quarta-feira, fevereiro 24, 2010

O NÓ DE ARRUDA.




Entendo que houve avanços para a sociedade no caso do mensalão do DEM do Distrito Federal, embora reconheça que Arruda de besta não tem nada. Ele deu um nó institucional, difícil de desatar.

Decretada a prisão preventiva de Arruda, ele se licenciou do cargo, assumindo em seu lugar Paulo Otávio, o vice-governador eleito, que também vem sendo alvo de denúncias e apontado como um dos participantes do esquema do DEM no DF. Enquanto isso um Juiz do Distrital limitou o exercício do mandato para alguns Deputados, os impedindo de participar de comissões parlamentares de inquérito e comissões processantes porque ligados a Arruda, esquecendo-se que o mandato deles não foi conferido por Arruda, porém, pelo povo. O fim não justifica os meios e isso foi uma pérola criada para o sistema constitucional brasileiro.

Estando preso o Governador e envolvido o seu Vice, pensou o Procurador Geral da República no pedido de Intervenção da União no Distrito Federal. Não pestanejou e empurrou a matéria para a Corte de Justiça. O Presidente Lula, nesse momento, deu declarações conflitantes.

O panetone de Arruda não se resolve com Intervenção Federal no Distrito Federal. É caso de polícia e o Judiciário que se encarregue de aplicar a lei dentro de prazo razoável. No mais, são balelas, como é balela o pedido de intervenção de iniciativa do Procurador Geral da República que não perde um minuto quando é para sair na mídia. Isso mesmo, todo mundo quer espaço na mídia porque isso pode transformá-lo em celebridade. Prefiro a metodologia do seu antecessor que era marcada pela discrição e simplicidade, sem transigir com os princípios constitucionais. Foi assim quando o TSE criou a infidelidade partidária.

Perguntemos: Intervenção Federal, que diabo é isso?. Eu explico.

A nossa Constituição Federal de 19898, instituiu a chamada República Federativa, constituída pela União, Estados Federados, Municípios e o Distrito Federal e isso é encontrado no seu art. 1º: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, o que vem repetido no art. 18, “caput”: “A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição”. Ao tempo que foi instituída a República Federativa, cuidou o legislador constitucional, de estabelecer a competência e administrativa e assegurar a autonomia de cada ente federativo, dizendo mais ou menos assim, cada macaco em seu galho.

Pela ordem constitucional brasileira a União não deve intervir nos negócios dos Estados Federados, dos Municípios e do Distrito Federal, aplicável também na ordem inversa e paralela. Em determinadas situações, previu a CF que a União poderia intervir nos Estados Federados e no Distrito Federal, art. 34, incisos I a V. São situações de excepcionalidade e que impõe uma ruptura na ordem constitucional, pois, assegurada a autonomia de cada ente federativo, não é dado um interferir no outro.

Até o momento nunca houve a intervenção da União em qualquer dos Estados federados, e isso aconteceria 1ª vez. Até mesmo a intervenção dos Estados nos Municípios não é coisa comum e os exemplos são raros no Brasil. O pior é que a intervenção é passageira, ela não se perpetua até o final de cada mandato político. Decretada a intervenção, é nomeado um interventor e depois do prazo da intervenção terá ele que devolver o Poder Distrital aos seus dirigentes eleitos. Arruda deu um nó e a essa altura está chamando todos de imbecis. Tão logo decretada a sua prisão preventiva, se licenciou do exercício do mandato, não renunciou. A qualquer tempo poderá voltar ao exercício do mandato mesmo de dentro da cadeia e nisso ele deu uma de mestre, não topou.

Ninguém se surpreenda que se STF conceder o Habeas Corpus requerido em favor de Arruda por uma coisa muito simples. No Distrito Federal há governador, vice e Deputados Distrital. Embora regido por uma Lei Orgânica, o Distrito Federal tem que ser equiparado a Estado Federado porque não há município com Governador. Para estes, há prefeito. Equiparado o Distrito Federal a Estado Federado, na sua Lei Orgânica, poderá exigir que para que o Governador ou Deputado seja processado criminalmente, haja licença prévia da Câmara Distrital e o STJ, ao decretar a prisão preventiva de Arruda, fugindo a sua competência, entendeu ser a norma inconstitucional.

Enquanto transcorre o “galho de Arruda”, o DEM vive o seu baixo astral. Em São Paulo, Kassab, em ação de impugnação de mandato eletivo teve sua diplomação cassada em decisão de primeiro grau, embora deva permanecer no cargo até o trânsito em julgado da ação. Bem, em São Paulo, a coisa não está cheirando bem. Parece-me mais uma manobra política a atingir o DEM parceiro do PSDB, com a justiça eleitoral fazendo jogo político. Não gosto disso. O bom é ganhar nas urnas. Na Bahia o DEM vem definhando. Oto Alencar, ex-vice-governador do Estado e que era Conselheiro do TCM, abraçou a candidatura Wagner, e agora, parece que César Borges seguirá o mesmo caminho. Talvez até as eleições, tenhamos um Dom Quixote, principal opositor de Wagner.

CÂMARA MUNICIPAL DE PAULO AFONSO. A Câmara Municipal voltará as suas atividades e deverá voltar o inferno astral do Presidente da Mesa. Pelo que ouço a Comissão Parlamentar de Inquérito que era para ser proposta em dezembro de 2009 ficou para 2010. O PAN, edição de hoje, em manchete, revela graves acusações do blogueiro Márcio Omena.

FRASE DA SEMANA. "A ordem não é um princípio moral; é apenas um fator preexistente e indispensável ao conceito social." Graça Aranha.
Paulo Afonso, 23 de fevereiro de 2010.

Fernando Montalvão.

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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