sexta-feira, setembro 29, 2023

Putin prepara a volta do Grupo Wagner para a Guerra da Ucrânia

 

Putin prepara a volta do Grupo Wagner para a Guerra da Ucrânia

Por Igor Gielow | Folhapress

Putin prepara a volta do Grupo Wagner para a Guerra da Ucrânia
Foto: Reprodução / Kremlin

O presidente Vladimir Putin prepara a volta do Grupo Wagner para a Guerra da Ucrânia, um mês e uma semana após a morte em circunstâncias obscuras do fundador da entidade mercenária que havia se rebelado contra as Forças Armadas da Rússia.
 

No fim da noite de quinta (28), Putin recebeu no Kremlin Andrei Trochev, um dos mais experientes comandantes militares do Wagner, conhecido pelo nome de guerra Sedoi (grisalho, em russo). O vice-ministro da Defesa Iunus-Bek Ievkurov, que operou a tomada de controle pela sua pasta da estrutura do Wagner, estava presente.
 

"Unidades voluntárias podem executar várias tarefas de combate, acima de tudo, claro, na zona da operação militar especial", afirmou Putin no trecho gravado do encontro, usando o eufemismo oficial para a guerra. Trochev apenas concordava, sem falar nada.
 

"Você mesmo esteve lutando numa unidade dessas por mais de um ano. Sabe como é, como deve ser feito", disse o presidente.
 

A excepcional divulgação ocorre 38 dias depois que o jatinho Embraer Legacy 600 de Ievguêni Prigojin, o homem conhecido como "chef de Putin" por uma relação pessoal com o presidente que começou quando ele era dono de um restaurante em São Petersburgo, aparentemente sofreu uma explosão e caiu perto de Moscou.
 

Aparentemente porque ninguém deverá saber o que de fato ocorreu, já que as investigações não foram feitas pela autoridade aeronáutica russa —tanto que o pedido de cooperação de praxe com a fabricante brasileira no caso nunca ocorreu.
 

Morreram com Prigojin outras nove pessoas, muitas delas da cúpula do Wagner, entidade formada em 2014 para operar na anexação da Crimeia que acabou se tornando uma força militar com presença em cerca de 10 países, 7 deles africanos, auferindo do Estado russo R$ 5 bilhões anuais, fora contratos de todo tipo no exterior.
 

O Wagner tem de minas de ouro em Mali a uma cervejaria na República Centro-Africana. Estimativas tão extraoficiais quanto o grupo, que nunca teve existência legal como companhia militar privada na Rússia embora seus escritórios estivessem em todo canto, dizem que ao longo dos anos Prigojin amealhou até R$ 100 bilhões.
 

A queda do avião ocorreu dois meses depois de Prigojin liderar um inédito motim contra a cúpula da Defesa russa, que queria tomar controle do Wagner. Com isso, expôs Putin e fragilidades inauditas de seu sistema de controle do país. O Kremlin nega que o presidente tenha ordenado a morte do ex-aliado, claro.
 

Agora, o governo fez questão de deixar claro com quem negociava ao falar com Trochev, apontado pelo influente jornal Kommersant como o homem escolhido por Putin para comandar a operação do Wagner —que pode ou não manter seu antigo nome.
 

"Ele trabalha para o Ministério da Defesa", disse à agência RIA-Novosti o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. Quantos homens e qual estrutura Trochev herdará, contudo, é uma incógnita. Na época do motim, Prigojin dizia ter à disposição 25 mil soldados na Rússia, a maioria recém-chegada da Ucrânia.
 

No país invadido, o grupo foi instrumental para a mais simbólica vitória russa neste ano, a conquista do bastião de Bakhmut, no leste do país. Mas foi uma vitória dura, após sete meses dos combates até então mais sangrentos da guerra, no qual o Wagner empregou como bucha de canhão humana prisioneiros saídos da cadeia em troca de serviço militar.
 

Ao menos 10 mil, de um total alegado pelo "chef de Putin" de 16 mil mortos na batalha, eram ex-detentos como ele, preso por dez anos na juventude por crimes de rua. Eles eram empregados de forma algo suicida, em ataques frontais de infantaria, e ao fim prevaleceram pelo maior número.
 

O que se sabe é que, de lá para cá, Putin buscou tomar para si o controle da vasta estrutura do Wagner. O vice-ministro Ievkurov foi o operador disso, ao visitar países como a Síria e a Líbia, onde o Kremlin também apoia um lado da guerra civil. Parte do grupo está na aliada do Kremlin Belarus, ou esteve, dadas as informações contraditórias sobre isso.
 

A exposição pública nesta sexta (29) do movimento de Putin sugere que Ievkurov e Trechov vão trabalhar juntos, com uma relação presumida de subordinação por parte do mercenário, um veterano de guerras no Afeganistão e na Tchetchênia. Em 2016, ele virou Herói da Rússia, mais alta condecoração do país, por seu papel na tomada de Palmíria, na Síria, das mãos do Estado Islâmico.
 

Com isso, está aberto um novo capítulo de uma das mais nebulosas histórias relacionadas à Guerra da Ucrânia. Não se sabe qual papel estará reservado ao Wagner agora, em meio à claudicante contraofensiva da Ucrânia. Analistas militares russos dizem que há menos falta de pessoal do que no ano passado, mas a experiência militar dos veteranos pode fazer diferença.
 

Ao longo do conflito, Prigojin bateu de frente com Serguei Choigu, o poderoso ministro da Defesa, o acusando de sabotar o trabalho dos mercenários por inveja de seus resultados. Deu no que deu. Logo depois da morte do mercenário, Putin editou um decreto obrigando mercenários a jurar lealdade ao Estado russo. No encontro com Trochev, prometeu benefícios previdenciários a quem lutar na Ucrânia.
 

Tudo isso havia sido feito por Choigu em junho passado, levando ao motim do Wagner. A concordância televisionada de Trochev sugere que, ao fim, os mercenários foram dobrados, mas o histórico requer prudência antes de conclusões definitivas.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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