sexta-feira, abril 10, 2026

Até os senadores mais moderados já falam em impeachment de ministros do Supremo


AMB questiona quórum para impeachment de ministros do STF

Ilustração do site Migalhas

Raquel Landim
Estadão

As notícias sobre as relações próximas entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro se sucedem e nada acontece. Nem mesmo a gritaria de sempre no Congresso Nacional. É um sinal grave do aparelhamento dos órgãos de investigação e do sistema de pesos e contrapesos que deveria reger a República.

Graças ao trabalho investigativo da imprensa, as revelações se avolumam. Contra o ministro Alexandre de Moraes pesam o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master, as trocas de mensagens no dia da primeira prisão de Vorcaro, e agora as viagens no avião de uma empresa do ex-banqueiro.

OUTROS ENVOLVIDOS – Já o ministro Dias Toffoli está envolvido na venda da participação de resort de luxo do Paraná ao ecossistema do Master, foi relator do caso e brecou a investigação, e também voou nos jatinhos da empresa de Vorcaro.

O ministro Nunes Marques também apareceu na confusão depois que uma consultoria tributária que recebeu dinheiro do banco subcontratou seu filho.

Os parlamentares fizeram uma série de representações à Procuradoria Geral da República (PGR), que disse que não havia nada o que investigar, e o PGR Paulo Gonet participou de um evento de degustação de uísque promovido por Vorcaro em Londres junto com outras autoridades…

BLINDAGEM GERAL – Deputados e senadores também tentaram investigar o caso via Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) e tiveram quebras de sigilo e tentativas de ouvir testemunhas barradas pelo STF.

A prorrogação da CPMI do INSS foi negada pelo Supremo numa mudança de entendimento e não há motivos para acreditar que a CPI do Crime Organizado, que termina dia 14, terá destino diferente.

Uma CPI do Master sequer chegou a sair da gaveta dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, David Alcolumbre. Alinhados com o governo e com parte do Supremo, Motta e Alcolumbre recorrem a manobras para afastar investigações sobre o caso.

Resta apenas a delação de Daniel Vorcaro, que está nas mãos da Polícia Federal e da PGR, sob supervisão do ministro André Mendonça. Vorcaro resiste a se admitir um criminoso e a falar sobre suas relações com ministros do Supremo. Ele teme que, mesmo que sua delação passe pelo crivo de Mendonça, acabe esbarrando na resistência de outros colegas do tribunal.

GANHAR NO VOTO – Os parlamentares jogaram a toalha diante da blindagem. Decidiram partir para as eleições e ganhar no voto a força para controlar o comando do Congresso, principalmente do Senado.

A avaliação dentro da oposição é que o caso Master mostrou que existe corrupção na mais alta corte do país e que o STF recorre a blindagem ao invés da autocontenção. Por isso, parlamentares já falam nos bastidores, mesmo os mais moderados, em impeachment dos ministros do STF caso saíam vencedores em outubro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente análise de Raquel Jardim, mas ficou faltando mencionar uma via de ataque à corrupção – a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, a única que continua a investigar o incrível caso da impunidade (até agora) dos ministros do Supremo. Pode ser que tenha algum êxito. Vamos ter confiança e aguardar. (C.N.)

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