segunda-feira, agosto 06, 2012

ATLETAS NÃO OLIMPICOS

Em paralelo as Olimpíadas em Londres o STF deu início a maratona do caso mensalão para satisfação da TV Globo que perdeu o direito de transmissão e das legendas de oposição ao Governo Federal que buscam auferir rendimentos com o julgamento.
 Na abertura das olimpíadas forense o Procurador Geral da República por cinco horas leu sua missa encomendada e no segundo dia de julgamento, na apreciação do incidente processual suscitado pelo ex-ministro Tomas Bastos que pedia para desdobrar os processos remetendo as instâncias inferiores o julgamento dos réus sem foro privilegiado, o pau quebrou entre os ministros Joaquim Barbosa e Lewandowski. No chamado mensalinho mineiro, escândalo envolvendo o PSDB, quem não tinha foro privilegiado foi julgado por juiz de 1º grau. São dois pesos e duas medidas.
Na olimpíada do mensalão, na tarde de hoje  (06.08), dois atletas não foram a lugar nenhum, os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, flagrados dando o maior ronco durante a sessão. O julgamento que deverá perdurar até o final de setembro, antes do dia das eleições municipais, ninguém terá saco para acompanhar os noticiários da mídia que já estão sendo repetidos.  Espera-se que depois das olimpíadas que terá mais uma semana pela frente as campanhas eleitorais tenham mais força, o mesmo devendo acontecer com Brasileirão.
O julgamento da AP do caso mensalão será mais pelas aparências. Segundo se noticiou, o STF tem guardado mais de 50 mil documentos e nossa Corte Maior não ouviu uma testemunha sequer ou tomou qualquer depoimento, autorizando tais atos às instancias inferiores. Embora se diga que o julgamento será técnico, ele será para a mídia ou servir para algum exemplo. Se é que para ser um julgamento técnico, depois dos debates todos os ministros do STF deveriam fazer a leitura completa dos autos para emitir o seu voto, fazendo remissão a depoimentos, documentos coletados, extratos bancários, movimentação  de valores, beneficiários e  etc..., e isso não vai acontecer.
A expressão “mensalão” foi usada por Roberto Jefferson e tomou força com a mídia conservadora para emparedar o ex-presidente Lula e forçar até uma possível renúncia, uma espécie de golpe de estado branco.  Parece até que alguns companheiros do ex-presidente de velha guarda cegaram a sugerir a alternativa.  Na França, em entrevista a TV Globo, o ex-presidente disse que tudo não passava de caixa 2 para financiamento de campanha, fato corriqueiro na sociedade brasileira que era e ainda é. Depois da fala do ex-presidente eu afirmei que o Caixa 2 no Brasil é norma penal em branco impunitiva. Todo mundo detona e a Justiça Eleitoral faz de conta no julgamento das contas de campanha. 
Cauã é meu neto e certo dia na hora do jantar ele virou para mim e disse: Vovô, Igor (pai de cauã) está emburrado comigo. Achei engraçado pela espontaneidade e pela expressão usada. Como Cauã usou a expressão emburrado para se referir à chateação, eu me lembro dela para me referir a atual campanha eleitoral em Paulo Afonso, insossa, um saco, parece até que não existe.
Nem mesmo uma pesquisa registrada na Justiça Eleitoral e divulgada não causou maior impacto ou atenção até da mídia ou dos candidatos, quando pelos dados revelados deveria ser dissecada e se procurar tendências.
Por falar em eleições municipais o maior acirramento deverá acontecer em Cel. João Sá. Lá concorre o ex-prefeito Romualdo e sobral, o atual prefeito.  
Estava lendo o site migalhas e passei a entender que o bom mesmo é ser juiz do Tribunal do Trabalho. Veja alguns exemplos:
___________

TRT    Nome    Salário bruto
(em reais)    Salário líquido
(em reais)      
24ª região (MS)    Nicanor de Araújo Lima    397.070,49    350.768,91      
21ª região (RN)    Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro    179.887,06    153.669,99      
3ª região (MG)    José Miguel de Campos    176.740,83    148.039,03      
15ª região (SP)    João Alberto Alves Machado    74.885,22    67.221,78      
13ª região (PB)    Vicente Vanderlei Nogueira de Brito    74.090,00    62.035,23   

Quem pretender acompanhar o caso do mensalão no STF poderá fazê-lo acessando o site: http://mensalao.migalhas.com.br/. Ai eu aconselho.
Paulo Afonso, 07 de agosto de 2012.
Fernando Montalvão. (montalvao@montalvao.adv.br)
Escrit. Montalvão advogados Associados.







