quarta-feira, setembro 27, 2023

Governo de Sergipe se diz novo, mas tem cara de velho

 em 27 set, 2023 7:59

Adiberto de Souza

Embora propague ser novo e cheio de ideias progressistas, o governo de Sergipe é composto, em boa parte, por figuras resgatadas das gestões anteriores, algumas delas com propostas ultrapassadas. Ainda ontem, o governador Fábio Mitidieri (PSD) empossou o administrador de empresas George Trindade na presidência da Administração Estadual do Meio Ambiente. Trata-se de um técnico que desde 2013 vem se revezando em cargos comissionados tendo, portanto, passado pelas três últimas gestões estaduais. Antes desse fidalgo, o chefe do Executivo já havia nomeado nove ex-secretários dos governos Marcelo Déda (PT), Jackson Barreto (MDB) e Belivaldo Chagas (PSD). Ressalte-se também os inúmeros auxiliares do 2º escalão que transitam há décadas pela máquina estatal. Nada contra a nomeação deste ou daquele secretário, porém enquanto continuar se socorrendo com quadros que atuaram nas gestões anteriores e que não se destacaram pela inovação de ideias, Fábio Mitidieri não conseguirá sustentar o discurso de que faz um governo inovador, como tenta fazer crer a propaganda oficial. Marminino!

Câmara maior

Como já era esperado, a Câmara Municipal de Aracaju sancionou o projeto aumentando de 24 para 26 o número de vereadores, medida que já vale para as eleições de 2024. A ampliação do Parlamento aracajuano se fundamentou no censo demográfico 2022, que atestou o crescimento da população em 5,98%. O presidente em exercício da Câmara, Fabiano Oliveira (PP), fez questão de ressaltar que, embora o número de parlamentares tenha sido ampliado, não haverá aumento do orçamento do Legislativo. Ah, bom!

Triste constatação

A região Metropolitana de Aracaju tem mais de 400 mil domicílios particulares ou 41% das residências de Sergipe, conforme o último censo demográfico. Chama a atenção, porém, que somente na capital existem 48 mil moradias não ocupadas. Estes dados estão no artigo assinado pelas pesquisadoras Sarah Lúcia Alves França, Viviane Luise de Jesus Almeida e Catarina Carvalho Santos Melo. Segundo o estudo, nos outros três municípios da área metropolitana, Socorro apresenta o segundo maior número de domicílios desocupados: cerca de 16 mil. É lastimável que, enquanto há tantos domicílios vazios, falte moradias para milhares de famílias. Eita Brasilzão sem jeito!

Triste constatação

A região Metropolitana de Aracaju tem mais de 400 mil domicílios particulares ou 41% das residências de Sergipe, conforme o último censo demográfico. Chama a atenção, porém, que somente na capital existem 48 mil moradias não ocupadas. Estes dados estão no artigo assinado pelas pesquisadoras Sarah Lúcia Alves França, Viviane Luise de Jesus Almeida e Catarina Carvalho Santos Melo. Segundo o estudo, nos outros três municípios da área metropolitana, Socorro apresenta o segundo maior número de domicílios desocupados: cerca de 16 mil. É lastimável que, enquanto há tantos domicílios vazios, falte moradias para milhares de famílias. Eita Brasilzão sem jeito!

Ponte festejada

O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), assinou, ontem, o edital para licitação da obra de construção do complexo viário sob o rio Poxim, que interligará a avenida Tancredo Neves ao bairro Coroa do Meio, em Aracaju. O empreendimento engloba um viaduto, uma ponte estaiada e ciclovia, resultando num investimento total de R$ 363,9 milhões. As obras devem ser iniciadas ainda este ano, com a expectativa de ficar pronta em 30 meses. O objetivo do projeto é melhorar a mobilidade urbana de Aracaju. Então, tá!

Igreja do barulho

Tem muita gente em Macambira, município da região agreste de Sergipe, tiririca de raiva com o padre Paulo Moura. Tudo porque, de uns dias pra cá, o reverendo deu pra ligar o alto-falante da Igreja às 5 horas da madrugada, acordando cristãos, ateus e demais viventes. Os opositores do barulho infernal antes de o sol raiar prometem bater à porta da Justiça para exigir que seja respeitada a lei do silêncio. Pelo visto, padre Paulo Moura deita cedo demais ou sofre de insônia. Crendeuspai!

Atrás de recursos

O presidente Lula da Silva (PT) e a ministra da Saúde, Nísia Trindade, receberam em audiência o senador Rogério Carvalho (PT). O petista se fez acompanhar do diretor do Hospital do Amor, Henrique Prata, e do lagartense Juquinha Carvalho. Segundo Rogério, está sendo feito um grande esforço visando conseguir os recursos para o hospital começar a funcionar. Após a conclusão da obra, o senador e demais lideranças políticas lagartenses estão se empenhando para garantir o custeio do hospital, especializado no tratamento do câncer. Tomara que consigam logo!

Correndo a sacolinha

A Cúria Metropolitana tem corrido a sacolinha para conseguir cerca de R$ 6 milhões visando concluir a demorada reforma da Catedral de Aracaju. Ontem, os religiosos receberam as visitas do senador Alessandro Vieira (MDB) e da deputada federal Katarina Feitoza (PSD), a quem pediram que coloquem emendas parlamentares dirigidas à obra. Anteriormente, os representantes do clero já fizeram o mesmo apelo aos demais integrantes da bancada federal de Sergipe. Pelo visto, agora a coisa anda. Aff Maria!

Defesa da moringa

A depender do deputado federal João Daniel (PT), a planta moringa será liberada para alimentação humana. Acompanhado por pesquisadores, o petista esteve na Anvisa reivindicando a liberação do uso da moringa pela população. Hoje ela já é utilizada na ração de aves, suínos e coelhos. De acordo com a professora Angélica Marquettoti Salcedo Vieira, da Universidade Estadual de Maringá, tanto a folha, quanto as sementes da moringa podem ser utilizadas pelos humanos. A planta possui propriedades antioxidantes, que promovem a inibição da oxidação de produtos e da rancidez em alimentos gordurosos. Danôsse!

Lenga-lenga

E o governador Fábio Mitidieri (PSD) voltou a receber a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe. Na pauta, a proposta de retomada da carreira do magistério, uma velha reivindicação da categoria que vem sendo postergada há décadas. O pedessista repetiu que sempre esteve aberto ao diálogo e agendou uma nova reunião para quando outubro chegar. Quer apostar uma mariola de goiaba como os professores ainda vão gastar muita saliva antes que seja implantada a carreira do magistério? Só Jesus na causa!

De olho em 2026

O ministro Márcio Macêdo (PT) foi visitado pelo vereador aracajuano Zezinho do Bugio (PSB). Os dois trataram sobre “os investimentos históricos” que Aracaju receberá, graças às emendas parlamentar apresentadas pelo petista. O distinto também ressaltou o empréstimo de R$ 500 milhões que o Banco dos BRICS, presidido pela petista Dilma Rousseff, fará à Prefeitura da capital. Num discurso com tom eleitoral, Macêdo afirmou que continuará trabalhando por Aracaju e por Sergipe. E ainda há quem não acredite numa provável candidatura do ministro ao governo do estado, em 2026. Quem viver, verá!

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Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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