Charge do Latuff (Arquivo Google)
Roberto Nascimento
Está mais do que clara a parcialidade do relator do caso Master, André Mendonça, que derrubou nas vésperas da eleição o sigilo das conversas do celular de Daniel Vorcaro, com menções a Alexandre de Morais, Paulo Gonet (PGR) e André Rodrigues (PF), enquanto mantinha guardadas a sete chaves as investigações do senador Flávio Bolsonaro sobre lavagem de dinheiro, evasão de divisas e peculato.
Será que o motivo foi eleitoreiro? A resposta está no boneco gigante de Mendonça que a direita exibiu no Sete de Setembro da Av. Paulista.
UNGIDO DE DEUS – O ego de Mendonça ficou inflado e ele agradeceu os elogios nas redes sociais. Michele Bolsonaro se pronunciou dizendo que Mendonça é o novo ungido de Deus, que veio em nome da Igreja para ser o novo xerife contra a corrupção no país e no mundo. Assim, a antiga banda de música da UDN está de volta, numa imitação do grupo que levou o presidente Getúlio Vargas ao suicídio em 1954.
Ficou claro que está em marcha no Brasil a mudança do Estado Laico para um Estado Religioso. E quem será o Aiatolá brasileiro? A luta já começou. Além de Flávio Bolsonaro, vários pastores reivindicam a liderança do Poder Religioso acima do Estado, como um Poder de Fato como capa de Moderador.
Nesse clima, pode-se até criticar o ministro Dino no julgamento de ontem, mais ele acertou no pedido de vista, porque essa disputa entre os togados pode influenciar as eleições para um lado perigoso, o da extrema-direita.
FALA, CRIVELLA – Por que digo isso? Porque vi no horário gratuito do Rio, o candidato a senador e pastor Marcelo Crivella apoiar a cruzada moralista de Mendonça e pedir votos para no Senado, onde trabalhará pelo impeachment de ministros envolvidos com Vorcaro.
Essa é a pior eleição de todos os tempos. Ninguém discute propostas para o país. Um bando de oportunistas, torcendo para um cadáver no STF. Diante das câmaras, Flávio Bolsonaro crítica Moraes e Dino, mas ele próprio está envolvido até o pescoço na teia do Vorcaro/Master.
Tem muita gente em Brasília, com medo da volta da “Turma”, aquele grupo que fazia maldades a mando de Vorcaro. A propósito, ninguém investigou por qual razão o “Sicário” de Belo Horizonte, deu fim à própria vida na cela.