 

Livre pensar é só pensar

A Lei da Ficha Limpa e a farra do boi na Justiça do interior

Roberto Barbosa


Divulgação_Folhapress

Houve crime. E ninguém foi punido

FHC afirmou ter se convencido da compra de parlamentares pelo PT ao ouvir a exposição de Roberto Gurgel; há 15 anos, o deputado Ronivon Santiago, confessava ter vendido seu voto pela reeleição do ex-presidente tucano
comentários

As contradições de um estranho país chamado Brasil

Mauro Julio Vieira


Ao menos 2 ministros do STF sonham com o poder

Ao menos 2 ministros do STF sonham com o poder






Por que Annan desistiu da Síria? Era missão impossível para este homem e qualquer outro

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)



A mulher mais gostosa das Olimpíadas

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)


  Dos advogados, Marcelo Leonardo foi o melhor

Dos advogados, Marcelo Leonardo foi o melhor



Depois do mensalão do PT, que tal o Supremo julgar o mensalão do PSDB?

Carlos Newton
Muitos comentaristas reclamam que o Blog da Tribuna não tem feito matérias sobre outro importante tema de corrupção política – o mensalão do PSDB em Minas, onde pontificava o mesmo Marcos Valério do mensaláo do PT em Brasília.
Na verdade, após sete anos, o mensalão tucano ainda não foi julgado. Ao contrário do que aconteceu em Brasília, a análise do caso foi dividida entre Supremo Tribunal Federal e Justiça mineira. Mas até agora, nada…
no previewAzeredo aguarda a prescrição dos crimes


 
 O erro de Gurgel: desprezo às provas

O erro de Gurgel: desprezo às provas

Este foi o ponto comum das cinco exposições apresentadas no primeiro dia dedicado à defesa no julgamento da Ação Penal 470
comentários

A voz e a vez dos anjinhos

Carlos Chagas


Solicitação de segunda via do título de eleitor vai até esta quarta


Maioria do Supremo sinalizou a condenação dos réus

Pedro do Coutto


 

As armas do paiol

Sebastião Nery







Anatel acusa TIM
de derrubar sinal de chamadas de propósito



Defesa de José Dirceu é bem
avaliada no PT e no Planalto

 

 




Policiais federais começam greve geral e prometem manifestações nesta terça

Categoria quer aumento de salário e reestruturação na carreira de agentes, escrivães e dos papiloscopistas





55 mil segurados vão ter atrasados do INSS em 2013

A Justiça prevê para o ano que vem
R$ 120 milhões a mais do que neste ano para pagar ação acima de R$ 32.700


E+




Divulgação
Divulgação
Natalie Portman fica nua na nova campanha da Dior 
  MENSALÕES, SONEGADORES E HIPÓCRITAS!
 
Políticos burlam a Lei da Ficha Limpa

O QUE GURGEL DEVERIA TER DITO E NÃO DISSE?
QUEM É O VERDADEIRO RÉU DO MENSALÃO?


Numa sociedade do espetáculo, quem comanda o show acredita ter poder absoluto.

Já disse aqui que o Mensalão é um espetáculo com dois capítulos e que a Justiça não pode se submeter ao império do espetáculo -  http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/08/510355.shtml. Também disse aqui que FHC e a imprensa querem conduzir o julgamento e impor a condenação dos réus, ditando ao STF a decisão ao arrepio dos princípios constitucionais da isenção do julgamento (em favor dos réus) e da liberdade de consciência da cognição judicial (conferida aos Juízes, Desembargadores e Ministros do STF e STF) -  http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/08/510535.shtml . Em razão da natureza da causa julguei por bem sugerir a utilização da tática da ruptura inventada por Jacques Vergès -  http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/08/510278.shtml.

De tudo que foi dito até o presente momento, a única prova da existência do Mensalão é o depoimento de Roberto Jefferson, ele mesmo réu no processo e desafeto confesso de José Dirceu a quem acusou de ser o chefe do esquema -  http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2012-08-05/roberto-jefferson-recebe-alta-no-rio.html. As palavras de Jefferson merecem ser repetidas aqui:

"A minha luta era com o José Dirceu. Ele me derrubou, mas eu salvei o Brasil dele. Ele não foi, não é e não será o presidente do Brasil. Caímos os dois. Estou satisfeito..."

Que crédito pode ser atribuído ao depoimento de um réu que admite publicamente odiar o outro réu? Nenhum. No Sistema Jurídico brasileiro (que compreende as Leis, a Doutrina e Jurisprudência) o depoimento do réu não deve ter valor nem para condená-lo (porque pode ser extraído sob tortura) nem para condenar o outro réu (porque admitimos que é natural dos homens atribuir aos outros sua própria culpa). Este é o princípio em vigor no Brasil, felizmente.

Mas não é este o princípio que a mídia quer ver aplicado no caso do Mensalão. O que a mídia quer é ver o STF homologar é o direito sagrado da própria mídia de acusar, condenar e executar jornalisticamente aqueles que considera seus adversários e a desejada validação do direito sagrado auto-atribuído pelos Barões da mídia de dizer qual deve ser a agenda política do Brasil interna e externamente.

