Por: Marcelo Rocha - Correio Braziliense
O número de parlamentares suspeitos de envolvimento com a máfia dos sanguessugas aumentou para 57. O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar outros 42 congressistas. No início de maio, o Supremo já havia autorizado a apuração contra 15. Os nomes daqueles que já enfrentam a investigação e dos que agora entraram na fila serão mantidos em sigilo, a pedido do procurador-geral. Também deverão permanecer em segredo os documentos da apuração no STF que serão enviados ao Congresso Nacional a pedido da CPI dos Sanguessugas, medida autorizada pelo ministro Gilmar Mendes.
Desde a Operação Sanguessuga, realizada no início de maio pela Polícia Federal para desbaratar o esquema de fraudes na compra de ambulâncias a partir de emendas ao Orçamento, houve grande especulação em torno da quantidade de parlamentares envolvidos. Foram divulgadas listas com 15, 63 e até 81 nomes. Depois de receber o material da Justiça Federal no Mato Grosso, onde teve início a investigação da PF, o procurador-geral da República analisou escutas telefônicas realizadas com autorização judicial e a contabilidade da Planam, a empresa da família Trevisan-Vedoin usada nas fraudes. Chegou à conclusão de que deveria investigar 15 deputados, mas sinalizou que não encerraria os pedidos por aí.
No início da semana, depois de reunião com Fernando de Souza na qual pediu informações que pudessem ajudar na investigação do escândalo no Congresso, o presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), declarou que o procurador-geral acrescentaria cerca de 30 congressistas. Mas a lista de ontem foi maior: 42.
Acesso a dados
Na quarta-feira passada, durante a primeira reunião administrativa da CPI, deputados e senadores que compõem a comissão justificaram, entre outras razões, que deixaram de convocar parlamentares envolvidos no escândalo por não se conhecer os nomes dos investigados. Mas o empecilho deixou de existir, ontem, com a decisão do ministro Gilmar Mendes, relator do caso no Supremo, a lista dos suspeitos chegará nos próximos dias à comissão.
A documentação reúne informações relativas a mais de dois anos de investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República no Mato Grosso para desbaratar a máfia dos sanguessugas. Quando foi detectada a participação de congressistas nas fraudes, o material que diz respeito a eles foi remetido ao Supremo, que determinou, a pedido do procurador-geral da República, a abertura de investigação.
A CPI também receberá nos próximos dias um estudo da Controladoria Geral da União (CGU), feito a partir de três mil prestações de contas de convênios que destinavam recursos federais para aquisição de ambulâncias. O material foi recolhido nos núcleos estaduais do Ministério da Saúde em todos os estados. Também chegará ao Congresso documentos de auditoria no âmbito do ministério com o objetivo de identificar as fragilidades que facilitaram a execução das fraudes. A CGU também remeterá cópias de processos administrativos instaurados pelo ministério para apurar as responsabilidades de servidores envolvidos nas irregularidades.
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