sexta-feira, janeiro 29, 2021

Reforma ministerial: Onyx Lorenzoni pode voltar a despachar no quarto andar do Planalto

Publicado em 28 de janeiro de 2021 por Tribuna da Internet

Onyx articulou para que Arthur Lira ganhasse apoio dentro do DEM

Jussara Soares e Natália Portinari
O Globo

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, deve voltar a despachar no Palácio do Planalto. Enquanto aguarda o resultado das eleições no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro faz cálculos de como movimentar as peças no xadrez e avalia entregar ao ex-chefe da Casa Civil o comando da Secretaria-Geral da Presidência. Com essa jogada, a Cidadania, um dos alvos do apetite do Centrão, fica disponível para ser entregue a partidos políticos aliados.  

A possibilidade de reacomodar Onyx no quarto andar do Palácio do Planalto passou a ser cogitada após o ministro, filiado ao DEM, ter papel fundamental na articulação para que Arthur Lira (PP-AL), candidato de Bolsonaro à presidência da Câmara, ganhasse apoio dentro da legenda.

RACHA – O movimento criou um racha no partido de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que até então vinha declarando apoio a Baleia Rossi (MDB-SP). ACM Neto, presidente do partido, conversou com Onyx Lorenzoni recentemente e ouviu os apelos da ala governista do partido. Com isso, foi convencido a ficar neutro na disputa.

Com esta movimentação, Onyx ganhou como aliado  Arthur Lira,  que a interlocutores critica o excesso de militares com assento na sede do governo. Bolsonaro também vem relatando reservadamente que está sentindo falta de auxiliares políticos mais próximos.  

Atualmente, três generais ocupam assentos no Planalto:  Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Walter Braga Netto, que substituiu Onyx na Casa Civil em fevereiro do ano passado.  

COMANDO INTERINO  – Já a Secretaria-Geral está sendo comandada interinamente depois por Pedro Cesar Nunes, subchefe de Assuntos Jurídicos, desde que Jorge Oliveira deixou o governo no final de 2020  para tomar posse como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Dois integrantes do governo disseram ao O Globo que a decisão da volta de Onyx Lorenzoni para o Planalto  já é tratada como definitiva.  Outro, por sua vez, diz que a  situação é considerada  “99% certa” e lembrou que neste governo  “nada está totalmente acertado até estar no Twitter.”

Onyx se reuniu na terça-feira com Bolsonaro no gabinete presidencial. Foi o terceiro encontro neste ano.  As outras visitas ocorreram no dia 7 e 19 de janeiro. Nesta quarta-feira, em entrevista ao apresentador José Luiz Datena na Rádio Bandeirantes, Onyx, quando questionado sobre a possibilidade de assumir a Secretaria-Geral, respondeu que “onde o presidente me escalar eu vou jogar.”

ARTICULAÇÃO – “A camiseta que ele me der eu vou jogar. A gente tem um objetivo de ajudar o Brasil e transformar o Brasil. Então, onde ele julgar que eu possa ajudar mais eu vou estar lá”, disse o ministro. Também conta a favor de Onyx o fato de ele ter sido um dos principais articuladores políticos da candidatura em 2018 de Bolsonaro.  E, segundo interlocutores do governo, poderia novamente ser aproveitado para organizar o projeto da reeleição de 2022.

O ministro da Cidadania também tem a vantagem de se relacionar bem com os filhos do presidente. Em dezembro, Onyx fez um discurso inflamado no lançamento do Instituto Conservador-Liberal, fundado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e pelo advogado Sérgio Sant’Ana, com o objetivo de organizar a direita.

Ficar com a Secretaria-Geral significaria para Onyx mais uma reviravolta na trajetória dentro do governo.   Um dos coordenadores de campanha de Bolsonaro em 2018, o ministro iniciou a gestão como o homem forte do governo, mas aos poucos foi sendo esvaziado.  

DESGASTE –  Primeiro perdeu a articulação política, em junho de 2019, para o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo. Em seguida, passou a ser criticado internamente por não conseguir gerenciar a Esplanada, o que fazia com que os problemas dos ministérios parecem diretamente na mesa do presidente. Após meses de desgaste, foi substituído pelo general Braga Netto na Casa Civil e foi deslocado na Cidadania.

No Ministério da Cidadania, que entre outras tem a missão de gerenciar o Bolsa Família e o auxílio-emergencial, Onyx também foi criticado por ter feito uma gestão sem brilho e sua volta à Câmara de Deputados era considerada certa. Entretanto, enquanto detratores falavam em perda de espaço, aliados defendiam que ele estava trabalhando em silêncio.

A Secretaria-Geral abriga a Subchefia de Assuntos Jurídicos, um dos órgãos mais importantes do governo por ser responsável pelos atos jurídicos do presidente. Entretanto, a avaliação no Planalto é que a SAJ, comandada por Pedro César Nune, ex-chefe de gabinete de Bolsonaro, tenha uma vida própria. Neste caso, Onyx não teria interferência direta no órgão, e a Secretaria-Geral se resumiria a uma espécie de zeladoria do Planalto. O posto tem menos poder que a Casa Civil, no entanto, tem o prestígio de despachar na sede do governo com acesso facilitado ao gabinete do presidente.

INDICAÇÃO – Com a saída de Onyx, o Ministério da Cidadania ficaria à disposição para uma indicação política. Parlamentares do Republicanos e do PP estão de olho no órgão.  O presidente ainda não fez ofertas aos políticos, mas o centrão está de olho na Casa Civil, Secretaria de Governo, Cidadania, Minas e Energia. Além disso, pleiteia a recriação de Indústria e Comércio e Planejamento.

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas