Messias já teria avisado Lula que pretende deixar o comando da AGU e deve se afastar por um tempo de cargos com relação com o Legislativo, especialmente no Senado, onde foi traído por muitos senadores com quem conversou.

Funcionário de carreira da União desde 2002, quando ingressou na Caixa Econômica Federal como técnico bancário, Messias já teria avisado Lula que pretende deixar o comando da AGU e deve se afastar por um tempo de cargos com relação com o Legislativo, especialmente no Senado, onde foi traído por muitos senadores com quem conversou nos últimos tempos.
A decisão deve ser oficializada nas próximas semanas, após o AGU voltar de férias.
Agradecimentos
Após a derrota por 42 votos a 34, Messias fez outras duas publicações na rede X, agradecendo a solidariedade dos ministros Gilmar Mendes e André Mendonça, do STF. Indicado por Jair Bolsonaro (PL), o “terrivelmente evangélico” foi um dos principais avalizadores da indicação do AGU à corte e é chamada de “irmão” em razão de serem ambos evangélicos.
“Caro Ministro Irmão André Mendonça, receber seu apoio durante esta desafiadora jornada foi uma das maiores honras da minha vida. Sua postura reflete integridade, bondade e coerência, servindo como uma fonte de inspiração para toda uma geração de magistrados. Que Deus o abençoe abundantemente por sua firmeza em manter os ensinamentos do evangelho de Jesus Cristo”, escreveu, compartilhando a publicação do ministro.
Ao decano da corte, Messias agradeceu “profundamente suas palavras afetuosas, que recebo como inspiração para prosseguir em meu compromisso com o sistema de justiça de nosso país, mantendo altivez, independência e serenidade”.
Na noite anterior, Messias disse ter “lutado o bom combate” durante sua trajetória para assegurar a aprovação de seu nome e afirmou que “nós sabemos quem promoveu tudo isso”.
“Tenho certeza de que lutei o bom combate, como todo cristão, e preciso aceitar o plano de Deus na minha vida, e sei que a minha história não acaba aqui. Eu tenho 46 anos, tenho história, tenho currículo, tenho uma vida limpa, passei por cinco meses um processo de desconstrução da minha imagem, toda sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso”, disse.
Acordão
O acordão entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e Flávio Bolsonaro (PL), que resultou na rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta quarta-feira (29) e derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria nesta quinta-feira (30), contou com o enterro da CPI do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e no Congresso para fazer com que um dos maiores escândalos financeiros do país saia das manchetes da mídia liberal durante a campanha eleitoral.
Na sessão conjunta do Senado e da Câmara, que analisou o veto de Lula à “anistia” a Jair Bolsonaro, Alcolumbre ignorou a leitura do pedido de instalação da Comissão sobre o escândalo financeira.
O motivo é simples: o acesso aos documentos da investigação, com uma possível quebra de sigilo, além dos depoimentos deixaria clara a ligação fisiológica tanto de Alcolumbre, quanto do clã Bolsonaro com o maior esquema de corrupção financeiro no país, que liga a Faria Lima a facções criminosas, como o PCC.
O grande acordo entre Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro começou a ser costurado em fevereiro. À época, a negociata envolvia uma troca simples: a horda bolsonarista se uniria ao Centrão para barrar a CPI do Master em troca da derrubada do veto sobre a Dosimetria.
Insatisfeito com a indicação de Jorge Messias por Lula à vaga de Luís Roberto Barroso no STF, Alcolumbre, que queria Rodrigo Pacheco (PSB-MG) no posto, ampliou a barganha.
Imporia a derrota histórica a Lula, que culminou com a rejeição do nome de Messias pelo plenário do Senado na noite desta quarta-feira (29), em troca de mais um mandato na Presidência do Senado, a partir de 2027, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições presidenciais.
Com o acordo firmado, Alcolumbre atuou nos bastidores para aliciar os pares para rejeição do nome de Messias, alegando controlar o voto de ao menos 50 senadores sobre o caso.
O presidente do Senado ainda teria feito jogo duplo, alimentando a esperança dos líderes do governo de que a indicação passaria, embora não se comprometesse a trabalhar nem contra, nem a favor. O que não ocorreu.
Nos bastidores, Alcolumbre teria feito um levante, com informações preciosas que têm dos colegas, para convencê-los.
Um dos principais alvos foi justamente Ciro Nogueira, que chegou a anunciar que votaria a favor de Messias, mas recuou diante dos argumentos de Alcolumbre e Flávio Bolsonaro, especialmente sobre o caso Master.
O áudio vazado segundos antes do anúncio da rejeição de Messias, em que Alcolumbre diz ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que “acho que ele vai perder por oito” consolidou a armação, um dia antes da sessão que deve derrubar o veto de Lula sobre o PL da Dosimetria e enterrar definitivamente a CPI do Master.
https://revistaforum.com.br/politica/jorge-messias-sinaliza-deixar-agu-e-cita-darcy-ribeiro/