sexta-feira, dezembro 29, 2023

Em sua maioria, os partidos políticos são inúteis ADIBERTO DE SOUZA em 29 dez, 2023 8:25

 em 29 dez, 2023 8:25

Adiberto de Souza

Dos 29 partidos registrados na Justiça Eleitoral muitos são totalmente desconhecidos do grande público, sem falar que parte deles funciona como legenda de aluguel, verdadeiros biombos de malandragem. Estamos chegando ao final de 2023 com 29 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral. É um exagero! Ressalte-se que muitos dos chamados partidos nanicos só aparecem de dois em dois anos para encher os bolsos de seus “donos”. Alguns se assemelham a armazéns de secos e molhados, tamanho o volume de negócios que realizam durante as campanhas eleitorais. Até mesmo os chamados grandes partidos vivem de costas para a sociedade. Em vez de se envolverem com os problemas dos eleitores, os dirigentes partidários estão preocupados é com as eleições de 2024, já calculando como vão gastar os bilhões dos fundos partidário e eleitoral. Aliás, é de olho nessa fortuna, custeada pelo contribuinte, que 25 novos partidos políticos aguardam registro na Justiça Eleitoral. Só Jesus na causa!

UOL estranha contrato

A Secretaria Extraordinária de Representação do Governo do Rio em Brasília, que tem como titular o sergipano André Moura (União), contratou por R$ 2,5 milhões a empresa Triunfo Educacional para fornecer um jogo digital educativo. De acordo com reportagem publicada pelo site UOL, chama a atenção o fato de a empresa ter entre os sócios Vanderlan Ribeiro Vieira, ex-assessor da Secretaria da Casa Civil do Rio que, trabalhou justamente quando esta pasta era comandada por André. Em nota, a Secretaria fluminense afirmou que “todos os procedimentos legais foram adotados” na contratação. Home vôte!

Sergipe fora

Dos 513 deputados federais, apenas 30 participaram de todas as sessões desta 57ª legislatura. Na relação de assiduidade no plenário da Câmara não aparece um único dos oito parlamentares sergipanos. Ao contrário, o deputado federal Gustinho Ribeiro (Republicanos) figura em outra lista: a dos mais faltosos ao “batente”. De acordo com levantamento feito em outubro passado, o parlamentar lagartense foi o 6º mais ausente das sessões. Segundo a assessoria do ilustre, as faltas ao trabalho foram motivadas por “compromissos políticos inadiáveis e questões de cunho pessoal”. Ah, bom!

Apelo de petista

É inadmissível que as lideranças do PT em Sergipe não sentem para discutir os rumos do partido. Quem pensa assim é o professor Joel Almeida, sindicalista e antigo filiado à legenda da estrelinha. De acordo com o distinto, ao abdicar de candidaturas próprias, num cenário em que a direita detém a grande maioria das prefeituras sergipanas, o PT está cometendo suicídio político. E o professor Joel conclui dizendo que deseja votar em petistas, “seja pra prefeito, seja pra governador, ou então a direita, cada vez mais inchada, vai nos esperar na esquina”. Arre égua!

Deputada na cozinha

A deputada federal Katarina Feitoza (PSD) aproveitou a calmaria do recesso parlamentar e foi pra cozinha ensinar como fazer uma saborosa rabanada. Pelo instagram, a ilustre disse que esta é a receita especial dela para as festas deste período: “Faço todo ano e minha família adora. Por isso quis dividir a receita com vocês”, revelou. Colega de Katarina na Polícia Civil, a delegada Meire Mansuet postou mensagem informando que a sua especialidade é salada, “mas vou testar essa receita”, prometeu. Então, tá!

O mínimo nos municípios

O reajuste do salário mínimo para R$ 1.412 causará impacto positivo de R$ 69,9 milhões nas prefeituras de Sergipe. O cálculo é da Confederação Nacional de Municípios (CNM). O novo valor deve ser pago a todos os trabalhadores do setor público e privado, aposentados e pensionistas. A CNM aponta que o reajuste do mínimo impacta, principalmente, os municípios de pequeno porte. Entes menos populosos são os que possuem mais funcionários com remunerações próximas ao valor do salário mínimo. Juntas, as prefeituras de Sergipe empregam 39.238 servidores. Aff Maria!

Justa homenagem

O trecho da rodovia SE-175, do povoado Terra Dura, em Itabaiana, até o município de Ribeirópolis, foi batizado de ex-deputado estadual Francisco Passos. A colocação do nome do saudoso político naquela via é fruto de Projeto de Lei apresentado na Assembleia pelo neto do homenageado, deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania). Nascido no povoado Saco do Ribeiro, posteriormente rebatizado de Ribeirópolis, Francisco Passos exerceu oito mandatos consecutivos de deputado estadual, tendo sido presidente do Legislativo sergipano por dois biênios. Taí um reconhecimento pra lá de merecido!

Sergipe na rabeira

O Nordeste alcançou, em setembro último, a marca de 45.831 novos negócios. É o que revela pesquisa do Indicador de Nascimento de Empresas da Serasa Experian. Desse total, Sergipe representou a menor fatia, com apenas 1.924 novas empresas, portanto, bem distante da Bahia, que liderou na região com a abertura de 13.801 novos CNPJs. Em nível de Brasil, Sergipe ficou na 22ª posição, à frente apenas de Rondônia, Tocantins, Roraima, Amapá e Acre. Crendeuspai!

É golpe!

A malandragem está tirando o sono do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT). Em menos de um mês, os mequetrefes já usaram duas vezes a foto e o nome dele para aplicar golpes através do WhatsApp, inclusive fazendo ligações se passando pelo pedetista. Pelas redes sociais, Nogueira alertou que não mudou o número do celular e não está pedindo dinheiro. O prefeito já prestou queixa à Polícia e tem solicitado às pessoas para não caírem nesse golpe: “Desconsiderem qualquer mensagem com este teor”, pede Nogueira. Misericórdia!

Retrospectiva criticada

E a deputada estadual Linda Brasil (Psol) jura que o governo Mitidieri (PSD) mente para os sergipanos. Segundo ela, não merece crédito a retrospectiva divulgada pelo Executivo informando que os serviços públicos estão sendo fortalecidos: “O que acontece desde o início deste governo perverso é a destruição dos serviços públicos”, fustiga. Linda prossegue afirmando que, por não saber governar, Fábio Mitidieri terceiriza a sua missão para a iniciativa privada. “É no mínimo zombar da cara da população. É uma vergonha”, afirma a parlamentar. Marminino!

Políticos protegidos

Um bebinho dizia num boteco imundo de Aracaju que junho é o mês preferido da classe política. Segundo o pinguço, no período junino os políticos desonestos podem participar de quadrilhas sem correr o risco de serem presos em flagrante. Cala-te boca!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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