terça-feira, setembro 26, 2023

Bahia lidera no Nordeste número de paciente na fila por transplante; veja ranking


Por Mauricio Leiro / Victor Hernandes

Bahia lidera no Nordeste número de paciente na fila por transplante; veja ranking
Foto: Sesab

Com 3.296 pacientes na fila de espera por algum tipo de transplante, a Bahia se tornou o estado da Região Nordeste com o maior número de registros de espera por um transplante. De acordo com dados do Ministério da Saúde, via Lei de Acesso à Informação (LAI), pela Fiquem Sabendo, organização especializada no acesso a informações públicas a Bahia ocupa também a 5º posição entre as unidades da federação com as maiores filas. O estado fica atrás somente de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. 

 

Os dados mostraram que desses 3.296 pacientes que esperam por um órgão atualmente, 1.940 aguardam por um transplante de rim, 31 de fígado e 1.325 representam o transplante de córnea. 

 

Para o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Eraldo Moura, o grande volume na fila se deve à quantidade populacional que a Bahia possui. O especialista afirmou que quanto maior o número da população maior o número de pessoas na fila de espera. 

 

“A gente tem uma população grande. Temos a quinta população do país. Isso é um fator que predispõe. Se você pegar o Paraná hoje, ele tem uma lista semelhante à nossa aqui.O Paraná tem uma população menor do que a gente, então lá eles conseguem colocar mais pacientes na fila. Os transplantes acontecem em qualquer segmento da sociedade, então quanto mais população tiver mais pacientes vão precisar de transplante. A gente tem essa proporção de quantos transplantes eu vou precisar para determinado órgão por milhão de população. Por isso, quanto maior a população, mais pacientes vão precisar ser transplantados”, explicou. 

 

BAIXA DOAÇÃO

Segundo Eraldo, outro fator que influencia no número da fila de transplantes é a baixa doação de órgãos. 

 

“São outros dos fatores. Se eu dou mais eu transplanto mais, retiro pacientes da lista para outros serem transplantandos. Então essa é uma possibilidade. Quando tem mais doação sai mais pacientes da lista. Porém não é só esse fator específico. A gente avalia, por exemplo, que São Paulo tem o número maior de doadores na população por um milhão de habitantes do que a Bahia, mas eles têm 20 mil pacientes na lista de espera. 

 

O especialista apontou ainda que incentivar a doação é uma das maneiras de diminuir a fila. "À medida que você vai educando a população tanto do ponto de vista da importância da doação de órgãos, quanto ao esclarecimento da sociedade do ponto de vista de se identificar os pacientes que têm indicação do transplante, você vai fazendo com que esse número de pacientes do estado fique estável”, disse. 

 

TRANSPLANTE DE RIM E DE FÍGADO

O transplante de rim e de córnea são os que mais possuem pacientes na lista de espera na Bahia. Com quase duas mil pessoas aguardando na lista atual, entre 2012 a 2023, mais de 9.000 pacientes com faixa etária de 18 a 34 anos e 35 a 49 anos realizaram o procedimento para receber um rim. De acordo com Eraldo, o número se deve por conta da prevalência da enfermidade e pela existência de tratamentos para a doença. 

 

“A doença renal é uma doença muito prevalente. Por isso a importância da gente trabalhar com prevenção. Quando eu não tenho o transplante, você não tem possibilidade de cura de muitas doenças dentre essas doenças as doenças renais. Então hoje a gente tem uma população no estado de quase 9.000 baianos que já receberam anteriormente. Quem precisa de córnea perde muito de qualidade de vida, mas não é uma situação que vá causar a morte precoce do paciente. Já o transplante renal têm a terapia renal substitutiva, hemodiálise e ele continua vivo. Por isso que tanto a córnea quanto os rins são as maiores filas”, contou. 

 

Já o transplante de fígado tem uma lista menor na Bahia por conta da urgência de se iniciar o tratamento, conforme explicou o especialista. “O transplante de fígado, coração e pulmão o paciente se não for transplantado a chance dele morrer precoce é muito grande. Então, por isso que as filas são menores. Ou você transplanta ou você tem uma chance muito maior de morrer precoce no primeiro ano”, observou. 

 

Mesmo com a urgência de realizar o tipo de transplante, o Estado da Bahia não tem em sua lista de procedimentos ofertados alguns dos transplantes de órgãos. Pacientes que precisam realizar um transplante de pulmão, pâncreas e coração são transferidos para outras unidades federativas. O transplante de pulmão e coração até foi iniciado na rede estadual de saúde baiana, em 2015, no Hospital Ana Nery, mas parou de ser ofertado desde 2018. Já o de pâncreas nunca foi ofertado na Bahia. 



 

RANKING

Fonte: Ministério da Saúde 

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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