terça-feira, dezembro 26, 2023

Políticos e partidos aguardam a abertura da janela

 em 26 dez, 2023 8:20

Adiberto de Souza


Ainda é muito cedo para apostar em quais partidos estarão os políticos nas eleições de 2024. Muitos aguardam apenas a abertura da janela partidária, em março do ano que vem, para pular a cerca. Com base nas conversas de bastidores é possível suspeitar que o troca-troca de siglas será movimentadíssima, principalmente entre os atuais vereadores e pré-candidatos às câmaras municipais. Visando garantir a candidatura e também uma eleição mais fácil, muitos políticos já estão negociando, à boca miúda, novos endereços partidários. O pleito de 2020, o primeiro sem as coligações na disputa proporcional, serviu de lição para muita gente. Como esta regra continuará valendo para 2024, os partidos terão que analisar com cuidado a montagem das chapas para eleger um maior número de candidatos. E os políticos vão precisar de muita sensibilidade na hora de trocar de legenda para não acabar dando com os burros n’água, como aconteceu nas últimas duas eleições com muitos políticos que se achavam bons de voto. Misericórdia!

Mais grana

O governo de Sergipe vai administrar em 2024 um orçamento de R$ 15 bilhões, 13,06% maior do que o deste ano, que foi de 13,3 bilhões. Do montante aprovado, semana passada, pelos deputados estaduais, Quase R$ 6 bilhões serão destinados às áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública, correspondendo a R$ 39,7% do Orçamento. Mais de R$ 1,6 bilhão do Orçamento para 2024 serão aplicados em investimentos, enquanto R$ 128 milhões vão custear as emendas parlamentares. Ah, bom!

Dinheiro pelo ralo

Onze obras financiadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) estão paralisadas em Sergipe. Este número já foi bem maior: em maio deste ano, o estado tinha 45 obras federais na área de educação inacabadas e paralisadas, entre creches e pré-escolas; 10 escolas de ensino fundamental; um de ensino profissionalizante, além de 13 novas quadras esportivas ou coberturas de quadras. Segundo reportagem do portal Metrópoles, em todo o Brasil estão parados um mil empreendimentos federais, entre escolas e creches. Aff Maria!

UFS mal na fita

A Universidade Federal de Sergipe é a vice-lanterna entre as 50 instituições de ensino superior do Brasil avaliadas pelo Ranking de Universidades Empreendedoras (RUE) 2023, divulgado pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores. Já a Universidade Tiradentes (Unit) é a quinta melhor do Nordeste entre as públicas e privadas, quando o assunto é empreender. O RUE avalia e classifica as universidades de acordo nos quesitos cultura empreendedora, inovação, extensão, infraestrutura, capital financeiro e internacionalização. Segundo o Ranking Universitário da Folha, a Unit também foi considerada a melhor universidade particular do Nordeste. Então, tá!

Vavazinho rejeitado

A depender do petista professor Dudu, o PT não endossará a filiação do ex-presidente estadual do PSB, Valadares Filho: “Filiar golpista é falta de respeito com quem madrugou em frente as garagens de ônibus durante as greves gerais, tomou empurrão da polícia, bloqueou rodovias, fechou comércio e se manifestou em passeatas para tentar barrar o golpe”, afirma. O professor lembra que, enquanto os movimentos sindical e social estavam nas ruas sol a sol, Valadares Filho estava no Congresso Nacional fazendo coro com Jair Bolsonaro (PL) pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Finalizando, o dirigente sindical disse que, se depender da maioria dos petistas sergipanos, Vavazinho “não será bem-vindo ao PT”. Crendeuspai!

Lembrando o voto

Em 2016, o então deputado federal Valadares Filho disse ter votado favorável ao impeachment contra Dilma Rousseff (PT) pensando no melhor para o Brasil. À época, Vavazinho destacou a necessidade de o país ter de volta o crescimento econômico, a geração de emprego e a melhoria do poder de compra dos mais pobres: “É visível a incapacidade da presidente Dilma, que levou o Basil a uma enorme recessão, gerando desemprego e diminuindo o poder aquisitivo dos mais pobres”, discursou o hoje assessor do ministro Márcio Macedo (PT), na Secretaria-Geral da Presidência da República. Home vôte!

Descaso fedorento

E 2023 vai acabar na próxima semana sem que tenha sido inaugurado o terminal pesqueiro, alí ao lado dos mercados centrais de Aracaju. Tão aguardada por comerciantes de pescado, marisqueiras e consumidores, a obra virou um elefante branco e fedorento. Muito fedorento. Pior, embora já tenha consumido R$ 7 milhões, o terminal não tem previsão para ser concluído. O resultado deste descaso é um prédio 97% pronto, mas fechado e cercado por barracas improvisadas, onde pescadores e marisqueiras limpam e vendem seus produtos em meio a esgotos entupidos e uma fedentina assustadora. Só Jesus na causa!

Pesquisas a migué

O eleitor pode se queixar de tudo, menos da variedade de pesquisas de intenção de votos colocadas à disposição do povo, tanto em Aracaju quanto no interior do estado. Dia sim outro também, os institutos apresentam percentuais para todos os gostos. Umas consultas garantem que fulano vai ganhar já no primeiro turno, outras juram que beltrana é a queridinha dos aracajuanos. Tem pesquisa dando como certo que cicrano passeará nas urnas, tamanho é o seu favoritismo. Portanto, em meio a esses índices suspeitos, talvez o eleitor fique melhor informado se consultar uma cartomante ou pedir orientações àquela cigana que adivinha o futuro dos tolos nos mercados e feiras livres de Sergipe. Arre égua!

Trans sergipana

A doutora em educação Dayanna Louise, mulher trans pernambucana, vai receber o título de cidadã sergipana tão logo a Assembleia encerre o recesso parlamentar. Day, como é chamada entre os íntimos, trabalha no gabinete da deputada estadual Linda Brasil (Psol), autora do Projeto de Resolução concedendo o título de cidadania. Recentemente, a nova sergipana sofreu ataques transfóbicos de uma vereadora, que conseguiu convencer a maioria da Câmara Municipal do Recife a rejeitar o título de cidadão recifense simplesmente por Dayanna ser uma mulher trans. Desconjuro!

“Negão” homenageado

A Prefeitura da Barra dos Coqueiros inaugura, hoje, o monumento em homenagem ao saudoso ex-governador João Alves Filho, idealizador da ponte ligando aquele município a Aracaju. O “Negão”, como o ex-gestor gostava de ser chamado, inaugurou a obra em setembro de 2006. Trata-se de um projeto arrojado para os padrões locais e que empregou em sua construção quase mil trabalhadores. A ponte tem aproximadamente 3,5 quilômetros de extensão e possui três faixas de tráfego em cada sentido, além de passarelas para pedestres e ciclistas. O monumento em homenagem a João Alves Filho será inaugurado às 16h, no pórtico da Barra. Prestigie!

Pecado da carne

De um bebinho, protestando num boteco de Aracaju contra o tira-gosto fuleiro: “Também, num país onde, até outro dia, havia mais gente na fila do osso do que no frege-moscas da esquina, esse prato de pé de galinha é luxo”. E o pinguço tem lá suas razões, pois um churrasco corrido aqui na terrinha custa a bagatela de R$ 75, sem contar os 10% do garçom e o couvert artístico. Por esse preço, podem abolir o pecado da gula!

Recorte de jornal

Publicado no jornal aracajuano O Tempo, 12 de dezembro de 1950.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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