O consórcio partidário que dá suporte a Lula no Senado ganhou um novo pretexto para sepultar a CPI da Petrobras. Na noite de quarta (24), foi lido no plenário do Senado o pedido de criação de outra CPI, dessa vez para investigar suspeitas de malfeitorias no DNIT. O autor do requerimento, formalizado diante de um plenário vazio, é o senador Mario Couto (PSDB-PA). Surpreendida, a bancada governista tomou o gesto como uma provocação do tucanato. E decidiu providenciar os funerais da comissão da Petrobras. Eis o que disse Aloizio Mercadante (SP), líder do PT: "Morreu qualquer perspectiva de entendimento sobre CPIs..."
"A oposição havia pedido um armistício. No instante em que caminhávamos para um acordo, eles aproveitaram uma sessão esvaziada e criaram outra CPI..."
"...Isso não é comportamento de quem deseja descontaminar o ambiente. Sendo assim, não tem mais acordo". O pedido para investigar o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) já havia sido protocolado na Mesa do Senado há três meses. Porém, antes que o requerimento fosse lido em plenário, o governo convencera aliados que haviam assinado o documento a retirar suas rubricas. O tucano Mario Couto não se deu por vencido. Na surdina, coletou novas assinaturas. Colecionou 29, duas além do mínimo necessário. Informado acerca da ressurreição do requerimento, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), autorizou que fosse enviado ao plenário. Dera-se coisa semelhante no caso da CPI da Petrobras, lido numa manhã de sexta-feira, também diante de um plenário ermo. Antes da nova encrenca, esboçava-se um acordo para que a investigação da Petrobras fosse finalmente iniciada na próxima terça-feira (30). Funcionaria assim: o líder tucano Arthur Virgílio (AM) devolveria ao governista Ignácio Arruda (PCdoB-CE) a relatoria da CPI das ONGs. E a bancada do governo levantaria a obstrução que trava a instalação da comissão da Petrobras, que começaria a andar na semana que vem. Um detalhe tonificou a irritação de Mercadante.
Fonte: Tribuna da Bahia
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