina pública, antes de se falar em corte de repasses ou limitação de reajustes para quem recebe o mínimo para sobreviver?

A verdadeira justiça fiscal exige que o remédio amargo da austeridade seja tomado, antes de tudo, por quem está no topo da pirâmide estatal. Cortar nacos do orçamento legislativo e estancar o duto das emendas parlamentares é, sim, uma medida necessária e moralizadora. Mas essa tesoura não pode ser cega para o lado do trabalhador.

Conclusão: O Povo Não Pode Ser Mero Espectador

A população brasileira, de Jeremoabo aos grandes centros urbanos, cansou de servir de amortecedor para os erros de planejamento e para a gastança dos governantes. O cidadão de baixa renda precisa do apoio do Estado, mas precisa, acima de tudo, de um país com economia hígida, sem inflação corroendo o seu prato de comida e sem esquemas de corrupção sangrando os cofres públicos.

Seja qual for o governante de plantão, o recado do povo precisa ser claro: ajuste fiscal sério se faz cortando na carne do sistema e dos privilégios dos Poderes, e não sacrificando ainda mais quem trabalha e produz para sustentar o Brasil!

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Analisando a política nacional sob a ótica do trabalhador, cobrando coerência dos candidatos e defendendo a justiça social!

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