domingo, fevereiro 28, 2010

Editorial: O falecimento ideológico do PT baiano sublimado pelos Democratas e pela lógica do poder

ACM ainda vive! Certamente sorrir e ao ver seus antigos adversários se curvarem aos seus ex-liderados. No final, ele sim é o verdadeiro vitorio


A morte de Antônio Carlos Magalhães (ACM), a dissolução de parte de suas lideranças em direção a partidos da base do PT (Partido dos Trabalhadores), as eleições de 2010, o rompimento com o PMDB, a busca pela manutenção do poder exercido pelo governador Jaques Wagner. São os ingredientes que, misturados, dão a exata medida do pensamento político brasileiro, e em sentido mais preciso, do pensamento baiano: a pertinácia ao poder em detrimento dos ideais partidários e socioeconômicos que deveriam nortear o pensamento político.

Direita, Esquerda e Centro, o que significa dizer isto em política? Em recente discurso Wagner declarou que não gosta de se referir a partidos e políticos como sendo de esquerda ou direita. Obviamente, declara isto por que no bojo de seu governo, abrigam-se correntes que vão da extrema esquerda à direita conservadora. Voltamos à pergunta inicial, Direita, Esquerda e Centro?

Dois pensamentos acadêmicos permeiam o desenvolvimento e os debates em torno do modelo socioeconômico de um país: do alemão Karl Marx e do inglês Adam Smith. Destes dois pensamentos surgem as ideias do britânico John Maynard Keynes, base do New Deal (Novo Acordo) do presidente estadunidense Franklin Delano Roosevelt. Que serve de inspiração para o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Claro que com um adendo, ao invés de obras de impacto estruturante, ideias de Keynes mais próxima de Smith. Optou-se por Keynes com Marx, que vem a ser o Estado como Empresário (Petrobras, BB, CEF, etc...).

Voltamos à Bahia

Ao entrevistar o deputado federal ACM Neto (DEM), ele também desdenhou dos conceitos: Direita, Esquerda e Centro. A maioria dos lideres partidários o fazem por um único e claro motivo, manter a população distante do verdadeiro debate: Qual o modelo de desenvolvimento, social e econômico, nós devemos adotar? Também o fazem para não terem que justificar a todo o momento as alianças esdrúxulas que se formam com o nítido objetivo de levá-los ou mantê-los no poder.

Nem um homem é uma ilha, ao combater a figura do senador ACM. O PT e partidos de esquerda, em verdade combatiam o modelo justaposto de desenvolvimento socioeconômico: os mercados provem o desenvolvimento da sociedade, e quanto mais ele se expande, menos desigualdades sociais existem, está é a ideia básica. Bom, obviamente que ACM não estava só, cardeais do partido, defenderam e implementaram estas ideias: o Senador João Durval Carneiro, César Borges, Otto Alencar, Benito Gama, Antônio Imbassahy, dentre outros.

Com a perda dos governos federal e estadual para o PT e a morte de ACM, estas lideranças buscaram transmutar-se em defensores das ideias de Centro, Centro Esquerda e Centro Direita, afastado da Direita, Direita Progressista e Direita Conservadora. Muitos dos seguidores destas lideranças estão abrigados nos governos petistas. Refreando avanços sociais e conteúdos programáticos da esquerda em detrimento de interesses capitalistas, mercadológicos, províncias e até mesmo particulares.

O PMDB baiano rompeu com Jaques Wagner. Remanescente da Direita: Paulo Souto, ACM Junior e Neto, José Ronaldo, José Carlos Aleluia e outros, buscam aglutinar-se para disputar o pleito de 2010. O governador petista sabe que os partidos de Esquerda e Centro Esquerda detém cerca de 30 a 40% da preferência do eleitorado. Sem o PMDB, o segundo turno das Eleições de 2010 está garantido e onde buscar votos? Naqueles que historicamente defendiam ideias diametralmente opostas ao PT, ideias que o próprio governador declara em discurso, foram rechaçadas no último pleito em que ele fora eleito.

Otto Alencar e César Borges, ambos ex-governadores pelo (PDS/PFL/DEM), são cortejados a participarem de uma chapa majoritária, onde o PT de Wagner cede as duas vagas ao senado, podemos assim classificar, Extrema Direita ou Direita Conservadora. É um acinte ideológico, um escárnio para com as pessoas politicamente formadas. Prevalece à ideia ou falta de ideal: O Poder é o Fim, ao Qual Tudo Faço para obtê-lo e mantê-lo.

Históricos do PT

Nomes históricos da Esquerda como: Waldir Pires, Walter Pinheiro, Nelson Pellegrino, Lídice da Mata, Emiliano José, Zezéu Ribeiro e Daniel Almeida, terão que se contentar com o que sobrar. Silenciando-se ao verem mantidos no poder, os lideres da Direita e seus seguidores, que ocupam postos nas estruturas governamentais. Mantendo o estado no mesmo modelo ou seremos flexíveis, no modelo hibrido, Direita e Esquerda. Dissolvendo o conceito de ideais e de desenvolvimento social, para a manutenção de homens que pouco ou nada se afinam, relegando a paralisia, um Estado que é maior do que um país, cito Alemanha.

ACM e o PT

ACM ainda vive! Certamente sorrir e ao ver seus antigos adversários se curvarem aos seus ex-liderados. No final, ele sim é o verdadeiro vitorioso. Que mesmo morto, mantém força política e ideológica sobre o Estado que governou por tantos anos. Assimilando membros da Direita o partido dos Trabalhadores da Bahia, perde o discurso, perde a referência. Apenas se torna mais um partido que através de seus lideres, buscam o poder para alojar parte de seus caciques e alguns poucos índios. O povo? Que fiquem com as sobras desta falta de debate, deste entorpecimento ideológico.

Será que algo realmente está mudando na Bahia? Três ex-governadores, todos criados e crescidos dentro do pensamento de Direita podem vir a representar o estado: o atual Senador João Durval (PDT), este continua. César Borges (PR), que busca a reeleição ao lado do também ex-governador Otto Alencar, que objetiva a eleição.

ACM vive! Dentro do PT.


Carlos Augusto Carlos Augusto
Jornal: Feira Hoje

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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