domingo, janeiro 31, 2021

Candidatos à presidência da Câmara são alvos de processos na Justiça e investigações

 

Entre as acusações estão crimes de difamação por mensagens publicadas nas redes sociais, investigações sobre corrupção, lavagem de dinheiro e agressão, com citações em operações como a Lava Jato

Redação
Foto: Câmara dos Deputados
Foto: Câmara dos Deputados

 

Um levantamento feito pelo site G1 aponta que dos 9 candidatos a presidência da Câmara dos Deputados, que acontece na segunda-feira (1º), 8 parlamentares são investigados e responde, ou já respondeu, a processos na Justiça.

Entre as acusações estão crimes de difamação por mensagens publicadas nas redes sociais, investigações sobre corrupção, lavagem de dinheiro e agressão, com citações em operações como a Lava Jato, Taturana e Sevandija. O único sem acusação ou processo judicial é General Peternelli (PSL-SP). Confira a lista:

Foto: Agência Câmara
Foto: Agência Câmara

 

Alexandre Frota (PSDB-SP): o deputado federal é alvo de uma ação apresentada pelo colega de partido, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA), por injúria, calúnia e difamação, após Frota afirmar no Twitter que ele é negociador de votos de Arthur Lira (PP-AL) em troca de emendas parlamentares.

Frota tem uma queixa-crime rejeitada pelo ministro Luiz Fux, que apresentada pelo empresário Otávio Oscar Fakhouri. Na ocasião, o deputado disse que Fakhouri era integrante de um grupo ligado à ala ideológica do governo Bolsonaro de Olavo de Carvalho.

O deputado foi condenado pela Justiça de São Paulo, em primeira instância, a indenizar o ex-presidente do PT de Ubatuba Gerson Florindo por danos morais após acusar Florindo de se passar por apoiador de Bolsonaro para xingar Haddad em uma igreja. Ele também foi condenado em 2018 a pagar R$ 295 mil por injúria e difamação por ter atribuído uma fala falsa sobre pedofilia ao ex-deputado federal Jean Wyllys.

Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados
Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

 

André Janones (Avante-MG): o deputado responde a um processo cível na Justiça de MG após ter chamado o chefe de gabinete do então prefeito de Capelinha (MG) de estelionatário e nepotista.

Outro processo ligado a Janones é de um vídeo com críticas aos políticos de Barbacena (MG) intitulado “Em Barbacena ninguém vai pagar IPTU para sustentar corrupto”. Janones respondeu na Justiça mineira outros dois processos por injúria, calúnia, difamação e desacato.

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

 

Arthur Lira (PP-AL): forte candidato à presidência, Lira é acusado por corrupção passiva dentro da operação Lava Jato. Segundo investigadores o parlamentar recebeu R$ 1,6 milhão em propina da empreiteira Queiroz Galvão.

Lira também é acusado de ter aceitado R$ 106 mil de propina do então presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Francisco Colombo, em troca de mantê-lo no cargo.

Em 2019 o deputado foi investigado por organização criminosa com outros três parlamentares do PP. Lira foi acusado de desviar dinheiro da Petrobras.

Lira foi investigado por suspeita de participação em um esquema de desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa de Alagoas na Operação Taturana, é alvo de uma ação apresentada pela ex-mulher, Jullyene Cristine Santos Lins, foi acusado de agressão física pela ex-companheira em 2006 e 2007 e também teve uma arma apreendida após a denúncia de Jullyene, que teria sido usada para ameaçá-la.

Foto: Najara Araújo/ Agência Câmara
Foto: Najara Araújo/ Agência Câmara

 

Baleia Rossi (MDB-SP): o nome do deputado é na investigação de um esquema criminoso que teria desviado mais de R$ 200 milhões da Prefeitura de Ribeirão Preto (SP). As investigações fazem parte da Operação Sevandija, de 2016.

Rossi ainda aparece na delação premiada da JBS, após Joesley Batista afirmar que pagou R$ 240 mil à Ilha Produções, cujo dono é irmão do deputado. O valor teria servido como caixa 2 para a campanha eleitoral de Baleia em 2010.

Foto: Câmara dos Deputados
Foto: Câmara dos Deputados

 

Capitão Augusto (PL-SP): o parlamentar responde a um processo por calúnia após ter ofendido à família de um adversário político em Marília, São Paulo.

Fábio Ramalho (MDB-MG): o deputado foi investigado pelo STF em um inquérito que apurou suposta prática de fraude em licitações em municípios de Minas Gerais.

O parlamentar também foi investigado por ter atuado em favor de uma empresa farmacêutica junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de ter sido citado na delação de executivos da Odebrecht.

Luiza Erundina (PSOL-SP): a deputada foi condenada em uma ação popular, após a Justiça entender que ela não poderia ter usado dinheiro público para pagar publicações em apoio à greve geral de 1989.

Marcel Van Hattem (Novo-RS): o deputado respondeu a um processo por um atropelamento ocorrido em 2006 próximo a Novo Hamburgo (RS). A vítima morreu meses depois em decorrência dos ferimentos. O processo foi extinto sem condenação criminal em 2011. O Ministério Público não apresentou denúncia.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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