O problema de Flávio Bolsonaro não é com o crime organizado, como demonstra suas relações com Daniel Vorcaro. Afinal, o país todo o ouviu pedindo dinheiro para um empresário investigado por chefiar uma organização criminosa que subtraiu 3,7 bilhões de reais de fundos de previdência de funcionários públicos só no Rio de Janeiro com ajuda de seu companheiro de partido, o ex-governador Cláudio Castro.
Castro também foi flagrado recebendo favores milionários de Vorcaro, e na companhia de outros aliados do senador, retribuídos com muito dinheiro dos pensionistas investido no banco sem lastro. Isso sem falar no irmão Eduardo, com digitais cada vez mais aparentes no caso Master - do seu papel no financiamento do filme por Vorcaro à origem dos recursos que o mantém em alto estilo nos Estados Unidos.
O ex-governador do Rio, que é do PL e contou com o apoio político dos Bolsonaro desde a chapa formada com Wilson Witzel, ainda está enrolado no escândalo da Refit, a empresa que fingia refinar petróleo enquanto importava combustível e acumulava dívidas fiscais e crimes de sonegação de impostos e outras fraudes. De acordo com a PF, Castro “direcionou todos os esforços de sua máquina pública, em um verdadeiro engajamento multiorgânico em prol do conglomerado capitaneado por Ricardo Magro", depois que a refinaria foi interditada em setembro do ano passado.
O empresário protegido por Castro, segundo a PF, é o maior sonegador fiscal do Brasil e também acusado de ligação com a facção paulista, o PCC, citada por Flávio Bolsonaro. Há anos vive nos Estados Unidos, e apesar de alvo da Interpol, ainda não teria sido localizado. Se Trump quisesse combater o crime organizado, poderia começar por ele, como disse o presidente Lula ao relatar um telefonema a Trump em dezembro do ano passado.
"Eu liguei para o Trump dizendo pra ele que se ele quiser enfrentar o crime organizado, nós estamos à disposição. Disse para ele, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior devedor deste país, que é importador de combustível fóssil, mora em Miami. Então, se quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí", disse Lula em dezembro de 2025. De quebra, poderia extraditar Alexandre Ramagem, condenado pela trama golpista liderada pelo pai de Flávio de acordo com o STF.
O teatro de Trump e Flávio Bolsonaro colocando-se como combatentes do crime organizado recai de forma brutal sobre a soberania brasileira. Também traz consequências graves para toda a América Latina, realizando o sonho de Trump e Marco Rubio de restabelecer o quintal dos Estados Unidos - de Cuba ao Cone Sul. Venha o que vier, a campanha ganha ainda mais relevância na luta da democracia contra o autoritarismo.