quarta-feira, julho 26, 2006

Heloísa quer votos do PT e oposição perdeu chance de impeachment, diz Afif

Por: TATHIANA BARBAR
da Folha Online

O empresário Guilherme Afif Domingos, que concorre ao Senado pelo PFL-SP, em coligação com o PSDB, afirmou nesta terça-feira que a oposição perdeu a chance de pedir o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após os escândalos de corrupção.

Afif Domingos, que participou hoje de sabatina da Folha, disse ainda que a candidata do PSOL à Presidência, senadora Heloísa Helena (AL), quer arrebanhar os petistas arrependidos, envergonhados. "Isso prejudica o presidente Lula. Ele que se cuide, pois Heloísa Helena vai acabar levando a eleição para segundo turno."

Ayrton Vignola/Folha Imagem

Afif Domingos é o segundo sabatinado
"O PT falhou muito como governo. No momento em que Duda [Mendonça] disse que recebia dinheiro por fora, aquele era o momento de pedir o impeachment do presidente", explicou.

Segundo o empresário, o PT, PFL e PSDB estão num período de aprendizado. "Quem era oposição foi para o governo. Estamos num período de aprendizado. O PT aprendendo a governar e o PFL e PSDB aprendendo a fazer oposição."

Afif Domingos ainda falou sobre o candidato tucano na disputa pelo Planalto, Geraldo Alckmin. "Alckmin tem um perfil moderado, sério, ponderado. Ele ainda é muito desconhecido, mas isso vai mudar quando começar a campanha na TV."

O empresário também se mostrou a favor do fim da reeleição e defendeu o voto distrital misto. "A minha opinião é circunstancial. A reeleição não deu certo no Brasil."

Afif Domingos se apresentou hoje como uma nova opção aos eleitores. "É uma excelente ocasião de dar oportunidade ao eleitor. O Suplicy [senador Eduardo Suplicy, candidato do PT à reeleição] está há 16 anos. Quero ser uma opção aos eleitores", disse.

Corrupção

Sobre os parlamentares envolvidos em esquemas de corrupção, Afif Domingos disse que se eles escapam na Justiça, não escapam no voto.

"Houve uma tolerância muito grande dos parlamentares em relação aos envolvidos. Cada um quer proteger o seu", disse ele, que foi aplaudido pela platéia.

Segurança pública

Afif Domingos afirmou que o governo federal é "cínico" em oferecer ajuda ao governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), para combater o crime organizado no Estado.

"O Exército foi sucateado, não houve investimento em segurança. Se eu fosse Lembo eu falava: 'Aqui não precisamos, na fronteira precisamos para combater o narcotráfico'."

O governo federal ofereceu ajuda ao governador, que recusou. "O governo não ajudou nem na construção de presídios para separar os grandes criminosos."

Afif Domingos afirmou ainda ser contra a redução da maioridade penal, mas a favor do endurecimento das penas.

ACM

O empresário defendeu hoje seu colega de partido, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "ACM é uma figura singular. Gostaria que São Paulo tivesse um senador que brigasse como ele briga pela Bahia. Aliás, gostaria que todos brigassem como ACM."

Segundo Afif Domingos, os senadores são os advogados dos Estados.

O empresário, no entanto, evitou comentar sobre seu antigo amigo político, o ex-prefeito Paulo Maluf, que vai disputar uma vaga na Câmara. "Se ele tem chances de se eleger, vamos ver nas pesquisas de intenção de votos."

Sabatinas

Afif Domingos é o segundo entrevistado da série de sabatinas que a Folha realizará com candidatos ao Senado, ao governo do Estado e à Presidência da República.

Ontem, o entrevistado foi o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Nesta quarta-feira, Alda Marco Antonio, que concorre pelo PMDB-SP, na chapa de Orestes Quércia, será a sabatinada.

Para entrevistá-los, foram escolhidos Suzana Singer (secretária de Redação da Folha), Vinicius Mota (editor de Opinião), Rogério Gentile (editor de Cotidiano) e Fernando Canzian (repórter especial

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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