terça-feira, fevereiro 11, 2014

SEMPRE HAVERÁ LUZ NO FIM DO TÚNEL

SEMPRE HAVERÁ LUZ NO FIM DO TÚNEL.

Li no Jornal do Brasil online que o CNJ estaria fazendo uma verdadeira devassa no TJBA,

incluindo-se a apreciação de um contrato milionário firmado entre o TJBA e o Instituto

Brasiliense de Direito Público – IDP-, cujo dono é o ministro do STF, Gilmar Mendes, aquele

que disse que MP deveria investigar as doações feitas para o ex-deputado Genoíno pagar a

multa imposta na AP 470, por entender que poderia haver lavagem de dinheiro. O contrato

TJBA e IDP girou em torno de R$ 10 milhões. Segundo o Ministro Francisco falcão "parece que

a lei de licitações (na compra de serviços e produtos) jamais passou por aqui”.

No lançamento do programa contratado pelo TJBA ao IDAP, além do Ministro do STF e

proprietário Gilmar Mendes, também participou do evento o então Ministro Presidente do

STF e do CNJ, Ayres Britto. Por falar no ex-ministro Ayres, na semana em curso ele soltou

mais uma de suas criações. Segundo ele que embora nomeado pelo ex-presidente Lula para

o STF se portou como real representante da falida burguesia nacional, “a política é para ser

judicializada”, pois “o Legislativo trabalha de rédea curta porque é controlado pelo Judiciário

na constitucionalidade das leis”, o que vale dizer, o STF acima de todos e da própria CF.

O Dr. Roberto Delmanto, do escritório Delmanto Advocacia Criminal em artigo assinado para a

impressa especializada, nos proporciona a ideia do pensamento da elite política brasileira:

“As elites que governaram o Brasil desde sempre, inclusive a da minha geração, falharam.

Receberam o mais belo dos países, com natureza, riquezas florestais, minerais, fluviais e

marítimas incomparáveis, sem terremotos, maremotos ou vulcões e, principalmente, com um

povo maravilhoso, e o transformaram em uma das nações socialmente mais injustas.

Hoje somos a sétima ou oitava economia do mundo, mas, paradoxal e infelizmente, um dos

países com maior desigualdade social, com enorme déficit educacional, habitacional, de saúde

e sanitário.

As mesmas elites que nos levaram a essa terrível situação - só passível de ser corrigida em

décadas de desenvolvimento sustentável, controle inflacionário e grandes investimentos

sociais -, em princípio temeram, e depois rejeitaram, a ascensão de um operário à Presidência

da República.”

Para completar a tríade dos maus exemplos leio na noite de hoje (09/02) no blog do Porfírio

sobre matéria publicada no O Globo, edição de hoje, sob o título Ponte da Ditadura, de que

o MPF - Ministério Público Federal pretende peticionar a mudança do nome da Ponte Rio-
Niterói pela alusão ao general Artur da Costa e Silva. Para dizer a verdade, eu nunca tive

conhecimento de que a ponte Rio-Niteroi como efetivamente é conhecida, depois de pronta

tivesse tomado o nome do ex-presidente militar ditador Costa e Silva.

Eu diria que há excesso de holofotes e a busca incessante pela notoriedade. Se o MPF

pretende agora se dizer coveiro da ditadura, não se deve esquecer que o Ministério Público

como instituição foi um parceiro colaborador da ditadura militar e era o responsável em

processar os brasileiros com base na Lei de Segurança Nacional. Pedro Porfírio, no particular,

expressou:

“Essa transformação do inventário do regime militar em peça simbólica e meramente

midiática é pura má fé. É jogo de cena de quem cultiva a "indústria das sensações", fazendo

da mistificação e do embuste fontes de cortinas de fumaça desonestas e manipuladoras.

Oferecem-nos, assim, a "sensação de que a ditadura está sendo punida".

Quanto ao Judiciário Baiano objeto de incessantes correções pelo CNJ e que teima em se

colocar na idade da pedra lascada com suas arcaicas estruturas, falta de comprometimento

com a coisa pública a servir da de chacota para todos, vamos esperar muito ainda. No último

dia 30 estive em uma Comarca de Alagoas e na audiência o magistrado de origem mineira me

disse soube que a justiça da Bahia era a pior o Brasil. Aleguei que isso era verdade e já havia

certas melhorias, especialmente na rapidez nos julgamentos dos recursos. Um alento.

Finalmente se apresenta uma luz no fim do túnel. A deputada pelo PSB-SP Luiza Erundina

apresentou um Projeto de Emenda à Constituição, de nº. 275/2013, transformando o STF em

Corte Constitucional, transferindo parte das atribuições do STF para o STJ. Não que a PEC seja

um primor e que deva ser abraçada de logo. Ao contrário, é para ser discutida e aperfeiçoada,

se redefinir a competência do STF e o palco de suas atuações.

Em artigo sob o título Tribunal de Instrução, datado de 06.09.2007, publicado em sites

especializados como Jus Vigilantibus, papiniestudosjurídicos, jus online, viajus e outros

sustentei a transformação do STF em Corte Constitucional ao dizer:

“É lamentável que propalada reforma do Poder Judiciário judiciária não tenha criado a Corte

Constitucional. Ainda quando na efervescência do escândalo do Mensalão o STF virou esquina

dos demais Poderes da República. Tudo lhe era submetido à apreciação, Habeas Corpus e

mandados de seguranças, impetrados contra ato de Presidência de Comissões ou da Mesa da

Câmara Federal por pessoas que seriam ouvidas no Órgão Fracionário do Poder Legislativo.

Qualquer pessoa que viria a ser ouvido de pronto impetrava HC quando isso poderia ser

apreciado por um Juiz Federal de 1ª ou 2ª instâncias, ou mesmo pelo STJ. A quem cabe à

interpretação da Constituição não pode servir como juízo de instrução processual comum. É

preciso preservar o STF e retirar-lhe a mera função de juízo de instrução penal ou permanecer

com ele e criar o Tribunal Constitucional.”

Paulo Afonso, 09 de fevereiro de 2014.


Fernando Montalvão.

Montalvão Advogados associados.



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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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