De tudo que foi exposto, podemos concluir que o que está em julgamento no STF na verdade não é o Mensalão os os réus indicados pelo MPF (o mesmo MPF que acusa os réus se recusa a mover qualquer ação contra FHC e a imprensa em razão da clara tentativa que está sendo feita de impor ao STF a condenação), mas o poder da mídia de dizer o Direito em única instância. O que está sendo julgado no STF, em suma, é a própria autonomia do Poder Judiciário. Coerente com a tática de ruptura de Jacques Vergès o que a defesa pode e deve fazer neste momento é inverter as regras deste jogo que a mídia está jogando. Senhores advogados, usem a Tribuna do STF para colocar a mídia no banco dos réus, que é o lugar dela por direito neste momento.
Email:: sithan@ig.com.br
 
 
 
 
 
  RESUMO DA ACUSAÇÃO DE GURGEL


A gravidade encenada dos participantes do julgamento do Mensalão é risível.





Curiosa omissão. O mesmo Gurgel que acusou de maneira diligente os acusados do Mensalão não acusa os escandalos documentados nos livros OS CABEÇAS DE PLANILHA e A PRIVATARIA TUCANA  http://www.facebook.com/photo.php?fbid=471272122896621&set=a.345737828783385.85599.100000415136357&type=1

Gurgel diz: os autos provam que Marcos Valério sabia fazer marketing de sua empresa e pessoa, que era envolvente e que tinha facilidade para se relacionar com pessoas.

CULPADO: CRIME ser publicitário e exercitar suas atividades com eficiência mas para o PT. Se fizesse o mesmo para o PSDB seria absolvido ou nem seria processado?

Gurgel afirma: Delúbio era Tesoureiro do PT e cumpria sua obrigação. CRIME: ser o Paulo Preto do PT. Paulo Preto e Serra julgados? Jacques Vergès não teria trabalho nenhum para destruir esta acusação frouxa feita pelo Procurador balofo. A peça de acusação não passa de uma flatulência jurídica.

Gurgel acusa: Presidente do PT se submetia ao Secretário da Casa Civil. Autos comprovam que José Dirceu e não Genuíno tinha a palavra final nos acordos políticos.

CULPADOS:- liderança de Genuíno era menos genuína que a de José Dirceu. Darwinismo partidário comprovado com a agravante de que um, o chefe, era o banana e o outro, o subalterno, o devorava como um macaco.

Juridiques de excelente safra, Gurgel continua gorgeando em plenário. Se a defesa não adotar a tática de ruptura estará legitimando a condenação de uns (petistas e aliados) após a impunidade de outros (tucanos e quadrilha ilimitada).

O fininho Jacques Vergès ( http://www.facebook.com/photo.php?fbid=471272122896621&set=a.345737828783385.85599.100000415136357&type=1 ) não teria trabalho para destruir o balofo Gurgel no Plenário do STF, com um sorrisinho maroto e provocando risos na platéia.

A platéia, aliás, parece um velório desanimado. Nem beber o morto e barbarizar na festa os presentes conseguem. Quem assiste a seção do julgamento pela TV Justiça é capaz de escutar o suor saindo dos poros dos Ministros do STF e se depositando nas suas togas, a esta altura moderadamente encebadas. Mas ninguém consegue escutar um piado na platéia. Nem os advogados dos réus se manifestam. Assim não dá... animo gente. O espetáculo do Mensalão não pode ser só da acusação e da mídia.

Email:: sithan@ig.com.br
 
Já estão valendo para todos os Estados










 NOVAS REGRAS:

A carteira só pode ser renovada durante o prazo de no máximo 30 dias
após o vencimento da mesma.

Após este prazo, a carteira é cancelada automaticamente, e o condutor
será obrigado a prestar todos os exames novamente: psicotécnico,
legislação e de rua, igualzinho a uma pessoa que nunca tirou carteira.

Esta lei não foi divulgada , e muitas pessoas vão perder a suas
carteiras de habilitação e terão de repetir todos os exames.

Fiquem atentos quanto ao vencimento de sua CNH.
Fora a multa, para tirar novamente a CNH fica por volta de R$ 1.200,00
e leva + ou - de 2 a 3 meses.

As mudanças começaram a valer no dia 1º de JAN de 2012.Serão incluídos
novos conteúdos, além de uma nova carga horária.

O Diário Oficial da União (DOU) publicou (22/11/2009) uma resolução do
Conselho Nacional de Trânsito
(CONTRAN), que altera as regras para quem vai tirar a carteira de motorista.

Entre as mudanças está a carga horária do curso teórico que vai passar
de 30 para 45 horas aula
e a do prático, de 15 para 20 horas aula. Serão incluídos novos conteúdos.

ALÉM DISSO: Providenciar com urgência a retirada do plástico do
extintor. Mais uma regulamentação sem a devida divulgação!

O extintor de fogo obrigatório do carro tem que estar livre do
plástico que acompanha a embalagem.

Se um policial rodoviário parar seu carro e verificar que
o extintor está protegido pelo saco plástico, ele vai te autuar – 5
pontos na carteira e mais R$ 127,50.  

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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