Fui também atrás de quem adotou os discursos mais duros contra a proposta. No setor de serviços — especialmente hotelaria, bares e restaurantes — um nome se destacou: Paulo Solmucci Júnior, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel.
Em audiência pública na Comissão de Turismo, em 8 de abril de 2026, Solmucci classificou a tramitação acelerada da proposta como uma “postura eleitoral lesa-pátria”.
“Propor que esse assunto seja tratado de maneira açodada (...) é uma postura eleitoral lesa-pátria que a gente não deveria estar endossando e muito menos aceitando”, afirmou.
No entanto, empresas ligadas a ele acumulam pendências com sua pátria. Companhias em que Solmucci atuou como sócio-administrador ou administrador somam ao menos R$ 6,9 milhões em dívidas ativas com a União.
Os débitos identificados estão concentrados em duas companhias: a Veloce Gestão Empresarial Ltda, na qual Solmucci figura como administrador e que concentra R$ 5,1 milhões em dívida ativa; e a Autotex, também sob sua administração, com R$ 1,7 milhão.
Há também dívidas da Amoricana, na qual atua como sócio-administrador, de R$ 154 mil; e a Coliseu do Sport, igualmente como sócio-administrador, com R$ 6,9 mil.
Em mensagem enviada pelo WhatsApp ao Intercept, Solmucci alegou não ter conhecimento das informações e, após ser apresentado aos registros da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, alegou que são empresas que não estão mais ativas. Ele também afirmou que, como pessoa física, não tem débitos com a União e, por fim, que consultaria seu contador para responder à reportagem. No entanto, não enviou um posicionamento formal.
Em nota, a Abrasel afirmou que Solmucci atua como representante da entidade nas discussões sobre o fim da escala 6x1 no Congresso, participando de audiências, debates públicos e manifestações institucionais no exercício de sua função como presidente-executivo.
Segundo a associação, a atuação se baseia em dados coletados junto a empresários do setor e em estudos técnicos.
A entidade sustenta que sua posição não se baseia em projeções isoladas, mas na tentativa de “provocar uma reflexão” sobre os custos da proposta, destacando possíveis impactos como aumento de despesas, risco ao emprego e fechamento de pequenas empresas.
A Abrasel também afirma que ainda não há estudos aprofundados sobre os efeitos da mudança e critica o que considera uma tramitação apressada do tema no Congresso.
Sobre as pendências fiscais de seu diretor-presidente, a associação afirma que o vínculo profissional de Solmucci com a entidade ocorre por meio de uma empresa sem débitos com o poder público e argumenta que eventuais dívidas pessoais não configurariam impedimento para sua atuação.
A Abrasel diz ainda que questões tributárias fazem parte do cotidiano de muitos empresários brasileiros — cerca de 40% de seus associados teriam algum débito em atraso — e que não utiliza esse critério para definir seus representantes. Leia a nota na íntegra clicando aqui.